Foals, por Drew de F Fawkes, via Wikimedia Commons

Super Bock Super Rock 2022 | Melhores e Piores Momentos

Depois da incrível proeza de montar um festival de três dias em dois, é a vez de escolher os melhores concertos do Super Bock Super Rock.

Faltavam dois dias para o início do festival, quando a Proteção Civil, em conjunto com outras autoridades competentes, deram parecer negativo em relação ao espaço do evento, na Herdade da Cabeço da Flauta, no Meco. A vaga de calor obrigou o Governo a tomar medida, decretando Plano de Contingência. Além do Super Bock Super Rock, a concentração motard de Faro também teve de sofrer alterações.

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Do Meco para o Parque das Nações, a promotora Música no Coração fez o possível (e o impossível) para trazer o festival de verão ao público. Dentro das circunstâncias, quem por lá passou, não notava que o recinto do festival tinha sido montado em 2 dias, com todas as áreas devidamente dívidas e sinalizadas. Havia menos bancas e ofertas gastronómicas mas por culpa do espaço, que não permitia mais.

Com um dos palcos localizados no exterior, os festivaleiros começaram a concentrar-se nessa área, ao som do primeiro concerto do Super Bock Super Rock. Aberto pelo jovem músico Luís Fernandes, a sua música alegre deixo o público menos tímido. Antes de passar para o palco principal, o Conjunto Cuca Monga, composto por integrantes dos Capitão Fausto, Ganso, entre outros artistas, despertou o público de vez. Com um palco à Arcade Fire, ou seja, repleto de músicos, era impossível não replicar os movimentos de dança dos mesmos. Da melhor maneira possível, o público tentava cantar de volta as canções, até que chegou “Tou na Moda”. Durante essa música, ninguém ficou indiferente, e ficaram até ao último segundo antes de se mudarem para o palco da Altice Arena.

O palco principal foi aberto pelo rapper português T-Rex, com a sua boa disposição, foi um concerto sólido. Contudo, maioria do público esperava por dois nomes, Metronomy e A$AP Rocky. A banda britânica foi a primeira a entrar em palco, com a sua música que traz o melhor da sonoridade do pop dos anos 80. Com várias passagens por Portugal, o público já sabia o que iria esperar, e como é habitual, Metronomy não desiludiu. Com “Resevoir”, “Salted Caramel Ice Cream”, “The Look”, entre outras músicas, o concerto foi um convite para dançar.

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Chegou a vez do cabeça de cartaz, com o público ao rubro mesmo antes do A$AP Rocky pisar o palco. Com um ligeiro atraso, muito por culpa do enorme boneco insuflável que ainda estava a encher, o rapper norte-americano apresentou-se com uma indumentária que fazia lembrar uma avó, provavelmente influenciado pela sua música “Babuska Boi”. No início do concerto, A$AP Rocky explicou que estava a meio gás, dado que sentia-se doente, mas isso não o fez baixar os braços. Um espetáculo de luzes, fogo e fumo, em conjunto com os êxitos “Praise the Lord”, “Sundress”, entre outros. A meio das músicas, o rapper pedia (com alguma insistência) para o público “abrir” moshpits. Houve ainda tempo para um momento peculiar, com uma partida de pedra papel ou tesoura entre um fã e o rapper. Estava quase a esgotar-se o tempo, e A$AP Rocky nunca parou quieto. Contudo, o concerto ficou para segundo plano, sobrepondo-se o espetáculo visual.

Chega o segundo dia, com uma “historia” semelhante ao dia anterior. Samuel Úria e Silva destacaram-se no Palco EDP e não desiludiram. Contudo, os destaques do dia estão no palco principal. C. Tangana encheu a Altice Arena, com um público ao rubro. Com êxitos como “Tú Me Dejaste De Querer” e “Ateo”, trouxe os ritmos latinos que colocavam qualquer pessoa a dançar. Além disso, o músico espanhol colocou uma mesa em palco e encenou um momento musical extraordinário, onde o ritmo era (quase) palpável. Contudo, e no lado oposto, está DaBaby. Com uma reputação envolta em polémicas, o rapper norte-americano chega ao Palco Super Bock da pior maneira. Ou seja, com quase uma hora de atraso, DaBaby desilude com apenas meia dúzia de músicas na setlist. Pelo meio, nos únicos momentos de “interação” com o público, pedia para abrirem moshpits. No final, foi uma hora e meia que se passou mas sem se passar nada de interessante.

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O melhor fica para o final, e foi isso que aconteceu no último dia do Super Bock Rock. No Palco EDP, os Ganso abriram de forma sólida e convincente. Com uma melodia semelhante ao Conjunto Cuca Monga (da qual também fazem parte), tocaram “Não Te Aborreças”, “Gino (o menino bolha), entre outras. Para percebermos quão animado foi o concerto, houve tempo para um pequeno crowdsurfing, com um elemento convidado da banda a fazer as honras (e a festa). Contudo, o destaque foi para Declan McKenna. Em palco, encontramos um músico elétrico, que corria de um lado para o outro, pulava e dançava. Dentro dos possíveis, o público replicava alguns movimentos, em conjunto com várias salvas de palmas. Como seria de esperar, o ponto alto do concerto foi “Isombard” e “Brazil”. Durante esse período, o chão estremecia porque ninguém parava de saltar.

Um pouco ao lado, no Placo Super Bock, estavam prestes a atuar os Capitão Fausto, acompanhados do maestro Martim Sousa Tavares e respetiva orquestra. De todos os concertos deste dia, foi o único que podia ter sido muito mais do que foi. Ou seja, o público estava à espera da energia que caracterizava a banda, mas com a orquestra a acompanhar, o ritmo e ambiente foi outro. Só na última música, é que tivemos uma amostra de um verdadeiro concerto dos Capitão Fausto, com a música “Santa Ana”, do álbum de estreia Gazela (2011). Qualquer das maneiras, é sempre um prazer ouvir os êxitos da banda.

Chegou a vez de Foals, e com eles, o melhor concerto do festival. E para quem diz que já não há rock no Super Bock Super Rock, de certeza que não estava neste concerto. Do início ao fim, era impossível não abanar a cabeça, até que acerto momento uma área do público abriu um moshpit, e nunca mais parou até ao final do concerto. Um pouco mais à frente, na frontline, estavam os verdadeiros fãs da banda, que retribuíam a energia que os Foals transmitiam. Com excelentes momentos de interação, e com músicas como “My Number”, “Mountain at My Gates”, foi um concerto memorável.

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Dentro das circunstâncias, melhor era impossível, sobretudo na parte que diz respeito à promotora. Por outro lado, os artistas também tiveram à altura, com concertos de grande qualidade, tirando (obviamente) os casos descritos. No final de contas, não é por acaso que o festival conta com 26 edições.

TRAILER | A REALIZAÇÃO HERÓICA DO SUPER BOCK SUPER ROCK

O que achaste da mudança de local? Estavas lá? Para ti, qual foi o melhor concerto? 

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