Quem tem crédito à habitação e revisão marcada para novembro vai pagar mais ao banco. Ainda assim, há sinais de que o ritmo de subida está a abrandar. Vê o que muda no teu caso!
Como se calcula a prestação do crédito à habitação?

Os bancos seguem uma regra simples. Calculam a média da Euribor de outubro e comparam-na com a de há três, seis ou 12 meses. O prazo depende do indexante do contrato.
Neste exercício, a média de outubro ficou sempre acima. Por isso, a prestação sobe em todos os casos. Contudo, a dimensão do aumento varia bastante consoante o indexante escolhido.
Convém lembrar que a Euribor reflete as taxas a que os bancos europeus se emprestam dinheiro entre si. Por isso, qualquer mudança nestas taxas chega depressa à carteira das famílias.
Quanto vai subir a prestação em novembro?
Os números mostram a diferença entre indexantes. Tomemos como exemplo um empréstimo de 200 mil euros, a 30 anos, com spread de 1%.
Com a Euribor a 3 meses, a prestação passa de cerca de 893 euros para 914 euros. O aumento ronda os 21 euros.
Com a Euribor a 6 meses, o salto é maior. A prestação sobe de cerca de 896 euros para 950 euros. Ou seja, mais 53,87 euros.
Já com a Euribor a 12 meses, o impacto é o mais pesado. A prestação passa de cerca de 870 euros para 979 euros. São quase 110 euros a mais por mês.
E em créditos mais pequenos? O efeito é proporcional. Por exemplo, um empréstimo de 100 mil euros indexado à Euribor a 6 meses, a prestação sobe cerca de 27 euros, para os 475 euros.
O pior já passou para quem tem crédito à habitação?

Há motivos para algum otimismo. Apesar da nova subida, o aumento de outubro é o mais baixo dos últimos meses. Além disso, a média de outubro ficou abaixo da de setembro nas Euribor a 3 e a 12 meses. Isto não acontecia desde fevereiro e junho, respetivamente.
Estes sinais sugerem que as taxas podem já ter incorporado novas subidas de juros do Banco Central Europeu (BCE). Se assim for, a Euribor poderá ter atingido o ponto mais alto deste ciclo. Ainda assim, convém ter cautela. O cenário mundial continua incerto e as previsões divergem.
O que vai fazer o BCE às taxas de juro?
Esta quinta-feira, o BCE deixou as taxas diretoras inalteradas. Contudo, o mercado espera uma nova subida até ao final do ano. Nesse caso, a taxa de depósito chegaria aos 2,75% em dezembro.
Depois disso, as opiniões dividem-se. Alguns analistas admitem que as taxas subam até aos 3% em 2027. Outros duvidam desse cenário.
Entretanto, Christine Lagarde anunciou que deixa a presidência do BCE em fevereiro de 2027. Na conferência de imprensa, garantiu que as decisões futuras continuarão a depender dos dados. Explicou ainda que antecipou a saída para ter voz ativa em temas que vão além da política monetária.
Em suma, a única certeza é a subida de novembro. Por isso, quem tem crédito indexado deve acompanhar a evolução das taxas e preparar o orçamento familiar com antecedência.


