Há concertos que se limitam a acontecer. E depois há noites como esta sexta-feira passada, no Parque da Cidade do Porto, onde tudo pareceu calibrado para não ser esquecido. O segundo dia do Primavera Sound Porto 2026 ficou marcado por dois concertos que, sendo completamente diferentes, se complementaram com uma lógica difícil de explicar e impossível de ignorar.
O problema que qualquer festival enfrenta no segundo dia é simples, como manter o nível depois da abertura? A resposta chegou em forma de caos controlado e nostalgia.
Os Viagra Boys entraram em palco como se o punk nunca tivesse sido declarado morto e, durante uma hora, trataram de provar que essa declaração foi sempre prematura.
“Slow Learner”, “Troglodyte” e “Waterboy” transformaram o recinto numa mistura de mosh, crowdsurf e euforia colectiva. O saxofonista da banda roubou mais atenções do que qualquer guitarra e Sebastian Murphy, vocalista, conduziu tudo com uma presença física e verbal que não pede licença.
Houve mensagens políticas, gargalhadas e pelo menos um homem adulto aos saltos como se tivesse 17 anos. O punk recomenda-se (e muito).
Gorillaz: hora e meia entre o mundo inteiro e o Parque da Cidade
Damon Albarn e os Gorillaz chegaram ao palco principal com “The Mountain”, faixa que abre o novo disco lançado este ano, o primeiro editado pela própria editora da banda, a KONG.
O alinhamento equilibrou o novo álbum com os clássicos que o público esperava como “19-2000”, “Rhinestone Eyes” e “Feel Good Inc.”. Esta última cantada em uníssono por milhares de pessoas foram os momentos de maior intensidade colectiva. No entanto ficou um amargo na boca.
Isto porque o concerto acabou ligeiramente mais cedo e ficou na expectativa do público um encore, até porque faltava tocar “DARE”. Mas isso não aconteceu.
Os convidados especiais fizeram a diferença: Joe Talbot dos IDLES, Kara Jackson, Yasiin Bey e Bootie Brown subiram ao palco em momentos distintos, cada um a trazer uma camada nova ao espectáculo.
As animações de Jamie Hewlett completaram tudo, com projecções que tornaram o concerto tão visual quanto musical.
Uma grande surpresa e uma enorme desilusão

Mari Froes foi uma grande e bela surpresa do segundo dia. A artistra brasileira até trouxe Bárbara Tinoco para um dueto que parou o recinto. Mas foi com “Vaitimbora” que milhares de pessoas dançaram. Durante 50 minutos foi sentiu-se o calor da música sob uma noite que estava a revelar-se mais fresca.
Por fim, para fechar o palco Vodafone, a catalã Bad Gyal subiu a palco com toda a sua sensualidade que a caracterizam. No entanto, houve demasiadas pausas e pareceu tudo muito forçado e artificial. Dentro do mesmo genéro, Tokischa em 2023 era algo que se esperava agora.
Hoje, 13 de junho, é a vez dos Massive Attack a assumir o comando. No entanto os IDLS prometem fechar a noite com um concerto de arromba.

