Há mais de 130 anos que o nome Lizzie Borden está associado a um machado, a um julgamento mediático e a uma pergunta que nunca chegou a ter resposta definitiva.
A partir desta quinta-feira, 17 de setembro, a Netflix disponibiliza os oito episódios de “Monstro: A História de Lizzie Borden“, a quarta parte da antologia de Ryan Murphy e Ian Brennan sobre assassinos reais. É a primeira a colocar uma mulher no centro da história.
Não será, portanto, surpreendente que nos próximos dias chegue ao primeiro lugar das mais vistas tanto em Portugal como a nível global.
Em 1892, na pequena cidade de Fall River, em Massachusetts, Andrew Borden e a sua segunda mulher, Abby, foram encontrados mortos a golpes de machado dentro da própria casa.
A filha de Andrew, Lizzie, tornou-se rapidamente a principal suspeita, num julgamento que dividiu a opinião pública norte-americana e que continua, ainda hoje, sem uma resposta consensual sobre a sua culpa ou inocência.
Uma jovem reprimida pela educação vitoriana
Quem dá vida a Lizzie é Ella Beatty, filha de Warren Beatty e Annette Bening, numa das primeiras grandes protagonistas da sua carreira depois de ter trabalhado com Ryan Murphy em “Feud: Capote vs. The Swans”.
O elenco conta ainda com Charlie Hunnam como Andrew Borden, Rebecca Hall como a madrasta Abby, e Vicky Krieps no papel de Bridget “Maggie” Sullivan, a empregada da família que, na ficção, acaba por influenciar Lizzie a cometer o crime.
Sarah Paulson surge também na série como a assassina em série Aileen Wuornos, uma aparição que não é histórica, já que as duas mulheres nunca coexistiram, mas que Ryan Murphy justifica como parte do fio temático da série sobre a raiva feminina ao longo do tempo.
A crítica
O The Guardian atribuiu apenas duas estrelas em cinco, descrevendo a série como um “delírio insano e quase fetichista”. Lucy Mangan, a crítica, lamenta que, apesar de boas interpretações, sobretudo de Rebecca Hall, a produção nada tenha a dizer sobre Borden ou a época que a moldou.
Já a Variety foi mais generosa, elogiando Ella Beatty numa interpretação cativante e destacando o tom vibrante com que a série aborda o crime, ainda que reconheça que a verdade histórica é distorcida ao longo dos episódios.


