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Sundance 2022 | Brian and Charles, em análise

Fãs de “After Life”, de Ricky Gervais, reconhecerão David Earl como um ator capaz de entregar prestações verdadeiramente cómicas. O último é provavelmente uma das principais razões pelas quais tantos espetadores estão a adicionar “Brian and Charles” à sua lista de visionamentos. No entanto, a premissa simplista, mas interessante, é suficiente para convencer qualquer um a dar uma hipotese (merecida) a este filme.

Brian and Charles
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Baseando-se na sua curta-metragem com o mesmo título, Earl e Chris Hayward – que também interpretam os dois protagonistas – estendem a sua história original para um argumento de longa-metragem, realizado novamente por Jim Archer. Esta peça tão bonita de cinema tem tudo para se tornar uma das maiores surpresas desta edição do Sundance Film Festival.

Honestamente, “Brian and Charles” não tem nada de negativo a apontar. É difícil encontrar uma grande falha. O seu conceito não é particularmente novo, nem a sua história é totalmente única no sentido de que os espetadores não irão testemunhar algo que nunca viram antes. No entanto, executa lindamente tudo o que se propõe a fazer. Earl oferece uma prestação hilariante, mas também mostra um tremendo potencial dramático para papéis futuros. O ator encarna a autenticidade do seu personagem, Brian, e cria uma conexão tão genuína com o robô com a voz de Hayward, Charles, que é impossível não sentir compaixão por uma pessoa solitária, trabalhadora e inventiva.

Hayward oferece uma excelente performance vocal, sendo uma das principais fontes de algumas gargalhadas. Na verdade, “Brian and Charles” promete ser um dos filmes mais engraçados do início de 2022, além de ser incrivelmente cativante e emocionante. A comédia encontra-se no ponto durante todo o tempo de execução. Ainda assim, não importa o quão forte ou com que frequência o público se possa rir, acaba por ser a história bonita, adorável e agradável sobre amizade verdadeira e conexão humana que conquista o coração da audiência. O maior sucesso de Archer, Earl e Hayward é conseguir tornar a relação entre os dois protagonistas tão real que os espetadores podem realmente esquecerem-se que um deles é um robô.

Tecnicamente, “Brian and Charles” também possuem atributos surpreendentes. A cinematografia simplista e documental de Murren Tullett permite alguns fourth-wall breaks divertidos e vários planos deslumbrates de País de Gales, ao passo que as escolhas musicais inteligentes fornecem uma camada extra de entretenimento. Em relação a este último elemento, por favor, não se esqueçam de ficar para os créditos finais para desfrutarem de um dos momentos mais engraçados de todo o filme.

Sundance 2022 | Brian and Charles, em análise
Sundance Film Festival

Movie title: Brian and Charles

Movie description: An endearing outlier, Brian (David Earl) lives alone in a Welsh valley, inventing oddball contraptions that seldom work. After finding a discarded mannequin head, Brian gets an idea. Three days, a washing machine, and sundry spare parts later, he’s invented Charles (Chris Hayward), an artificially intelligent robot who learns English from a dictionary and proves a charming, cheeky companion. Before long, however, Charles also develops autonomy. Intrigued by the wider world - or whatever lies beyond the cottage where Brian has hidden him away - Charles craves adventure.

Date published: 23 de January de 2022

Country: Reino Unido

Duration: 90'

Director(s): Jim Archer

Actor(s): David Earl, Chris Hayward, Louise Brealey, Jamie Michie, Lowri Izzard, Mari Izzard

Genre: Comédia, Sci-Fi

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  • Manuel São Bento - 80
80

CONCLUSÃO

“Brian and Charles” definitivamente terminará como uma das histórias mais emocionantes, engraçadas e agradáveis de todo o ano. Jim Archer agarra no argumento original de David Earl e Chris Hayward e utiliza as suas prestações extraordinárias e hilariantes para dar vida a uma narrativa sobre amizade verdadeira e conexões humanas autênticas. O humor leve obriga consistentemente o público a soltar gargalhadas fortes e explosivas, seja por meio de interações genuinamente repletas de humor entre os dois protagonistas ou através de comédia física e uma seleção de músicas brilhante. Pode não ser conteúdo nunca antes visto ou tão inovador como esperado, mas consegue entregar uma história memorável, cheia de entretenimento e sincera com uma bela mensagem. A não perder!

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Manuel São Bento

Um jovem engenheiro de 28 anos com uma paixão tremenda por cinema, televisão e a arte de filmmaking. Opiniões baseadas numa perspetiva imparcial de quem não vê trailers desde 2016. Membro de associações de críticos internacionais como GFCA, IFSC e OFTA. Aprovado no Banana Meter. Redes sociais através de @msbreviews.

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