A RTP2 volta a presentear os seus telespectadores com mais um belo filme. Neste caso, trata-se de uma longa-metragem vencedora do Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim em 2023. Vai, pois, estrear na televisão aberta “Sobre L’Adamant” (2023, Nicolas Philibert).
Nicolas Philibert é um reconhecido documentarista francês com um carreira com quase 50 anos – o seu primeiro filme é de 1978: “La voix de son maître”, em corealização com Gérard Mordillat. O seu filme mais conhecido será provavelmente “Ser e Ter” (2002), nomeado ao BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro. Contudo, foi em 2023 que o realizador ganhou o seu primeiro grande prémio até hoje: o Urso de Ouro. “Sobre L’Adamant” reflete sobre o uso da arte nos tratamentos de saúde mental.
Qual a narrativa de Sobre L’Adamant?

O documentário “Sobre L’Adamant” mostra-nos o quotidiano de um centro de dia único e original: o Adamant. Trata-se, pois, de um edifício flutuante, aberto em julho de 2010, onde se tratam problemas de saúde mental com diálogo e arte.
O Adamant situa-se nas margens do rio Sena, mesmo no coração de Paris. Acolhe adultos com problemas mentais num ambiente de cuidado que os ajuda a ligarem-se de novo com o mundo e a recuperarem o seu ânimo. A equipa deste centro resiste o máximo possível à degradação e desumanização da psiquiatria.
“Sobre L’Adamant” convida-nos, portanto, a embarcar e a conhecer pacientes e profissionais de saúde neste seu dia-a-dia.
Quando estreia o filme na RTP2?
O documentário premiado “Sobre L’Adamant” tem, pois, estreia marcada na RTP2 para terça-feira 16 de junho às 22h48. Ou seja, logo após a transmissão da série “Os Crimes de Sommerdahl” (2020-, Lolita Bellstar).
A saber, no elenco deste documentário estão os doentes e a equipa de cuidadores do Centro de Dia L’Adamant como Mamadi Barri, Walid Benziane, Sabine Berlière, Romain Bernardin, Charafdine Bouzaraa, Linda De Zitter, François Gozlan, Jean-Paul Hazan, Pauline Hertz, Érik Ménard, entre outros.
Sobre L’Adamant nas palavras de Nicolas Philibert

Nicolas Philibert partilhou alguns comentários com a imprensa a propósito de “Sobre L’Adamant”.
“Ouvi falar do Adamant pela primeira vez há cerca de quinze anos, quando ainda era apenas um projeto. Na altura, a psicóloga clínica e psicanalista Linda de Zitter, com quem mantenho uma relação muito próxima desde as filmagens de “La moindre des choses” em 1995 na clínica psiquiátrica La Borde, participou na aventura estimulante que foi a sua criação: durante meses, pacientes e cuidadores reuniram-se em torno de uma equipa de arquitetos para lançar as bases. E o que inicialmente era apenas um sonho utópico acabou por se tornar realidade”, começou por referir o realizador.
Apesar de já ter realizado anteriormente um filme no meio psiquiátrico, Nicolas Philibert lançou-se neste novo projeto: “Sempre estive muito atento e profundamente ligado ao mundo da psiquiatria. Um mundo que é ao mesmo tempo inquietante e, arrisco dizer, muito estimulante: faz-nos refletir constantemente sobre nós próprios, sobre os nossos limites, as nossas falhas, sobre o funcionamento do mundo. A psiquiatria é uma lupa, um espelho que revela muito sobre a nossa humanidade. Para um cineasta, é um campo inesgotável.”
Por fim, podes ler a entrevista completa com o realizador (em francês) aqui.

