Top 2015, guarda-roupas | 10. Um Ano Muito Violento

 

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Um Ano Muito Violento é um filme recheado de elegantes visuais onde a restrição e a sobriedade imperam, construindo um dos mais formidáveis filmes que este ano passaram por cinemas nacionais.

Aquando da concretização da sua terceira longa-metragem, Um Ano Muito Violento, J. C. Chandor decidiu recriar a Nova Iorque de 1981, um mundo onde jogos de poder tomavam posição de destaque e onde o sucesso se ia revelando como o exponencial máximo do intangível sonho americano. Nesta sua construção de um ambiente do passado, o realizador usou variadas referências cinematográficas, querendo, no entanto, evitar deixar o seu filme prisioneiro dos aspetos mais clichés da estética e dos estilos dos anos 80.

Um Ano Muito Violento

Um Ano Muito Violento Jessica Chastain

A figurinista responsável por traduzir esta peculiar visão de Chandor foi Kasia Walicka-Maimone que colaborou com a Armani na criação dos figurinosde Um Ano Muito Violento, nomeadamente para a personagem de Jessica Chastain, Anna. Num filme sobre poder, Chastain é uma imagem cristalizada de uma mulher poderosa dos anos 80, vestida dos pés à cabeça em Armani, que, não sendo particularmente vistoso, confere uma ideia de inegável riqueza e poder económico. Anna é uma mulher que apenas veste o melhor e mais caro, estando sempre a expor ao mundo a sua posição social e ambição económica.

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Um Ano Muito Violento - I

Um Ano Muito Violento

Com o seu longo casaco de puro branco, manicura extravagante e penteado que relembra Michelle Pfeiffer em Scarface, Anna é uma presença inesquecível, assim como, uma das personagens mais bem vestidas deste ano cinematográfico, quer de um ponto de vista estilístico, quer de uma perspetiva dramatúrgica.

Um Ano Muito Violento

Um Ano Muito Violento

Um Ano Muito Violento

Se Anna é como Michelle Pfeiffer, é impossível olhar para Abel, o seu marido, e não ver nele o Al Pacino do final da década de 70. Para vestir o ator Oscar Isaac, a figurinista baseou-se em imagens publicitárias da época, concebendo uma imagem de sucesso exteriorizado, que, apesar de tudo, mantivesse uma certa modéstia e subtileza, apropriados à personagem e ao filme. Do seu guarda-roupa, é a grande sobrecasaca bege que mais se destaca.

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Um Ano Muito Violento

Os dois protagonistas são quem mais se destaca, mas Um Ano Muito Violento tem um guarda-roupa repleto de brilhantes imagens de uma Nova Iorque do passado que foi cuidadosamente recriada num dos melhores filmes deste ano por uma formidável equipa de geniais criativos.

 

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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