Queer Lisboa ‘17 | Revelada a Programação Completa do Festival

Já foi revelada a programação completa da 21ª edição do Queer Lisboa. “God’s Own Country“, “Beach Rats” e o novo filme de André Téchiné são alguns dos maiores destaques da seleção. O festival vai decorrer de 15 a 23 de setembro em Lisboa.

 

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GOD’S OWN COUNTRY de Francis Lee

 

Depois de ter celebrado vinte anos de existência na edição do ano passado, o Queer Lisboa volta a trazer o que de melhor se faz de cinema LGBT+ à capital portuguesa. Apesar de ter menos filmes que em 2016, cujos números foram muito inflacionados pela espetacular retrospetiva de toda a obra de Derek Jarman, a edição de 2017 apresenta uma muito maior diversidade geográfica, apresentando, entre longas e curtas-metragens, documentários, narrativas e videoclips, 90 obras de 32 nacionalidades diferentes. Afinal, arte queer existe em todo o mundo, mesmo que a um nível muito escondido, marginalizado ou mesmo ilegalizado.

Não que, há que referir, estes sejam filmes obscuros. A obra que vai abrir as festividades, por exemplo, tem sido um dos filmes mais falados do ano no circuito dos festivais e vai agora estrear comercialmente no seu país de origem. Referimo-nos a “God’s Own Country” do britânico Francis Lee, que tem vindo a receber aclamação crítica desde a sua exibição no Festival de Sundance e na Berlinale, tendo sido premiado em ambos os eventos. Esta é a história de amor rural entre um jovem criador de ovelhas e um imigrante Romeno em Yorkshire. Com a relativa ascensão de ideologias conservadoras e xenófobas no Reino Unido, esta obra é de uma urgência sociopolítica de impor respeito.

 

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BEACH RATS de Eliza Hittman

 

Outro título premiado em Sundance a chegar ao Queer Lisboa é “Beach Rats”. O filme de Eliza Hittman acompanha um adolescente nos arredores de Brooklyn, seus desejos e questões de identidade pessoal. Este é um dos títulos da competição principal de longas-metragens de ficção, onde também se incluem, entre outros, o bizarro “Pieles”, do espanhol Eduardo Casanova, e “Close-Knit”, o novo trabalho da promissora realizadora japonesa Naoko Ogigami. Este último filma a ser destacado foi inclusive premiado com um Teddy Award na Berlinale deste ano.

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Também galardoado com o prestigiado Teddy na Berlinale de 2017 foi “Small Talk”, um documentário do Taiwan que integra agora a competição de longas-metragens documentais do Queer Lisboa. Para além dessa secção, onde se incluem ainda mais sete filmes, o cinema documental vai estar presente noutras partes deste festival, nomeadamente na secção Panorama, com filmes como “100 Men”, e na competição Queer Art, onde são destacadas algumas propostas mais avant-garde do cinema queer dos últimos anos.

 

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FLUIDO de Shu Lea Cheang

 

Tanto na secção Panorama como na Competição Queer Art existem ainda propostas mais próximas da ficção narrativa. Entre elas, gostaríamos de dar particular destaque a duas das mias provocadoras experiências em exibição. Falamos, pois claro, do novo projeto de Bruce LaBruce “Ulrike’s Brain”, e da extravagante loucura de Shu Lea Cheang, uma artsita destacada nesta programação, “Fluidø”. Não é todos os dias que vemos um filme de ficção-científica experimental com o poder sobrenatural do esperma futurista como seu foco central.

Numa perspetiva mais convencional, mas não por isso menos fascinante, temos o novo filme de André Téchiné “Quand on a 17 ans”. Esta obra francesa estreou o ano passado no festival de Berlim, onde foi aclamado pela crítica, mas só agora chega às salas de cinema portuguesas. Antes da sua estreia comercial, no entanto, este romance adolescente brilhantemente interpretado por Sandrine Kiberlain, Kacey Mottet Klein e Corentin Fila vai ter a sua antestreia no festival.

 

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QUAND ON A 17 ANS de André Téchiné

 

Temos também de mencionar a presença nacional no Queer Lisboa, que se vai fazer essencialmente à base de curtas-metragens que entram em várias partes da competição. “Coelho Mau” de Carlos Conceição e “Où En Êtes-Vous, João Pedro Rodrigues?” de João Pedro Rodrigues são dois dos grandes destaques. Para além de tudo isto, haverá, como é evidente, muitas outras atividades paralelas e outras secções como a competição In My Shorts ou a Hard Nights, por exemplo. Para mais informações, incluindo o horário das exibições, visita o site oficial do Queer Lisboa.

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Já agora, não te esqueças que, após terminarem as celebrações na capital, vai fazer-se no Porto a 3ª edição do Queer Porto. Podes encontrar abaixo, a programação completa do Queer Lisboa de 2017. Começa já a ver quais os títulos que mais te interessam e não percas a oportunidade de os veres durante o festival.

 

COELHO MAU de Carlos Conceição

 


PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO QUEER LISBOA ’17

 

NOITE DE ABERTURA:

  • God’s Own Country, Francis Lee

 

NOITE DE ENCERRAMENTO:

  • Mãe Só Há Uma, Anna Muylaert

 

COMPETIÇÃO LONGAS-METRAGENS:

  • As You Are, Miles Joris-Peyrafitte
  • The Beach House, Roy Dib
  • Beach Rats, Eliza Hittman
  • Close-Knit, Naoko Ogigami
  • Corpo Elétrico, Marcelo Caetano
  • Looping, Leonie Krippendorff
  • Los Objetos Amorosos, Adrián Silvestre
  • Pieles, Eduardo Casanova

 

COMPETIÇÃO DOCUMENTÁRIOS:

  • Abu, Arshad Khan
  • Au-Delà de l’Ombre, Nada Mezni Hafaiedh
  • Entre os Homens de Bem, Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros
  • Homogeneous, Empty Time, Thunska Pansittivorakul e Harit Srikhao
  • My Mother is Pink, Cecilie Debell
  • Small Talk, Hui-Chen Huang
  • The Strangest Stranger, Magnus Bärtås
  • Vivir y Otras Ficciones, Jo Sol

 

COMPETIÇÃO CURTAS-METRAGENS:

  • Calamity, Maxime Feyers, Séverine De Streyker
  • Coelho Mau, Carlos Conceição
  • The Colour of his Hair, Sam Ashby
  • Crianças Fantasmas, João Vieira Torres
  • Filme-Catástrofe, Gustavo Vinagre
  • Harding & His Camera, Rob Eagle
  • Heritage, Yuval Arahoni
  • Os Humores Artificiais, Gabriel Abrantes
  • Les Îles, Yann Gonzalez
  • My Gay Sister, Lia Hietala
  • Möbius, Sam Kuhn
  • Où En Êtes-Vous, João Pedro Rodrigues?, João Pedro Rodrigues
  • Phantom, Gonçalo Almeida
  • La Prima Sueca, Agustina San Martín
  • Reluctantly Queer, Akosua Adoma Owusu
  • Silêncios, Caio Casagrande
  • Superbia, Luca Tóth
  • Tailor, Calí dos Anjos
  • Vênus – Filó a Fadinha Lésbica, Sávio Leite
  • A Vez de Matar, A Vez de Morrer, Giovani Barros

 

COMPETIÇÃO DE FILMES DE ESCOLA EUROPEUS “IN MY SHORTS”:

  • Apollo, Loic Dimitch
  • Étage X, Francy Fabritz
  • Final Stage, Nicolaas Schmidt
  • Home, More Raça
  • It’s (Not) Just Another Party, Inês Alves
  • Loris Sta Bene, Simone Bozzelli
  • Projection sur Canapé, Violette Delvoye
  • Rute, Ricardo Branco
  • La Tapette, Ricky Mastro
  • Volcano Island, Anna Katalin Lovrity

 

COMPETIÇÃO QUEER ART:

  • Casa Roshell, Camila José Donoso
  • Craigslist Allstars, Samira Elagoz
  • Cuentos de Chacales, Martín Farina
  • A Destruição de Bernardet, Claudia Priscilla e Pedro Marques
  • Fluidø, Shu Lea Cheang
  • Introducing the Star: The Choir Girls’ Diaries, Pablo Esbert Lilienfeld e Federico Vladimir Strate Pezdirc
  • Occidental, Neïl Beloufa
  • Ulrike’s Brain, Bruce LaBruce

 

PANORAMA Longas-Metragens de Ficção:

  • 1:54, Yan England
  • Don’t Look at Me that Way, Uisenma Borchu
  • Foreign Body, Raja Amari
  • Quand on a 17 ans, André Téchiné

 

PANORAMA Documentários:

  • 100 Men, Paul Oremland
  • Être Cheval, Jérôme Clément-Wilz
  • Jewel’s Catch One, C. Fitz
  • Transit Havana, Daniel Abma

 

QUEER FOCUS – Shu Lea Cheang:

  • Brandon, Shu Lea Cheang
  • Coming Home, Shu Lea Cheang
  • Donna Haraway: Story Telling for Earthly Survival, Fabrizio Terranova
  • Fingers and Kisses, Shu Lea Cheang
  • Fisting Club, Shu Lea Cheang
  • Fluidø, Shu Lea Cheang
  • Fresh Kill, Shu Lea Cheang
  • I Am You Are High On Milk, Shu Lea Cheang
  • I.K.U., Shu Lea Cheang
  • Sex Bowl, Shu Lea Cheang, Jane Castle e Ela Troyano
  • Those Fluttering Objects of Desire, Shu Lea Cheang
  • Threesome from the Future, Fulvio Balmer Rebullida
  • Wonders Wander, Shu Lea Cheang

 

HARD NIGHTS:

  • Berlin Drifters, Koichi Imaizumi (Japan, Germany – 2017, 125’)
  • Colby Does America: California (7’) / Kansas (5’) / Maryland (4’) / South Carolina (3’) / New York (8’) / BC (5’) / Massachusetts (3’) / Virginia (4’) / Pennsylvania (7’) / Missouri (6’)
  • Coming Out of Space, Francy Fabritz
  • Enactone, Sky Deep
  • When We Are Together We Can Be Everywhere, Marit Östberg

 

QUEER POP 1 – George Michael: ver sem preconceito:

  • “I Want Your Sex” (Andy Morahan, 1987)
  • “Freedom 90” (David Fincher, 1990)
  • “Too Funky” (George Michael, 1992)
  • “Killer/Papa Was a Rolling Stone” (Marcus Nispel, 1993)
  • “Spinning the Wheel” (Vaughan Arnell, Anthea Benton, 1996)
  • “Roxanne” (Joanna Bailey, 1999)
  • “Freeek!” (Joseph Khan, 2002)
  • “Flawless (Go to The City)” (Jake Scott, 2004)
  • “An Easier Affair” (Jake Nava, 2006)
  • “White Light” (Ryan Hope, 2012)
  • “Outside” (Vaughan Arnell, 1998)

 

QUEER POP 2 – Brasil, século XXI: o canto da diversidade:

  • Jaloo, “Insight” (Jaloo, 2015)
  • No Porn, “Maiô da Mulher Maravilha” (Alex Girardi, Otavio Guarino, 2016)
  • Banda Uó, “Rosa” (Banda Uó, 2011)
  • Thiago Pethit, “Moon” (Heitor Dhalia, 2014)
  • Madblush, “Brasil” (Thiago Carvalho, 2016)
  • McLinn da Quebrada, “Enviadescer” (Isabela Ribeiro, John Halles, Thiago Felix, 2016)
  • Karol Conka (feat. Tropkillaz), “É o Poder” (Robério Braga, 2016)
  • MC Queer, “Fiscal” (Fernanda Weinfeld, 2016)
  • MC Xuxu, “Eu Fiz a Chuca” (Ana Cláudia Ferreira, Analu Pitta, Artur Duarte Souza, Dj Poty,
  • Guuh Green, Hanna Coller , Jhonatan Souza, Matheus Engenheiro, Matheus Vilas Boas,
  • Neto Bastos,
  • Paula Duarte, Rodrigo Medsan, Rojania Vieira, Stefani Oliveira, Wagner Emerich, Xuxú, 2016)
  • Gaby Amarantos, “Gemendo” (Tatiana Issa, Guto Barra, 2013)
  • DJ Boss in Drama (feat. Karol Conka), “Lista VIP” (Felipe Sassi, 2015)

 


 

Não percas a oportunidade de ir ao QueerLisboa’17. As festividades começam a 15 de setembro e duram até dia 23. 

 

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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