Outlander | Primeira temporada em análise


Título Original: Outlander
Elenco:  Caitriona Balfe, Sam Heughan, Tobias Menzies
Género: Drama, Fantasia | Starz | 2014 | USA


 

Outlander mostrou ser uma das mais agradáveis surpresas da temporada 2014/2015, e com esta análise ficarão claras as razões de assim ser.

PARTE 2 >>

Estávamos em meados do ano de 2014 quando estreou a série Outlander do canal Starz. Eram provavelmente muito poucos aqueles que previam o que esta série tinha reservado para o panorama televisivo e para os seus admiradores, excepto, é claro, os leitores dos livros, já que a série do Starz é uma adaptação televisiva da série de livros escrita por Diana Gabaldon. A verdade é que Outlander mostrou ser uma das mais agradáveis surpresas da temporada 2014/2015, e assim que terminares de ler esta análise vais perceber porquê. Também é importante referir que esta análise a Outlander foi escrita por alguém que não leu os livros, de maneira que não haverá qualquer risco de encontrar spoilers relativos à próxima temporada da série. O mesmo não se pode garantir em relação a possíveis spoilers da primeira temporada.

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Mas antes, vamos às informações essenciais da série. Outlander dá o pontapé de saída da sua história acompanhando a sua protagonista, Claire Randall (Caitriona Balfe), uma enfermeira da Segunda Guerra Mundial, e o seu marido, Frank Randall (Tobias Menzies), na sua segunda lua-de-mel. Após terem sido forçados a separar-se devido à guerra, o casal procura com esta viagem até às Terras Altas (Highlands), na Escócia, recuperar a sua relação, mas o destino tem outros planos para Claire. Sem saber como, a protagonista é transportada para o ano de 1743, conhece o highlander Jamie Fraser (Sam Heughan), é suspeita de ser uma espia inglesa, vê-se envolvida num dos momentos-chave da história escocesa – a Revolução Jacobita – e as aventuras de Claire não ficam por aqui.

 

CLAIRE, A PROTAGONISTA

Há vários elementos que fazem de Outlander uma das melhores séries dos últimos anos, e talvez seja melhor começar esta análise falando do elemento chave da série: Claire. É verdade que sem a protagonista, esta história simplesmente não avança, já que a série criada por Ronald D. Moore (Battlestar Galactica) é, na sua maior parte, sobre a jornada desta enfermeira do século XX. Mas Claire não é unicamente importante e fundamental para Outlander por ser a personagem catalisadora da narrativa. Tal como muitas novas protagonistas femininas que surgiram em séries e filmes nos últimos tempos, Claire vem reforçar o grupo de personagens femininas que têm vindo a quebrar com alguns dos maiores estereótipos da indústria televisiva e que provam que uma mulher consegue ser tão boa ou melhor heroína que um homem.

 

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Claire é uma mulher dos anos 40, século XX, e já para esta altura, é alguém com uma mentalidade muito avançada para a época. Escusado será dizer que, quando Claire aterra na Escócia de 1743, século XVIII, é vista como uma mulher deveras invulgar. A nossa protagonista teve uma educação bastante diferente das restantes mulheres da sua geração e os anos como enfermeira na Segunda Guerra Mundial foram essenciais para a sua transformação numa mulher independente e forte, não se deixando abalar facilmente. Consequentemente, Claire não é uma personagem que seja capaz de acatar ordens sem ter fortes motivos para o fazer, questionando tudo e todos antes, não receia opor-se a ninguém e muito menos evitar expressar a sua opinião, mesmo que isso a coloque em situações extremamente delicadas. Felizmente, esta é uma mulher bastante inteligente e perspicaz, e é através destas qualidades que vai conseguindo sobreviver num tempo que não é o seu, nomeadamente utilizando os seus conhecimentos médicos e históricos.

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A RELAÇÃO DE JAMIE E CLAIRE

Apesar de Outlander ser maioritariamente sobre Claire, a certa altura o foco da narrativa bifurca-se, concentrando-se significativamente na relação entre Claire e Jamie. Este é um dos melhores casais que tivemos oportunidade de acompanhar no último ano e que fique bem claro, o amor à primeira vista, trocas de olhares ou subtis toques de mãos não passaram por aqui, embora uma química especial entre os dois estivesse presente desde o primeiro minuto. A relação de Claire e Jamie é uma das mais honestas, credíveis e autênticas que já tivemos oportunidade de ver. Tendo como alicerces a sinceridade, o respeito e a confiança, à medida que a relação progride outros elementos surgem por acréscimo, sejam eles amizade, amor, intimidade, cumplicidade, entre outros. Inicialmente os dois criam uma ligação de paciente e médico, que faz nascer a confiança entre eles. Jamie não conhece Claire de lado nenhum, e mesmo assim, talvez por ser ainda um pouco ingénuo ou acreditar na ideia de honra, decide confiar nesta estranha mulher para tratar dele, chegando até a confidenciar-lhe um dos momentos marcantes da sua vida, retratado nas costas preenchidas por cicatrizes de chicotadas. Claire, por sua vez, ao sentir esta honestidade da parte do jovem highlander, não só começa a ver nele um possível apoio para o futuro, como também percebe que Jamie é alguém que ela não precisa temer.

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Após alguns curativos, conversas casuais e um certo convívio, Claire e Jamie começam a criar uma amizade genuína onde se ajudam e aconselham mutuamente sobre as mais variadas situações. Quando são forçados a casar para que Claire fique sob a proteção do clã e não tenha a obrigação de se apresentar ao Capitão Jack Randall, os sentimentos deles não mudam da noite para o dia. É necessário traçar um caminho do momento em que eles são apenas amigos, até ao ponto em que passam a ser também amantes e parceiros, e a série fá-lo muito bem, dando tempo aos personagens para se conhecerem e se descobrirem.

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A vida de Jamie e Claire não é de todo fácil e são as situações drásticas em que eles tantas vezes se encontram que fortalecem a relação deles. Quando  Claire revela o seu grande segredo a Jamie, é dos momentos mais importantes para a consolidação da relação deste casal. Por um lado, temos o auge da sinceridade e confiança que envolve o par, por outro, somos testemunhas do gesto mais altruísta da parte de Jamie, quando este ajuda Claire a regressar a Craigh na Dun para que ela possa voltar ao seu tempo, colocando os desejos dela em primeiro plano, e os seus em segundo. E por último, esta possibilidade de escolha que é dada à protagonista permite-lhe finalmente decifrar os seus verdadeiros sentimentos e vontades, deixando de se sentir dividida entre dois homens e dois tempos.

 

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Antes de a temporada terminar, o casal é obrigado a lidar com uma das maiores dificuldades que alguma vez terão de enfrentar e põe à prova a relação de uma maneira que nenhum deles imaginou. Desde o início da série que Jamie é perseguido pelo Capitão Jack Randall, o vilão de Outlander e um dos personagens mais odiáveis de séries de televisão desde o surgimento de Joffrey Baratheon (Game of Thrones). No final da temporada, Jack Randall consegue capturar Jamie, acabando por torturá-lo e violá-lo física e psicologicamente. Os danos que isto causa no protagonista são devastadores e nem mesmo Claire parece conseguir ajudar o seu marido. Contudo, ela não desiste, desce ao inferno onde se encontra Jamie e ajuda-o a erguer-se, protagonizando uma das cenas mais arrebatadoras de Claire nesta temporada. É bastante óbvio que o amor que os dois sentem um pelo outro, por mais forte que seja, não é de todo suficiente para recuperar Jamie totalmente. Tanto o espetador como a própria série têm consciência disso e este episódio final foi muito bem realizado nesse sentido, de maneira a demonstrar essa consciencialização e não transmitir ideias erradas. No entanto, quando ouvimos a protagonista dizer ao seu marido “I will have you any way I can, always”, é fácil para o espetador acreditar em cada uma destas palavras, e tudo graças ao excelente trabalho dos argumentistas, realizadores e atores ao longo da temporada, que desenvolveram esta relação de uma forma convincente e admirável, não dando qualquer hipótese de questionarmos os sentimentos partilhados por Jamie e Claire.

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Filipa Machado

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Filipa Machado

Licenciada em Estudos Artísticos e uma grande apaixonada (e viciada) por Literatura, Televisão, Cinema e, em especial, por Animação Japonesa.

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