© Uma Pedra no Sapato

Depois da RTP1 ter estreado há poucos dias o grande vencedor dos Prémios Sophia de 2025 “Grand Tour” (2024, Miguel Gomes), eis que a RTP2 nos surpreende com a estreia em canal aberto do grande vencedor dos mesmos prémios em 2026: “Banzo” (2024, Margarida Cardoso).

“Banzo” venceu 10 Prémios Sophia na passada sexta-feira 15 de maio numa cerimónia igualmente transmitida pela RTP2. Foi ainda a escolha de Portugal aos Óscares de 2026. Contudo, mais uma vez, ficou fora da lista dos nomeados. Trata-se de uma longa-metragem que retrata um estranho sentimento em África.

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Qual a narrativa de Banzo?

Banzo foi o grande vencedor dos Prémios Sophia
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A narrativa de “Banzo” decorre em 1907. No centro da ação está Afonso (interpretado por Carloto Cotta), um médico que recomeça a sua vida numa ilha tropical africana. Ali, Afonso tem o objetivo de curar um grupo de serviçais do “banzo”, um sentimento de nostalgia dos escravizados que os deixa incapacitados.

Com o “banzo” morrem dezenas deles, por inação ou por suicídio. Com receio de contágio, este grupo é enviado para um morro na floresta. Afonso segue-os para os tentar curar. Contudo, vai ser muito difícil compreender o que vai na alma destes enfermos.

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“Banzo” esteve nomeado para 14 Prémios Sophia, tendo vencido 10. Entre os 10 prémios destaca-se o de Melhor Filme, Realização, Argumento Original ou Banda Sonora Original. Podes consultar a lista completa dos vencedores aqui.

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Quando estreia o filme de Margarida Cardoso na RTP2?

A RTP2 surpreende os seus telespectadores com a estreia do mais recente filme da realizadora Margarida Cardoso. Assim, ao contrário de “Grand Tour” que demorou cerca de 1 ano a estrear na televisão pública, “Banzo” tem a sua estreia em canal aberto já este sábado 23 às 22h01. Ou seja, uma bela estreia em horário nobre, logo após a transmissão do “Jornal 2”.

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O elenco de “Banzo” é composto por atores como Carloto Cotta, Hoji Fortuna, Rúben Simões, Gonçalo Waddington, Sara Carinhas, João Pedro Bénard, Maria do Céu Ribeiro, Matamba Joaquim, Romeu Runa, Cirila Bossuet, entre outros. De relembrar que a última foi a vencedora do Prémio Sophia de Melhor Atriz Coadjuvante.

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Qual a opinião da MHD sobre Banzo?

Banzo
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Para a Magazine.HD “Banzo” foi o 2.º Melhor Filme Português de 2025, sendo apenas ultrapassado por “O Riso e a Faca” (2025, Pedro Pinho).

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Para além disso, para João Garção Borges na sua crítica, “Banzo” é um filme perfeito, com a classificação de 100%. O autor destaca: “Nunca saberemos com pormenor por que motivo um dos protagonistas de ‘Banzo’, o médico interpretado por Carloto Cotta, desembarcou em S. Tomé e Príncipe, mas saberemos o seu nome, Afonso (o doutor Afonso) e saberemos que antes estivera no Congo, provavelmente no Norte de Angola, no chamado Congo Português. Esta minha especulação a propósito do mencionado espaço angolano, felizmente, constitui algo que a realização de Margarida Cardoso nos permite. Esta nossa liberdade ou amplitude de interpretação cruza-se desde cedo com o pressuposto de a autora não nos dar mais do que a informação que precisamos saber.”

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Banzo nos Prémios Sophia
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Para além da nossa crítica, podes ainda ler na MHD uma entrevista exclusiva de José Vieira Mendes à realizadora Margarida Cardoso.

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“É uma história que começou a nascer na minha cabeça, que não é baseada em nenhum romance, mas sobre várias histórias que ouvi, quando preparava o ‘Understory’. Passei muito tempo nos arquivos de São Tomé e Príncipe, que na realidade são uma espécie de um espelho dos arquivos portugueses. (…) Estive muito tempo em São Tomé a ler muitas coisas, inclusive sobre as chegadas e as partidas dos navios, portanto, alguns com os nomes das pessoas. Às vezes havia os nomes de pessoas como, Maria Francisca, ou então a Senhora Dona Maria… Coisas que nos relacionam com uma sociedade que foi ali criada em São Tomé, tudo à volta das plantações de cacau e também de situações muito violentas.”, introduziu-nos Margarida Cardoso.

“Diz-se que Banzo vem de Mbanza. Em quimbundo mbanza, quer dizer ‘aldeia’ (casa). Portanto, eram as saudades de casa e por isso as pessoas suicidaram-se com essas saudades de casa. E daí nasceu esta ideia de criar esse universo onde os colonizadores ou as pessoas que têm determinado poder, têm de confrontar-se com algo bastante desarmante ou que não estavam habituadas a ver, que era terem à sua frente pessoas, com coragem suficiente para se matarem.”, complementou a realizadora.

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