O vestuário de Rogue One | Darth Vader

Em Rogue One, o icónico Darth Vader regressa aos cinemas mundiais para aterrorizar audiências que, se calhar, nem reparam que o seu figurino foi alterado.

 


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Em 1977, conhecemos Darth Vader ao ver estonteados, como um impiedoso cavaleiro vestido de negro entrava à força no corredor branco de uma nave espacial que, depois de um ataque de stormtroopers, mais parece um cemitério. Agora, em 2016, reencontramos este icónico pesadelo num contexto completamente diferente.

rogue one star wars darth vader

Ao invés de um longo corredor em branco ofuscante, esta reintrodução situa-se no planeta Mustafar, onde, em tempos, Obi-wan Kenobi derrotou e mutilou o seu aprendiz Anakin Skywalker. Aí, numa fortaleza negra que parece saída diretamente do universo do Senhor dos Anéis (imaginem um mash-up das torres de Isengard e Mordor), encontramos uma sala escura, onde, no centro, se localiza um brilhante tubo de líquido esbranquiçado. Entre essas águas paradas está o corpo cadavérico do homem mais temido da Galáxia, que nunca antes pareceu tão frágil como nestes fugazes instantes, nem mesmo aquando da sua morte nos braços do filho.

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Depressa vemos essa fragilidade física ser obscurecida pela memorável armadura, que funciona simultaneamente para o proteger do exterior como do definhar natural do seu corpo desfeito. Nesta dicotomia entre vulnerabilidade e mortífera ameaça, o figurino de Darth Vader anuncia-se como algo mais que uma simples vestimenta a cobrir o corpo do ator. No caso desta figura, as suas roupas são a personagem.

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Na cena que se segue não há certamente nenhuma sugestão de fragilidade e, confrontado com o queixume patético de Orson Krennic, Vader usa o mesmo truque que, em Uma Nova Esperança, acabou com uma reunião aborrecida com arrogantes oficiais do Império. Essa superioridade é, como seria de esperar, também telegrafada pela relação entre os dois figurinos. Vader veste preto e a sua silhueta, definida por um pesado manto de lã e o seu inesquecível capacete de inspiração nipo-germânica, enquanto o seu parceiro de cena aparece com a cabeça desprotegida, envergando branco e uma capa de algodão que vai tremendo de forma inglória devido ao movimento do ator e às correntes de ar.

A imponência majestosa que Darth Vader transmite neste grande momento é ainda mais intensificada pelas mudanças que foram feitas ao design original do seu figurino. Verdade seja dita, todos os filmes do universo Star Wars apresentam um design ligeiramente diferente deste ícone de Hollywood, pelo que as alterações feitas em Rogue One não são o tipo de heresia que muitos dos mais fanáticos fãs da saga têm proclamado. A forma geral é tirada de Uma Nova Esperança, incluindo a couraça e os detalhes mecânicos do peito, mas o aspeto geral assemelha-se mais à versão polida e brilhante que foi só introduzida em O Império Contra-Ataca.

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Mesmo assim, as mais significativas diferenças podem encontrar-se na zona dos ombros e da virilha. No caso da primeira, temos aqui um notório uso de ombreiras que conferem a Vader uma silhueta muito mais severa e ameaçadora que a versão de 1977. Em termos dramáticos esta mudança faz sentido, especialmente quando comparado com Krennic, mas não deixa de ser uma leve incongruência (os cineastas defendem as suas escolhas anti-raccord, dizendo que não há qualquer razão para Vader não ter múltiplas versões da sua armadura). Em segundo lugar temos a coquilha que, por alguma inexplicável razão, parece estar muito maior e mais plana, para além de agora ser feita de um material mole ao invés de ser uma continuação da couraça rígida.

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Aquando da sua confrontação com Krennic a maioria desses detalhes perdem-se no dramatismo das sombras, pelo que nem vale a pena ter esses pormenores em consideração para o segundo grande momento de Vader em Rogue One. Sem querer revelar demasiados segredos e spoilers, o realizador Gareth Edwards criou aqui uma sublime homenagem à cena do corredor que introduziu esta personagem ao mundo. A diferença é que, no filme original, Darth Vader era uma figura passiva a caminhar por cima de um monte de cadáveres fumegantes, mas aqui é ele mesmo a fazer a carnificina, mergulhado nas sombras e apenas iluminado pelo sanguíneo escarlate do seu sabre de luz.

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Banhado em reflexos vermelhos e meio consumido pelas trevas enquanto impiedosamente mata rebelde atrás de rebelde, Vader vai para além de Krennic e a sua semelhança a um anjo da morte no prólogo de Rogue One. Dizemos isto pois, ao testemunhar um dos momentos mais violentos da saga Star Wars, Darth Vader veste a pele de uma verdadeira aparição demoníaca pronto a arrastar qualquer alma infeliz para o Inferno.

 


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Depois dos death troopers, de Orson Krennic e Darth Vader, vamos afastar a nossa análise de figurinos do vil poder das forças imperiais, para a Aliança rebelde e seus vários líderes. Na próxima página!

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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