Vou ser óbvio logo à partida: eu não sou o público-alvo deste jogo, e é quase certo que tu também não, mas talvez o teu filho ou irmão mais novo seja. Analisar a Patrulha Pata: Dino World (PAW Patrol: Dino World) com os olhos de um adulto seria injusto e, francamente, inútil. Este é um jogo feito para crianças pequenas, e a única pergunta que interessa é: cumpre o que essas crianças (e os pais delas) esperam? A resposta curta é sim — e com uma folga simpática.
Comecemos pela base. Este é mais um título da Patrulha Pata — já vão sete ou oito nos últimos anos —, desta vez a apanhar boleia do filme “PAW Patrol: The Dino Movie“, que estreou nos cinemas este mês. Testei-o a pensar no que um miúdo de 4 a 8 anos tira daqui, e é sob essa lente que escrevo, até porque lá por casa todos temos de ser fãs da Patrulha Pata! Vamos por partes.
Ficha do jogo
- Estúdio: 3DClouds · Editora: Outright Games (com Nickelodeon / Spin Master)
- Género: aventura 3D em mundo aberto, para crianças e famílias
- Plataformas: PS5, PS4, Xbox Series X|S, PC, Nintendo Switch (e Switch 2, com visuais melhorados, a 2 de outubro)
- Lançamento: 31 de julho de 2026
- Jogadores: 1 ou 2 (cooperativo local, no mesmo ecrã)
- Duração: cerca de 12 horas ou mais, ao ritmo de uma criança
- Preço: à volta dos 40 € (com upgrade grátis da versão PS4 para PS5)
A história e a ilha
A premissa é pura Patrulha Pata. O vilão da série, o Presidente Humdinger, anda a semear o caos na Ilha dos Dinossauros: os dinossauros estão assustados, fugiram e ficaram separados das famílias, e ainda por cima há um vulcão que ameaça deitar tudo a perder. Cabe ao Ryder e aos cães, com a ajuda do Rex — o cão especialista em dinossauros — e do Timmy, investigar, resgatar as criaturas e repor a ordem antes que o vulcão entre em erupção. Ideia simples? Sim. Viciante e estimulante para s crianças? Check!
Um pormenor a notar: apesar de partilhar o cenário da Ilha dos Dinossauros com o filme (e com a 13.ª temporada da série), o jogo conta uma história original e não segue o argumento do filme, o que acho que faz sentido, até porque estamos a falar de entretenimento com objetivos diferentes . Quem esperava reviver o filme vai estranhar, até porque a aventura começa de forma algo abrupta na ilha, sem grande enquadramento. Para o público a que se destina, contudo, isso é irrelevante — o que interessa é que há dinossauros para salvar e um vilão para travar. Não há uma fase mais lenta nem demasiado para se aprender. É começar a jogar e aproveitar.
O mundo divide-se em quatro regiões bem distintas — as Planícies dos Dinos, a Costa (com piscinas secretas), a Selva e o Vulcão —, cada uma com os seus dinossauros, os seus recantos e os seus colecionáveis. E o resultado é o que se quer de um jogo destes: desafios que vão aumentando de dificuldade aos poucos, muito para se colecionar e desbloquear, sempre com os cães à nossa volta.
Como se joga
Podes controlar os seis cães jogáveis — Chase, Marshall, Skye, Zuma, Rubble e Rocky —, cada um com a sua habilidade única e o seu veículo característico, e trocar entre eles a qualquer momento para resolver os problemas. Uma vez mais, simples, viciante e com a dose certa de estratégia para uma criança, sempre com o jogo a ajudar-nos a perceber o que fazer. A estrutura mistura missões de resgate, pequenos puzzles ambientais, minijogos e uma data de colecionáveis escondidos (ovos, baús, biscoitos). Numa missão estás a regar plantas, noutra a planar sobre um precipício, a reparar equipamento, a procurar um dinossauros, a ajudar outro a encontrar algo ou a mergulhar num lago — há sempre uma tarefa à medida de cada cão, e muda o suficiente para manter os pequenos concentrados entre aceitar uma missão e concluí-la.
Há ainda um lado de “cuidar” que costuma cair bem nesta idade: no Centro Paleo, a Heidi e a Eugénia ensinam a tratar dos novos amigos dinossauros e a decorar os seus recintos. E, como bónus de personalização, dá para desbloquear acessórios, visuais e decorações para o teu cão, o veículo e até os dinossauros — as crianças adoram “vestir” as personagens à maneira delas. Eu lembro-me de adorar mudar as cores nos carros quando era criança e jogava. Os miúdos de agora são iguais e os bons videojogos de crianças devem também focar-se nisso.
Feito à medida dos miúdos
É aqui que o jogo mostra que sabe para quem foi feito. É tecnicamente um mundo aberto, mas nunca te larga sozinho: há um marcador a apontar a missão seguinte, pegadas no chão para seguir e um ícone de ajuda quando alguém se perde. Não há perigo real — tirando o marotismo do Humdinger, os dinossauros são inofensivos como gatinhos e precisam apenas que os tranquilizem. Isto significa que uma criança pequena pode explorar ao seu ritmo, sem frustração, sem game overs, sem sustos. Como primeiro jogo de aventura para quem está a começar a pegar num comando, é dos melhores pontos de partida que se arranjam. Aliás, é neste aspeto, talvez, o melhor jogo Patrulha Pata que já experimentei.
O verdadeiro trunfo: jogar a dois
Ainda mais do que noutros jogos da série, este foi desenhado à volta de trabalho de equipa, exploração e resolução de problemas, e essa componente partilhada transforma-o de “jogo que entretém a criança” em “atividade que se faz em família”. É esse o valor que justifica a compra para muitos pais, até porque obriga a criança a pensar de forma mais complexa em como resolver o problema com a ajuda de outra pessoa. É uma forma de se aprender, de superação e de maior diversão, até porque a dois, é muito divertido simplesmente explorar, deixando as missões para depois.
Apresentação
Visualmente, é colorido e alegre, com cenários que encaixam bem no tema e um terreno irregular que dá variedade à exploração. Infelizmente há alguns bugs visuais pelo meio que denunciam o orçamento modesto e acabam por manchar um pouco o acabamento. Nada que estrague a experiência de uma criança, mas nota-se. Contudo, acredito que para uma criança, não será, minimamente, um problema.
Duração e preço
Por cerca de 40 €, e com umas boas 12 horas ou mais de conteúdo para quem explora com calma, a relação qualidade/preço é justa para o género — é um jogo generoso em tamanho para o que costuma ser um título infantil. Uma criança que goste mais de explorar do que acabar as missões de seguida, terá aqui muitas e muitas horas de jogo.
Veredito: para quem é
A Patrulha Pata: Dino World é exatamente aquilo a que se propõe: uma aventura luminosa, acessível e cheia de carinho, fiel à série que os miúdos adoram e com uma história própria que se aguenta bem. Não reinventa nada nem tenta — e é precisamente por não tentar ser mais do que é que acerta em cheio no seu público. Dificilmente uma criança que goste da Patrulha Pata não gostará deste jogo.
Recomendo-o sem reservas se tens em casa um fã da Patrulha Pata entre os 4 e os 8 anos, sobretudo se ainda por cima gostar de dinossauros. É um primeiro jogo ideal, seguro, e uma desculpa perfeita para te sentares a jogar ao lado dele. Não se esqueçam dessa parte, é um jogo muito divertido para se jogar com o filho. Se procuras algo que também te entretenha a ti como adulto, ou um desafio a sério, este não é o teu jogo — mas, sejamos justos, nunca prometeu sê-lo nem deve sê-lo. Para o pequeno explorador lá de casa, porém, este é o jogo deste verão.

