O arranque bombástico do concerto dos Imagine Dragons no NOS Alive 2022 |©David Passos/MHD

NOS Alive 2022 | A festa intergeracional de Imagine Dragons

O último dia do NOS Alive 2022, 9 de de julho, sábado, foi o grande marco para as famílias, as quais afluíram ao recinto para uma tarde (e noite) de música capaz de tocar várias gerações. Se o grande regresso dos Da Weasel provocou, em muitos, a nostalgia da adolescência, a nova visita de Imagine Dragons mostrou, uma vez mais, que o grupo é transversal no seu alcance. 

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Depois da tão antecipada reunião de Da Weasel, que esteve anos na calha e que muito provavelmente irá dar origem a novos concertos no futuro, como o grupo entretanto já sugeriu, o recinto continuou bem repleto neste dia em que Da Weasel e Imagine Dragons competiam pela transversalidade de públicos que cada nome puxava.

O espetáculo de Image Dragons iniciou-se já pelas 23h10, mas ainda eram muitos os núcleos familiares que por aqui se encontravam – do início ao final do concerto. Todos eles, dos adolescentes aos membros da audiência na casa dos 50, passando pelas crianças, que sabiam as letras dos muitos singles de Image Dragons de cor, se divertiam com a energia contagiante desta festa da pop rock.

A banda, oriunda de Nevada, nos EUA, como rapidamente o ‘frontman’ identificou em palco, já tem uma tradição significativa de visitas a solo português. O grupo, composto pelo vocalista Dan Reynolds, pelo guitarrista Wayne Sermon, pelo baixista Ben McKee e pelo baterista Daniel Platzman, está ativo desde 2008 e lançou em 2012 o seu álbum de estreia “Night Visions”, que os tornou desde logo grandes referências da pop rock. Em junho de 2013, esgotaram o Coliseu dos Recreios na sua primeira vista a Portugal e deram um concerto verdadeiramente memorável para o público jovem que se concentrou na arena.

A 9 de julho de 2022, Dan Reynolds fez alusão a este primeiro espetáculo por cá dizendo que tinham tocado há uma década para “algumas centenas de pessoas” e que agora tinham a honra de se apresentar perante uma enorme multidão no NOS Alive (mais de 50 mil pessoas). Na realidade, foram bem mais que algumas centenas mas, não obstante, a verdade é que os Imagine Dragons foram capazes de atingir, ao longo desta década de banda, um público cada vez mais amplo. As suas canções são para lá de radiofónicas e, single após single, álbum após álbum (já vão em cinco com o mais recente “Mercury”, lançado em duas partes em 2021 e 2022), a banda continua a conquistar novos fãs.

Imagine Dragons a 9 de julho de 2022
©David Passos/MHD

Muitos puristas criticam os Imagine Dragons devido aos seus refrões que dependem excessivamente da repetição, apontando também o dedo ao alegado excesso de influências que concentram na sua música. Da pop rock à pop mais eletrónica, passando pelo puro pop, pelo indie pop, pelo alt-rock ou ainda pelo curioso género da arena rock (ou rock melódico/ dad rock – sim, vimos muitos pais bem felizes entre a multidão), os Image Dragons identificam-se a eles próprios como “desprovidos de género musical fixo”, como consta no seu próprio website.

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Ora, a sua ideia é a da criação musical sem limites e, embora a sua sonoridade seja muito elástica e variável, na realidade o grupo tem um som reconhecível e, ao longo de todo o espetáculo, que se fez compor por 18 músicas ao longo de cerca de hora e meia, não deixámos de identificar um som característico a esta banda norte-americana.

Com um alinhamento que foi oscilando entre hits do passado e o mais recente disco “Mercury”, os Imagine Dragons agarraram a multidão logo na primeira música – “It’s Time” – o single de lançamento de “Night Visions” e que, diga-se de passagem, não envelheceu nada mal, antes pelo contrário. Com uma batida que deixa o ritmo da bateria entrar pelo peito a dentro, uma letra que puxa pelos ânimos e uma chuva de confetti a fechar desde logo a primeira canção, a energia começou logo em altas e assim continuou com “Believer”, a música de lançamento do seu terceiro disco – “Evolve”.

Em tempos, os Imagine Dragons apresentaram-se em palco com muitas baterias e instrumentos de percussão, alguns deles gigantes e bem sonantes. Hoje, a sua prestação ao vivo perdeu essa vertente, mas mantém-se o nível de energia elevado e contagiante. A mais antiga “Amesterdam” ainda foi capaz de sacar uma reação efusiva e, entre outros, os singles “Natural”, “Demons” ou “Radioactive” (que fechou o alinhamento) foram capazes de levar milhares ao auge.

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A música “It’s Ok”, de “Mercury”, não sendo particularmente poderosa do ponto de vista instrumental ou lírico, serviu uma função muito nobre. Foi enquadrada com um belo discurso sobre a importância de não ceder à pressão societária para partir em busca de uma suposta normalidade. A canção, que pretende desmistificar matérias relacionadas com saúde mental, foi dedicada aos mais novos, às crianças na audiência, que têm o futuro pela frente e nunca devem deixar de defender a sua autenticidade. A música toca também em matérias de aceitação junto da comunidade LGBTQIA+, especialmente mais jovem, um tema abertamente muito querido à banda.

Dan Reynolds no NOS Alive 2022
Dan Reynolds na última edição do NOS Alive |©David Passos/MHD

Dan Reynolds, como um carismático líder de banda e ótimo motivador de multidões, apresentou ainda um outro momento belo que certamente ficará na memória dos festivaleiros e festivaleiras que neste dia se encontravam no NOS Alive. Antes do apogeu, fechando com uma poderosa “Radioactive”, Dan entoou, com um registo vocal certeiro e confiante, e de bandeira da Ucrânia no braço, “Forever Young”, dos Alphaville, dedicando o tema de 1984 às crianças que estão a sofrer numa guerra que “decorre em pleno 2022“. Este tipo de declarações musicais de apoio têm vindo a tornar-se cada vez mais presença assídua em concertos, mas nunca é demais recordar os flagelos que assolam o nosso planeta e os quais não podem cair no esquecimento.

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Os Image Dragons já não pisavam solo português desde 2018 e o seu regresso foi muito bem-vindo pelo público do NOS Alive. Para quando uma nova data em nome próprio? 

Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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