The Man In The High Castle | Primeiras Impressões da primeira temporada

 

The Man In The High Castle é uma série com uma história revolucionária que prende o espetador desde o primeiro minuto.

FICHA TÉCNICA

The Man In The High Castle

 

Título Original: The Man In The High Castle
Elenco:  Alexa DavalosRupert EvansLuke KleintankCary-Hiroyuki TagawaRufus Sewell
Género: Drama, Thriller, Ficção Científica, Fantasia
Amazon | 2015 | USA[starreviewmulti id=19 tpl=20 style=’oxygen_gif’ average_stars=’oxygen_gif’] 

 

 

 

The Man In The High Castle é a maior aposta da Amazon até ao momento e promete ser uma das séries mais promissoras dos últimos tempos. A premissa apresentada é o seu ponto mais forte. Imaginem que a Segunda Guerra Mundial não tinha terminado com a vitória dos Aliados. E mais ainda, além dos americanos terem perdido a guerra para os alemães, a sua nação teria ficado sob a ocupação do regime Nazi e do Japão. É este o contexto histórico da série original da Amazon baseada no livro de Phillip Dick, onde a América do Norte é um país que se divide entre a ocupação da Alemanha, lado Este, denominado Greater Nazi Reich, e do Japão, lado Oeste, intitulado Japanese Pacific States, apenas separados por uma zona neutra.

 

The Man In The High Castle

 

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A série produzida por Ridley Scott começa no ano de 1962, acompanhando alternadamente dois personagens, Joe Blake (Luke Kleintank), um habitante da cidade de Nova Iorque, e Juliana Crane (Alexa Davalos), de São Francisco, até ao momento em que, por diversas circunstâncias, o caminho dos dois se cruza em Canon City, na zona neutra do país. Tudo leva a crer que Joe e Juliana encontram-se naquela cidade pelo mesmo motivo: ajudar a Resistência a derrubar os regimes fascistas, mesmo que as missões que lhes foram incumbidas não fossem necessariamente para eles. Contudo, rapidamente ficamos a perceber que as intenções de um deles não são tão transparentes como pareciam.

Em simultâneo com estas duas linhas narrativas temos oportunidade de olhar para o lado mais político do enredo, onde são introduzidas personagens que serão fulcrais no desenrolar da história, tanto do lado japonês como do lado alemão. Ainda nesta perspetiva da série são referidos certos elementos da trama, como a o estado de saúde frágil de Adolf Hitler, que colocam em causa e demonstram a fragilidade da organização política e militar que ficou estabelecida após a guerra.

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The Man In The High Castle

 

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No meio disto tudo fica a questão: “Quem é o the man in the high castle?”. De acordo com a informação que nos é transmitida pelos personagens, é simplesmente alguém que realizou filmes anti-fascistas onde aparecem imagens de um mundo alternativo, onde a Alemenha e o Japão perdem a Segunda Guerra Mundial. Ou será que essas imagens não são fruto da imaginação de ninguém? A maior parte desses filmes foram destruídos pelos nazis e pelos japoneses, porém, alguns exemplares sobreviveram e estão agora nas mãos da Resistência, que tenta utilizá-los para derrubar os regimes. Tão depressa não ficaremos a saber se the man in the high castle existe, mas podemos contar com os dois protagonistas para a solução dessa questão.

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Falando ainda nos personagens, importa reconhecer que o episódio piloto de The Man In The High Castle peca um pouco nesta área. À primeira vista, todas parecem algo distantes da história sem conseguirem provocar qualquer sentimento de empatia no espetador, pelo menos para já. Quem sabe se este aspeto não seria diferente se a informação que captamos dos personagens não fosse tão vaga. Colocando este pormenor de parte, o primeiro episódio da série da Amazon só merece elogios. O nosso destaque vai para a criação formidável e credível deste passado que podia muito bem ser o nosso. Desde a Times Square, em Nova Iorque, com os ecrãs repletos de imagens e símbolos com ligação ao Partido Nazi e ao Terceiro Reich, no lugar de publicidades à Coca-Cola, ao McDonald’s ou a espetáculos da Broadway, até à cidade de São Francisco fortemente influenciada pela cultura nipónica.

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The Man In The High Castle

 

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Mas a nossa crítica vai favoravelmente mais longe ainda, pois ao contrário do que muitos teriam feito, as transformações embora paradoxais, são nos apresentadas duma forma subtilmente pouco ou nada radical. Permanecem vestígios dos tempos passados, o que torna tudo ainda mais credível. Em nenhum mundo, mesmo que alternativo, seria possível implementar mudanças tão drásticas, de um momento para o outro, erradicando tudo o que existia anteriormente. É um processo que se mantém em evolução durante muitíssimos anos e ainda bem que a série teve o cuidado e o discernimento de representar essa mesma alteração.

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O nosso último destaque vai para um elemento da série que poderá ser para muitos indiferente, mas que nós é importante referir e analisar. Falamos da música de abertura de The Man In The High Castle, uma versão da música “Edelweiss“, do musical Música no Coração, cantada por Jeanette Olsson. Em jeito de canção de embalar, o efeito que provoca no espetador ao ouvi-la é completamente o oposto do pretendido, e deixa uma atmosfera sombria de mistério no ar. Da mesma forma que a flor que dá o nome à música simbolizava, para a família von Trapp, o país austríaco que viveria para sempre nos seus corações, mesmo durante a ocupação nazi, a música cantada por Olsson serve de mote para a narrativa da série e simboliza o sentimento patriótico que vai no coração de vários personagens de The Man In The High Castle.

Esta é definitivamente uma série obrigatória para quem gosta de uma boa história contextualizada num mundo distópico, de dramas históricos (especialmente ligados à Segunda Guerra Mundial) ou simplesmente para quem gosta de assistir a séries televisivas de grande qualidade!

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Filipa Machado

Licenciada em Estudos Artísticos e uma grande apaixonada (e viciada) por Literatura, Televisão, Cinema e, em especial, por Animação Japonesa.

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