Capitão Phillip Hoffman

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, em análise

A mais recente adaptação da Disney, “O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos”, é como receber uma deliciosa caixa de bombons…amargos. O exterior é belo e reluzente, mas o interior revelou-se oco e sem surpresas.

Lasse Hallström e Joe Johnston prometeram uma aventura num mundo mágico paralelo. À primeira vista, “O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos” relembra “As Crónicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, mas ao invés dos irmãos Pevensie, temos Clara Stahlbaum, a mais recente princesa de carne e osso da Disney.

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Enquanto adaptação do clássico de E.T.A Hoffmann, “O Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos”, a nova versão da Disney não desilude, mas o resultado é um enredo previsível sem surpresas. Ao nível do argumento, não se pode dizer que a estreia de Ashleigh Powell tenha sido em grande. A guionista não tinha um trabalho fácil pela frente se pensarmos nas inúmeras adaptações que o “O Quebra-Nozes” teve ao longo dos anos. O conto ‘mãe’ de Hoffman data de 1816, tendo sido encarnado no ballet de Tchaikovsky – provavelmente a sua versão mais popular -, na obra de Dumas e até como uma versão natalícia da Barbie. Ainda assim, Powell poderia ter dificultado mais a narrativa ao espectador.

quebra-nozes e os quatro reinos

A adaptação não é longa, antes pelo contrário, mas o twist da história percebe-se logo antes da primeira meia hora. Aqui começa um dos problemas de “O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos”. Problema que é de certa forma salvo pelo elenco e cenários. Guy Hendrix Dyas, director artístico do filme, teve a oportunidade de criar quatro reinos e um palácio mágicos e fê-lo majestosamente.  Sabias que os cenários dos reinos utilizaram gomas, chocolates e flores verdadeiras? No entanto, o ritmo da narrativa não permitiu que as suas construções respirassem. Cada reino teve direito a cerca de 30 segundos dos 100 minutos que compõem a adaptação. “O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos” pode ser essencialmente destinado a crianças, o que justificaria a sua duração, mas mais de metade da sua riqueza artística ficou perdida por esse mesmo factor.

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Os cenários, os habitantes dos reinos, os guardas, a família Stahlbaum foram todos pensados ao pormenor. De acordo com a dupla de realizadores e com Dyas, nada em “O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos” foi colocado ao acaso. Por exemplo, a cena de abertura do filme é um prelúdio do que Clara irá enfrentar no Quarto Reino. Os movimentos do Rei dos Ratos foram inspirados no rapper e dançarino Lil Buck, e no seu estilo de dança conhecido por ‘jookin’. Porém, à semelhança dos reinos, o desempenho de Buck é imperceptível no grande ecrã. Qualquer um destes detalhes ficou perdido nas mentes de Hallström e Johnston, o que é uma verdadeira pena.

quebra-nozes e os quatro reinos

O que não ficou perdido, e até se revelou uma agradável surpresa, foi Mackenzie Foy. A jovem actriz demonstrou uma interpretação sólida ao longo de todo o filme, mesmo quando em cena com Keira Knightley, Helen Mirren ou Morgan Freeman. Já Knightley tem em mãos a Fada do Açúcar, que se torna uma pequena desilusão por ser tão dramática e exagerada. Como se estivesse em constante esforço. Mirren e Freeman cumprem os seus papeis, com a graciosidade que lhes é natural. A personagem de Mirren, a Mãe Ruiva, tinha um potencial que claramente não foi bem explorado por Powell. Sabemos que ela foi banida do Palácio e dos outros reinos, mas não chegamos a saber pormenores que talvez fizessem sentido à narrativa. Ou, pelo menos, deveriam ter dado um vislumbre do que foi a Terra das Diversões.

Em suma, Hallström e Johnston ambicionaram tudo e fizeram o devido trabalho de casa, com pesquisas exaustivas sobre o ballet de Tchaikovsky e sobre a era Vitoriana – que justifica a falta de luz inicial do filme, a lâmpada era uma invenção muito recente. O guarda-roupa e caracterização dos personagem foi feita também de acordo com a época, recorrendo a vários tipos de ornamentos e tecidos. Porém o resultado final não espelha todo o empenho dos cineastas ou da equipa técnica. “O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos” não deixa de ser cativante, mas fica um bocado aquém das últimas produções da Disney.

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, em análise
O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

Movie title: The Nutcracker and the Four Realms

Date published: 2018-11-03

Director(s): Lasse Hallström, Joe Johnston

Actor(s): Keira Knightley Morgan Freeman Mackenzie Foy, Helen Mirren Matthew Macfadyen Eugenio Derbez Miranda Hart, Ellie Bamber, Jack Whitehall Sergei Polunin

Genre: Adventure, Fantasy, Family

  • Inês Serra - 60
  • Cláudio Alves - 55
  • Luís Telles do Amaral - 60
58

Conclusão

"O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos" tinha tudo para ser o filme de Natal da Disney, no entanto a sua grandiosidade e elegância perdem-se no argumento, que é precisamente o inverso de tudo o resto. Hallström e Johnston tiveram todos os recursos à sua disposição, mas tal como o ditado diz 'quem tudo quer, tudo perde'.

O MELHOR: O elenco, cenários e banda-sonora.
O PIOR: A riqueza e ambição do filme estarem confinadas aos seus 100 minutos de duração. A previsibilidade da história.

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Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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