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The Righteous Gemstones | À conversa com Danny McBride & Cassidy Freeman

Os Gemstones já regressaram à HBO Portugal e a MHD teve a oportunidade de conversar com uma das duplas protagonistas: Danny McBride e Cassidy Freeman.

“The Righteous Gemstones” é definitivamente uma comédia a ter em conta do já vasto catálogo da HBO Portugal. Lançada em 2019, a série rapidamente se converteu num êxito da plataforma, tornando-se a melhor estreia de comédia da plataforma em três anos, destronando “Vice Principals”, de 2016.

Danny McBride (“Vice Principals”; “Eastbound & Down”), com quem a MHD teve o prazer de conversar, assina o guião, produção e alguns dos episódios deste fantástico original HBO, dando também vida a um dos protagonistas, o filho primogénito: Jesse Gemstone. E, não faria sentido falarmos de Jesse sem referirmos Amber Gemstone, a sua mulher, interpretada pela divertida Cassidy Freeman, que também participou nesta entrevista.

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Ao contrário da grande maioria das séries de comédia, “The Righteous Gemstones” é composta por episódios de cerca de 40-45min, que narram a história de uma família televangelista mundialmente famosa com uma longa tradição de desvio, ganância e trabalho de caridade. Se a primeira temporada foi a das apresentações, a segunda irá continuar a aprofundar esta família disfuncional que agora se vê assombrada por ameaças do passado (e também do presente), que desejam destruir o império criado por eles.

 

MHD: De onde veio a ideia para a segunda temporada? Especialmente para o passado duvidoso do Eli (John Goodman)?

Danny McBride: Sempre foi um bocado a minha ideia, que o Eli tivesse um passado mais duro. A Amy Le, a sua mulher, encontrou o sucesso mais cedo e sempre acabou por ser a bússola moral da família. Por isso, uma vez que ela já não está presente, os Gemstones têm de encontrar outra forma de negociar o seu funcionamento entre si. Cabe à personagem do John arranjar uma maneira de os liderar, e achei que adicionar esta camada ao Eli, um passado mais duvidoso, seria um elemento interessante para definir se esta família iria encontrar o seu caminho, ou, pelo contrário, ceder aos seus desejos mais profundos.

MHD: Quando a pandemia rompeu, vocês decidiram parar a produção da segunda temporada e voltar a reescrevê-la, porquê?

Danny McBride: Normalmente, escrevo em torno dos prazos. Mas existem sempre uma parte de mim mais perfeccionista que gosta de continuar a acertar pontos, por isso os temas desta temporada e a estrutura mantiveram-se os mesmos, apenas decidi mudar alguns dos arcos [narrativos] de sítio, e retirar por completo alguns enredos que guardei numa mala – espero que para a próxima temporada.

Os Gemstones: Kelvin (Adam Devine), Eli (John Goodman), (Edi Patterson), Jesse (Danny McBride), Amber (Cassidy Freeman) | © HBO Portugal

MHD: O Danny é escritor, realizador, produtor, ator em “The Righteous Gemstones”. Como aborda este desafio?

Danny McBride: Com muito café frio (risos). Sabe como é algo que simplesmente adoro fazer, nunca parece um emprego. É algo que estou muito grato e sortudo por poder participar tanto à frente, como atrás da câmara. Por isso, tento sempre que todos os que participam na série disfrutem também desse tempo, que se sintam igualmente empoderados.

MHD: Esta série é sobre uma família disfuncional, algo que todos nos conseguimos relacionar. Qual é o significado de família para vocês?

Cassidy Freeman: Para mim, a família é algo que nos faz sempre voltar. São um conjunto de pessoas que defendemos. Mesmo que discordemos deles, que não concordemos com as suas ideias, temos que continuar a aparecer, não podemos simplesmente abandoná-los. E, embora, estas personagens por vezes não estejam de acordo, não se deem bem e arranjem problemas uns aos outros, no final do dia eles estão lá uns para os outros porque são família e isso para mim é o coração. Eles estão juntos independentemente do que aconteça, e isso é como esta série, na minha opinião, define o conceito de família.

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MHD: Em Portugal, não temos esta cultura das ‘mega’ igrejas, quase que parece ser um aspeto particular da cultura americana. Tem alguma explicação para o porquê deste fenómeno ser (quase) exclusivamente americano?

Danny McBride: Bom, na realidade não sei. Mas o que é interessante é que esta série, o que está por debaixo do seu capot, são as premissas básicas e os princípios do capitalismo. É esta ideia de crescimento que se sobrepõe a tudo o resto, e foi isso que tornou interessante a ação decorrer no seio de uma família de uma mega igreja. Eles começaram cheios de boas intenções, mas o crescimento deste império acabou por se apoderar deles, e isso acabou por desviar a sua moralidade e por os fazer esquecer o que os levou a formar esta igreja. E isto forma a manta dos Gemstones, será que a jornada para se tornarem na maior igreja irá consumir as suas almas?

MHD: Pode-nos descrever um pouco os desafios dos Gemstones nesta temporada? Já vimos que existe um jornalista de volta da família e que existe um novo casal em cena.

Danny McBride: Sim, existe um jornalista que já derrubou outra importante família do ramo e que agora irá andar a rondar os Gemstones – e para quem já viu a série sabe que existem vários esqueletos por ali. Mas, em última análise, os Gemstones são o seu próprio pior inimigo. E sim, nesta temporada, existiram forças exteriores que ameaçam a dinastia.

The Righteous Gemstones
Kelvin (Adam Devine), o mais novo dos Gemstones, e Jesse (Danny McBride), o sucessor do império | © HBO Portugal

MHD: A Cassidy e a Edi Patterson são as únicas mulheres no seio dos Gemstones, como é que enfrentam este aspeto? 

Cassidy Freeman: A Edi é um ser humano muito especial, é a minha melhor amiga. Estou muito contente por a ter conhecido e acho que juntas trazemos para a mesa perspectivas ótimas sobre as mulheres dado que representamos duas muito diferentes. Podemos facilmente dizer que as mulheres estão no pano de fundo, mas com estas personagens conseguimos aprofundar como são as mulheres neste panorama. O desafio da irmã em tentar erguer-se e fazer parte do espetáculo. Do da mulher que é suposto estar calada e fazer o que o marido lhe diz. Mas, como é óbvio, elas encontram forma de defenderem uma à outra.

MHD: A Edi escreveu alguma cena em particular para a sua personagem?

Cassidy Freeman: Espero bem que sim! Mas acho que ela iria simplesmente ‘gozar’ comigo. Creio que é excelente que ela escreva para a série, é importante ter uma voz feminina e particularmente a voz da Edi. Ela é simplesmente uma mulher super talentosa e tem um sentido de humo que creio que todos admiramos e que é muito único.

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MHD: Como encontram o balanço entre o lado cómico e o mais sério da série?

Danny McBride: Se a série tem um impacto no espetador, é sinónimo de que significou algo para ele. Por isso é que por vezes fico desapontado com as ‘regras’ básicas da comédia. Quando era pequeno, muitas vezes ia ver uma comédia e sentia-me entusiasmado ao início do filme, ria-me e tal, mas passado uma hora já estava a olhar para o relógio porque sentia que a narrativa já não me puxava. O seu único propósito era fazer-me rir e pronto. E o que eu faço é tentar navegar por entre a comédia, ou seja, tento fazer rir, mas também procuro que as pessoas sintam algo, que embarquem numa viagem. As coisas mais vulgares ou nojentas que aparecem em “The Righteous Gemstones” são apenas uma espécie de camuflagem para surpreender as pessoas quando se apercebem que existe algo profundo também. Faz tudo parte do resultado final que queremos.

Cassidy Freeman: Desculpa interromper, ia só acrescentar que é também a forma como escreves estas personagens que são uns imbecis, mas que toda a gente adora. É porque são humanos e gostaria também de atribuir muito disso ao trabalho do Jody [Hill]. Acho que enquanto realizador, ele acerta em cheio nesses momentos e o facto de tu [Danny] e ele trabalharem juntos há tantos anos proporcionam pequenos episódios que realmente nos afetam porque são sobre pessoas.

As duas temporadas de “The Righteous Gemstones” já se encontram disponíveis na HBO Portugal. Já acompanhas esta família televanglista?

Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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