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De Ao Ritmo de Washington Heights a West Side Story | O que mudou na representatividade?

“Ao Ritmo de Washington Heights” é o novo musical que abre as portas do bairro para o mundo. Após 60 anos, comparando com o icónico “West Side Story” a pergunta paira no ar: o que mudou na representatividade cinematográfica?

Sem dúvida que as questões humanitárias têm ganho maior força com o passar dos anos. Felizmente existe hoje em dia e cada vez mais, uma maior consciência social relativamente à discriminação, seja ela racial, de género ou até mesmo religiosa. Esta aprendizagem que temos vindo a enraizar expressa-se de diversas formas, apelando sempre a uma máxima: somos diferentes, mas somos iguais. Sem olhar a nada mais do que talento e representatividade da cultura latino-americana, encontra-se “Ao Ritmo de Washington Heights”, respeitando as origens das personagens da adaptação da Broadway homónima, que data de 2005.

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Esta obra-prima relata-nos a vivência de um bairro Dominicano em Nova Iorque, onde somos automaticamente transportados para as características tão especiais e únicas deste mundo. Aos primeiros acordes dos ritmos latinos que fluem, vemos também a ambiguidade entre a humildade e o sangue na guelra, caracterizado no orgulho das origens e da hereditariedade. A lição de respeito que aprendemos ao assistir a este musical, agarra-nos desde o primeiro minuto e faz-nos acreditar que os sonhos estão bem presentes na nossa vida, ainda que com o stress do dia-a-dia nos esqueçamos muitas vezes daquilo que faz vibrar a nossa alma. E neste aspeto, Anthony Ramos (Usnavi), Melissa Barrera (Vanessa), Gregory Diaz IV (Sonny), Leslie Grace (Nina) e Corey Hawkins (Benny) representam-no bem, fazem-nos lembrar que para além de podermos ter os pés bem assentes na terra, não nos podemos esquecer de agarrar a vida pelo colarinho.

AO RITMO DE WASHINGTON HEIGHTS
©2021 Warner Bros. Ent. All Rights Reserved

Celebrando o que as origens latinas têm de melhor, a diversidade no elenco dá-nos a oportunidade de viajar sem sair da cadeira e melhor ainda, a quebrar as barreiras do preconceito que ainda existe e da qual alguns dos protagonistas são alvo, nos relatos que vamos ouvindo ao longo do filme. Nestes momentos, conseguimos sentir a dor e empatizar com ela, criando uma consciencialização maior daquilo que só ouvimos falar mas não vivenciamos. A magia do cinema também é isto, aliás, para mim uma das mais importantes, porque sem sairmos do nosso lugar, conseguimos visitar países e pessoas com experiências completamente diferentes, sejam elas ficcionadas ou não, trazem sempre à tona alguma realidade que merece ser destacada. Os “sueñitos” de todos nós ganham uma nova amplitude e por isso mesmo só podemos exaltar a excelente escolha do elenco para esta história cheia de cor e vida.

West Side Story
Tony Mordente, Tucker Smith, e Russ Tamblyn em “West Side Story” (1961) © Warner Bros.

Contudo, nem sempre assim foi e a realidade é que ao longo dos anos, a industria cinematográfica tem adaptado e evoluído no que à diversidade diz respeito. Há quase 60 anos atrás, num ambiente social onde ainda eram perpetuados alguns comportamentos pouco inclusivos, estreou “West Side Story”, também um musical que celebra a cultura latina, mas dominada por atores norte-americanos caucasianos no seu elenco. Natalie Wood (“Fúria de Viver”), George Chakiris (“As Donzelas de Rochefort”), Richard Beymer (“Twin Peaks”) ou Robert Banas (“Sempre”) são alguns exemplos disso, em oposição a Rita Moreno, por exemplo, natural de Porto Rico, que entrará na adaptação homónima em 2021. Apesar do claro sucesso, muitos têm sido os debates ao longo dos anos a sobre esta e outras produções que não procuraram representar as origens das personagens nos atores ou atrizes escolhidos para os papéis, contudo hoje em dia Hollywood está bastante diferente, como é suposto ser!

TRAILER | ASSISTE AO TRAILER DE “AO RITMO DE WASHINGTON HEIGHTS”, NOS CINEMAS!

Apesar de ainda existir um longo caminho a percorrer e conquistar neste campo, são produções como “Ao Ritmo de Washington Heights” que nos permitem acreditar que estamos efetivamente a caminhar para uma nova era cinematográfica, onde o talento e a representatividade são privilegiados.

Filipa Carvalho

Metade humana, metade geek, tudo culpa do meu avô que todas as semanas, à segunda-feira, me levava ao cinema à sessão da tarde no Fonte Nova. Depois vieram os vizinhos com as NES e as DreamCasts e o bichinho continuou. Adoro uma boa série de comédia que me faça rir, um filme de terror que me deixe assombrada para o resto do dia e um jogo que me tire o sono. Também faço Gameplays no YT e desabafo no Twitter onde... bem.... o que dizer? Vocês conhecem como funciona o Twitter

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