Outer Range, Cecilia Abbott (Lili Taylor) © Prime Video

Outer Range | Entrevista à talentosa Lili Taylor

Lili Taylor dá vida a Cecilia Abbott, a matriarca da família protagonista da série “Outer Range”. Sabe tudo sobre o seu desempenho. 

Se há alguém que há muito queríamos entrevistar era Lili Taylor. É um dos nomes mais célebres da tv norte-americana, que já trabalhou em vários filmes como “Alta Fidelidade” (Stephen Frears, 2000) e mais recentemente em “The Conjuring – A Evocação” (James Wan, 2013) ao lado de Vera Farmiga e Patrick Wilson.

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Trailer | Outer Range

Desde que deixou a sua cidade natal de Chicago, foi em Nova Iorque que Lili Taylor se estabeleceu e onde também deu o salto para o estrelato, do teatro ao cinema e à televisão. Teve a sorte de saltar de um projeto para outro, praticamente sem pausas e deixando um toque de elegância e classe onde quer que passava. De facto, o seu espírito vivaz permitiu a Lili ser uma atriz relativamente discreta, mas que não poderemos esquecer. Cada interpretação deixa-nos a sua marca e é isso que percebemos na série “Outer Range“, onde oferece provavelmente a interpretação mais potente da sua carreira.

Nesta história dá vida a Cecilia Abbott, a esposa do protagonista interpretado por Josh Brolin. É uma mulher que fará de tudo para proteger a sua família e evitar que algum mal lhe aconteça. Cecilia é também uma mulher à procura de um significado para o seu papel matriarcal, que exige uma caminhada quase divina na intenção de atingir certas respostas. Vejamos em conjunto o que tem a dizer sobre este novo desafio e como é que se preparou.

Josh Brolin
Royal Abbott (Josh Brolin) © Prime Video

MHD: O que te fez juntar a “Outer Range”?

Lili Taylor: Foi incrível. Eu não conseguia acreditar o que estava realmente a acontecer. Eu recebi a oferta e lembro-me de ter ficado bastante emocionada. No momento em que deram luz verde, eu congelei.

MHD: Tendo em conta que interpretas a matriarca dessa família atormentada, qual foi a tua preparação para o papel?

Lili Taylor: Foi maravilhosa. Eu ainda não consegui entender como tive a sorte de interpretar uma mulher assim. Normalmente não vemos muitas mulheres assim nem na televisão, nem no cinema. Então foi maravilhoso interpretar uma personagem tão interessante. Lembro-me que para preparação estive numa fazenda. O elenco tudo teve que aprender a ser cowboy durante três semanas no Novo México. Acho que para um ator ter oportunidade de fazer isto foi simplesmente fantástico.

Todo o processo foi igualmente colaborativo. Fizemos tudo juntos, trabalhamos juntos. De certa forma, parecia um pouco como uma peça de teatro e Brian Watkins é um dramaturgo. Portanto, consegues imaginar a espécie de preparação profunda que tivemos.

Brian Watkins
Royal Abbott (Josh Brolin) © Prime Video

MHD: Esta personagem é muito metafísica e a tua personagem tem algum tipo de atitude religiosa e metafísica de antes, enquanto que as restantes personagens vão descobri-lo a partir do primeiro episódio. Como é que trabalhaste nisso?

Lili Taylor: Uma das coisas que eu realmente queria ter a certeza era que a Cecilia era uma mulher religiosa e que as suas crenças eram muito fundamentadas e relacionáveis. Não queria de todo representar aquela cristã estereotipada norte-americana. Acho que isso fecharia imediatamente a porta a alguns espectadores, pois seria muito fácil.

E então era sobre isso, não é tanto sobre a espiritualidade ou a necessidade de se conectar com algo maior. Acho que a série não é sobre relacionar-se apenas com um Deus estranho, que existe em qualquer igreja. Temos aqui uma mulher que precisa de fé e não devemos julgar que algumas pessoas precisam de fé. Jamais deveremos julgar uma pessoa que procura a fé sem procurar uma igreja. Acho que isso era importante para mim. A minha personagem não é, de todo, essa presença feminina negativa. Acho que fizemos isto bem.

MHD: Como foi colaborar com o Josh Brolin?

Lili Taylor: Para mim o Josh foi como um irmão. Eu realmente sinto isso, que nós estávamos conectados na série. Acho que senti nele uma espécie de cowboy interior. Ele é o meu interior, o meu cavaleiro interior. Ele dá-me força e deu-me força para cada momento inesperado.

Nós tivemos que falar muito sobre o desafio destas personagens que tanto se amam e fazem de tudo pela sua família. Acho que há uma reviravolta interessante que vai deixar os espectadores agarrados e tem que ver com o nome Abbott. Vão perceber do que estou a falar quando virem a série. Foi muito com base neste mistério e nesta jornada que eu e o Josh nos focámos.

Outer Range, Cecilia Abbott (Lili Taylor) © Prime Video

MHD: Que tipo de relação tinhas com o género western antes de “Outer Range”? 

Lili Taylor: Não tenho muita experiência com o faroeste americano, na verdade. Quando via os filmes, em pequena, numa percebia muito bem o que se estava a passar. Eu simplesmente não me conectava com o género. Como mulher acho que isso é um pouco normal, porque aqueles filmes representavam-nos muito como marginais, como prostitutas ou como mulheres donas de casa sem qualquer relevo. Sem qualquer impacto.

Eu sentia que queria recuar perante o género. Ser capaz de fazer um faroeste foi perfeito para mim, porque tive a liberdade e a possibilidade de trilhar o meu próprio caminho. Gostei da autenticidade do Brian e da forma como procurava a verdade por detrás daqueles cowboys.

Outer Range
Outer Range, Royal Abbott (played by Josh Brolin)

MHD: Mas assististe a algum filme ou série de western para preparar-te para a personagem?

Lili Taylor: Nem por isso. Eu mergulhei mais nos livros. Foram os textos que ajudaram muito. Acho que apenas um documentário influenciou-me que era sobre agricultores e ovelhas. Um filme realizado por Frederick Wiseman. E foi o que me aproximou mais da realidade e daquilo que queria contar.

Também li um livro de ensaios, é verdade. “The Solace of Open Spaces” de Gretel Ehrlich. Ehrlich foi rodar um filme sobre pastores de ovelhas no Wyoming e escreveu este livro. Eu realmente precisava destas bases, mais até do que filmes.

MHD: Sabias o que a tua personagem iria ultrapassar? É uma das maiores transformações ao longo da série…

Lili Taylor: Eu sabia. E isso nem sempre acontece na TV. Tenho certeza que vocês já ouviste falar de diferentes coisas, como salas de argumentistas em que os atores estão proibidos de entrar. Eu percebo essas razões o Brian queria que soubéssemos, e eu prefiro isso. Eu acho que para mim, eu acho que é mais eficaz para todos os atores saberem do desenlace, porque eu acho que um ator pode sair-se melhor. Os atores de “Outer Range” definitivamente safaram-se bem.

Brian Watkins
Billy Tillerson (Noah Reid), Luke Tillerson (Shaun Sipos), Rhett Abbott ( Lewis Pullman), Perry Abbott (Tom Pelphrey), Royal Abbott (Josh Brolin) © Prime Video

Um ator que não sabe o que vai fazer, pode perder-se. Pode não ser capaz de preparar-se com a devida atenção. Já tive situações em que não me contaram.Imagina que me dizem que sou uma assassina num filme. Eu queria saber da transformação dessa personagem para moldar as coisas de uma maneira muito própria.

MHD: Quais são as suas maiores recordações ao longo tempo de filmagem? 

Lili Taylor: Tenho muitas memórias. Mas tivemos que manter-nos na nossa bolha sozinhos, porque filmámos com muitas regras COVID-19 e não poderíamos sair para lado nenhum. Até foi horrível.

Não sei se posso dizer, mas acabámos por sair. Tivemos que fazer uma festa secreta. Dançámos, jogámos poker. Está no instinto humano a convivência. E nós estávamos literalmente isolados. E essa foi provavelmente uma das minhas melhores lembranças.

MHD: O que aprendeste da série?

Lili Taylor: Muito, mesmo muito. Primeiro que ninguém vai para o Novo México para tentar filmar em fevereiro e foi o que nós fizémos. Estava um frio de rachar e num dos dias o Josh teve que tirar a camisa e caminhar numa temperatura que ninguém imagina. Acho que aprendi que qualquer desafio pode ser superado, bastante termos muita coragem e sermos persistentes. Os atores devem sê-lo.

MHD: Boa sorte com a estreia da série.

Lili Taylor: Muito obrigado foi um prazer falar contigo.

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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