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Passados quatro longos anos desde a sua primeira temporada, “The Terminal List” volta a conquistar o público da Prime Video e a demonstrar porque é um dos originais da plataforma com melhor recepção. A adaptação da obra literária de Jack Carr está finalmente de regresso ao streaming e sim, finalmente. Afinal de contas, foi um hiatus longo e que sentimos logo nos primeiros minutos de arranque do episódio, ao obrigar-nos a um esforço de memória para repescar as pontas soltas e as ramificações de conspiração que fecharam a primeira temporada. Não obstante, assim que encontramos o fio condutor, esta segunda temporada, inspirada no livro “True Believer” (2019), mostra-se exímia em capturar a atenção de todos, mergulhando sem rodeios nas questões centrais da histórias e levando-nos rapidamente para uma teia profunda de intrigas e operações no seio da Agência.

The Terminal List
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Chris Pratt regressa ao papel principal e volta a provar que possui estofo para carregar personagens de enorme densidade dramática. Longe da vertente cómica que o celebrizou em produções de grande público, como “Parks and Recreation”, ou até mesmo nos filmes de “Guardiões da Galáxia”, o actor entrega uma performance sóbria e focada como James Reece. Desta vez, o protagonista lida com as consequências diretas e o impacto psicológico dos seus actos anteriores, tentando reconstruir um propósito após a sangrenta jornada de vingança contra os responsáveis pela morte da sua família. A actuação de Pratt ganha também novas dimensões porque James Reece já não tem nada a perder, mas os seus valores morais e éticos mostram que não irá simplesmente desistir do que considera correcto.

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Curiosamente, a narrativa decide dar um salto de escala considerável em comparação com a premissa mais intimista da primeira temporada. Acompanhando a atualidade do panorama internacional, de forma semelhante a outras produções atuais, como “Lioness” (SkyShowtime), “The Terminal List” foca o seu enredo na guerra entre a Ucrânia e a Rússia, com os inevitáveis bastidores diplomáticos e militares dos Estados Unidos. Contudo, a produção não esquece as fricções no Médio Oriente, ligando estas frentes a células da Al-Qaeda e a jogadas de poder que metem à prova agências de informação e forças especiais. Esta proximidade com o mundo real atribui à história uma camada palpável de relevância.

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Ao contrário do ritmo por vezes oscilante da primeira temporada, a segunda temporada apresenta uma progressão narrativa notavelmente mais fluida e contínua ao longo dos seus oito episódios. A história avança de forma pragmática e sem momentos mortos, e com um outro elemento diferenciador: uma dose reforçada de realismo e crueza nas operações de elite. Reservado a um episódio em específico, a Prime Video arrisca em sequências graficamente fortes ligadas a interrogatórios e tortura, ao ponto de incluir um aviso prévio no ecrã. Ainda assim, este choque visual não surge de forma gratuita, enquadrando-se organicamente na atmosfera hostil e na brutalidade inerente àquele universo de espionagem.

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Um forte elenco secundário a apoiar Chris Pratt

O leque de atores secundários volta a reunir caras conhecidas, reforçado por adições de peso que conferem solidez à temporada. Entre o elenco de apoio figuram nomes como Constance Wu, Tom Hopper, Gabriel Luna, Dar Salim e Luke Hemsworth. Constance Wu regressa como a jornalista Katie Buranek e, embora perca algum do protagonismo direto no terreno, mantém-se como o catalisador fundamental ao desenterrar as ligações operacionais entre o conflito russo-ucraniano, novas alianças perigosas e potenciais ligações ao governo e forças de elite.

The Terminal List
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Por sua vez, Tom Hopper (“The Umbrella Academy“) junta-se à equipa como Raife Hastings. Hopper ostenta o físico e a presença ideais para um operacional de forças especiais, mas a sua personagem padece de uma certa falta de profundidade humana, funcionando mais como o “músculo” da operação do que como um vínculo emocional forte.Vimos no entanto pequenos vislumbres que podem indicar que será alguém a ter em mente no futuro mas, para já, despertou o interesse (ainda que ao de leve).

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A grande revelação do elenco acaba por ser Gabriel Luna (“The Last of Us”). No papel de Freddy Strain, um operacional da Agência que acompanha Reece nesta nova missão, Luna entrega uma interpretação multifacetada. O ator consegue transmitir, em meros segundos de ecrã, a perturbação interna de um homem dividido entre a ética, o peso moral das missões e as exigências da vida familiar. Quando Luna está em cena, a tensão ganha uma dimensão humana admirável. Em sentido inverso, a presença de Olga Kurylenko (“007: Quantum of Solace”) acaba por desiludir. Conhecida por muitos como Bond Girl, a actriz entra como elemento regular, mas a sua participação vai perdendo relevância e força à medida que os episódios avançam, deixando a sensação de um talento subaproveitado.

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Espionagem internacional, ação visceral e dilemas abertos

“The Terminal List” volta a ter sucesso porque o drama e a adrenalina marcham lado a lado do primeiro ao último minuto. A transição de um enredo focado na vingança pessoal para uma história ampla de espionagem internacional, com passagem por múltiplos cenários espalhados pelo mundo, revela-se uma aposta ganha. A escrita, por seu lado, beneficia do facto de não dispersar em demasiadas histórias secundárias paralelas, mantendo o foco operacional bem definido e encadeado.

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À medida que a temporada avança e algumas respostas são entregues, outras questões de maior dimensão começam a surgir. O desfecho deixa indicações subtis mas determinantes para o futuro do protagonista; o seu próximo capítulo pode ter como ponto de partida dois objetos aparentemente banais, uma fotografia e um relógio. Com a terceira temporada ainda pendente de confirmação oficial pela Prime Video, fica no ar a dúvida sobre o destino de James Reece. Do nosso lado, tudo está orientado para continuar. E sim, deveria acontecer.

The Terminal List T2

Conclusão

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  • A segunda temporada de “The Terminal List” eleva a fasquia da série da Prime Video ao transformar um drama de vingança pessoal num complexo e empolgante thriller geopolítico. Sustentada por sequências de ação realistas e por uma atuação soberba de Chris Pratt e Gabriel Luna, a produção ultrapassa o longo tempo de espera com uma narrativa veloz, crua e envolvente. É um regresso em grande forma para os apreciadores de ficção militar e espionagem de alta intensidade.
Overall
8.5/10
8.5/10
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Pros

Prós:

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  • Chris Pratt volta a trazer o seu talento ao de cima ao interpretar uma personagem mais sombria e consumida pelo seu passado
  • A excelente prestação de Gabriel Luna, que traz densidade moral e humana à equipa.
  • Ritmo narrativo mais dinâmico e coeso ao longo dos oito episódios do que na temporada anterior.
  • A expansão bem-sucedida para o plano da espionagem geopolítica e cenários internacionais.

Cons

Contras:

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  • O longo hiatus de quatro anos dificulta a reconexão imediata com os acontecimentos passados.
  • Personagens secundárias de relevo, como as de Tom Hopper e Olga Kurylenko, ficam aquém do seu potencial dramático.

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