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Eurovisão 2022 em Turim | Entrevista a Sam Ryder do Reino Unido

Estivemos à conversa com Sam Ryder, o representante do Reino Unido na Eurovisão 2022 em Turim, que ficou em 2º lugar. 

Sam Ryder era um dos favoritos à vitória no Festival Eurovisão da Canção 2022 que decorreu na semana passada em Turim, na Itália. Não ganhou, mas acabou no segundo lugar, a melhor posição do Reino Unido no certame desde 1997. Aliás, o cantor ganhou mesmo o voto do júri dos 40 países com 283 pontos, finalizando com 466 pontos. A Magazine.HD teve oportunidade de falar com o artista ainda antes da atuação na Grande Final da Eurovisão, mas não é tarde para leres e ouvires o que tem a dizer este talentoso artista que já conquistou a Europa.

Sam Ryder na Eurovisão 2022

Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, em que o Reino Unido não teve qualquer sucesso na Eurovisão (em 2021 teve 0 pontos), a edição deste ano serviu praticamente de redenção para o país. Tudo acontece com “SPACE MAN“, uma música com enorme sucesso que nos levou numa viagem pelo espaço. Foi um momento bonito e extravagante de homenagem ao passado e artistas como Elton John, David Bowie e Freddie Mercury que fizeram do panorama musical britânico aquilo que é hoje. “SPACE MAN” é um hino à liberdade, mas também uma canção que nos faz pensar mais no presente, do prazer que encontramos nas mais pequenas e simples coisas. Em “SPACE MAN” viajamos para outros mundos, ao mesmo tempo que somos chamados para o nosso planeta e para a sua beleza.

Nascido a 25 de junho de 1989, Sam não é uma cara estranha do público britânico, nem sequer do português. A sua conta de TikTok tem mais de 12 mil seguidores e certamente essa grande massa terá torcido pelo artista na ESC 2022. Inclusive, foi Sam que tentou animar britânicos durante o primeiro confinamento e foi também graças ao seu sucesso de há mais de 1 ano que conseguiu o passaporte para a Eurovisão 2022 em Turim.

A música que colocou no palco do Pala Olimpico serve de agradecimento ao público, uma forma de entendermos que os maus momentos e tudo aquilo que corre menos bem nas nossas vidas pode ser combatido com melodia, com amor e com otimismo. Essa é a sua maior arma e é também uma das razões pelas quais existe um festival de música tão impactante como a ESC. Vejamos o que Sam Ryder tem a dizer sobre o festival.

Sam Ryder na Turquoise Carpet da Eurovisão 2022 © EBU / ANDRES PUTTING

MHD: Como e quando escreveste “SPACE MAN”?

Sam Ryder: Foi mais ou menos há um ano e meio atrás, num estúdio em Londres. Não sei se alguma vez te apercebeste disso, mas basicamente os autores de músicas perdem um fim de semana completo ou mais a escrever algo novo. O caso de “SPACE MAN” foi diferente. Esta foi a minha primeira oportunidade de trabalho depois do confinamento, em que tive a possibilidade de conhecer a Amy Wadge e o Max Wolfgang e depois de apenas 10 minutos, sentados ao piano, tivemos a ideia desta canção. Foi mágico e nem me lembro bem do que aconteceu naquele dia! Acho que tivemos muita sorte.

MHD: Alguma vez quiseste ser astronauta?

Sam Ryder: A 100%. Quando era pequeno, era a única coisa que queria ser. Lembro-me dos cartazes no meu quarto, relacionados com aliens, meteoritos e naves espaciais. Sabes aquele momento na vida em que és suficientemente maduro para ter o sonho daquilo que queres ser quando fores grande? Para mim era ser astronauta e é giro escrever uma canção sobre isso.

Sam Ryder

MHD: Sentes que a Humanidade está a perder a sua conexão com o Planeta Terra?

Sam Ryder: Tentei não focar-me naquilo que eu gosto de chamar a glória dos bons velhos tempos. Para mim, cada era e cada época tem os seus bons tempos. Eu não quis pensar que estamos a perder a conexão com alguma coisa. Penso que estamos numa trajetória positiva, estamos constantemente a aprender.

Acho que a consciência global deveria seguir por essa linha. Obviamente existem novos problemas e novos obstáculos que te aparecem à frente. Isso vai ser existir, porque o paraíso não existe. Ainda existem pessoas que pensam que vão viver na Era de Aquário, onde tudo é perfeito. Para mim será sempre uma jornada. É o que significa ser humano, não é? A forma como lidas com as coisas boas é um balanço com aqueles minutos em que as coisas foram mais complicadas.

MHD: Como foram os últimos ensaios para a tua performance em palco?

Sam Ryder: Foram muito divertidos porque conseguimos ver as peças do puzzle a juntarem-se. Nós ainda temos algumas surpresas reservadas, mas é basicamente aquilo que teremos na Grande Final no próximo sábado.

Sam Ryder
Sam Ryder num dos ensaios para a Eurovisão 2022 © EBU / CORINNE CUMMING

MHD: Como é que os britânicos se sentem em relação à Eurovisão?

Sam Ryder: Não estou em casa neste momento e não consigo ser muito específico. Espero que as pessoas se sintam otimistas e entusiasmadas. Com o bom tempo que está a fazer no Reino Unido, as pessoas estarão mais motivadas. Gosto de pensar que as pessoas estão a planear as suas pequenas festas, que estão prontas a convidar aqueles que mais amam para aproveitar este evento. Quero que regressem àquela magia que caracteriza o festival da Eurovisão.

Mesmo quem não está confiante em relação ao concurso, deveriam dar uma oportunidade porque é mesmo bom. Eu acredito que a vida seja demasiado curta para não aproveitarmos alguma coisa tão louca como a Eurovisão.

MHD: E como é que a tua música representa uma certa cultura britânica?

Sam Ryder: Existirá um som clássico relacionado com o Reino Unido na minha canção. Nomeadamente vindo da época dourada. Ora cá estou eu a falar de uma época dourada! (risos).

Acho que existe uma conexão com o Freddie Mercury, com o Elton John ou o David Bowie, que serão a Santíssima Trindade desse som mais clássico. Estou a tentar homenageá-los, mas sem romantizar o passado. Estou simplesmente a prestar homenagem mas nos dias do nosso presente. Um som extraordinário!

Sam Ryder é fã de Elton John

MHD: Tu és um artista de TikTok, quais são as canções e artistas que preferes fazer covers?

Sam Ryder: É muito difícil para mim enunciá-las, pois depende essencialmente do meu estado de espírito. Depende do dia, do cheiro que está no ar ou de algo completamente inesperado que me faça pensar numa canção.

Talvez os covers que fiz durante o confinamento sejam as minhas músicas preferidas! Se fosse para levar alguma delas para uma ilha deserta escolheria talvez os Iron Maiden, Queen ou o Stevie Wonder. Não sei mesmo mais, porque eu adoro tantas. Nos últimos tempos, tenho apreciado os mais distintos estilos musicais como ópera que me deixa totalmente zen!

MHD: Conheceste outros artistas que estejam em concurso este ano?

Sam Ryder: Aqui em Turim não, porque existe um programa muito específico que deve ser cumprido à letra. Todos os artistas estão na sua bolha, mas de certo modo isso só mostra o quão importante são as festas que antecedem a Eurovisão. Nesses dias tens a oportunidade de contactar com os restantes artistas envolvidos.

Isso é importante, porque as pessoas que deram a cara para participarem na Eurovisão merecem respeito e admiração ao decidirem atuar diante de milhões de pessoas. Isto é tão grande! Conhecer os artistas foi algo especial.

Sam Ryder

MHD: O que gostarias de dizer aos teus fãs?

Sam Ryder: Particularmente para os meus fãs de Portugal eu gostaria de dizer que na próxima vez que vos visitar espero que as ondas sejam melhores. A última vez que aí estive as ondas estavam terríveis e podemos fazer surf todos juntos! Obrigado ainda pelo apoio não só durante a Eurovisão, mas durante todos os meses em que estivemos em confinamento e partilharam os meus vídeos do TikTok com os vossos amigos e familiares.

Obrigado pelas mensagens que deixaram nos comentários, afinal sem elas não poderia estar cá sentado. Nunca mais me esquecerei disso e estou ansioso por vos voltar a visitar. Quero deixar o meu obrigado do fundo do meu coração. Um grande abraço para todos em Portugal! Amo-vos!

Entrevista a Sam Ryder (com vídeo)

A entrevista a Sam Ryder aconteceu no sábado dia 7 de maio, precisamente uma semana antes da Grande Final da Eurovisão 2022. 

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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