"Django Libertado" | © Columbia Pictures

TOP Quentin Tarantino | 5. Django Libertado

Precisamente no meio da tabela deste ranking Tarantino, encontramos “Django Libertado”, a ousada, hilariante, sangrenta e estilisticamente ousada revisão alternativa de parte de um dos capítulos mais negros da história norte-americana. O filme valeu a Christoph Waltz o seu segundo Óscar para Melhor Ator Secundário e a Quentin Trantino o segundo troféu para Melhor Argumento Original.

 

                   

 

Ambientado ao Sul dos Estados Unidos dois anos antes de ter lugar a Guerra Civil, “Django Libertado” acompanha a personagem titular – um escravo com um brutal historial – que é colocado em rota cruzada com o caçador de recompensas Dr. King Schultz. O alemão procura pelos violentos irmãos Brittle, e Django é o único que pode levá-lo até eles. Com a promessa da sua libertação e consequente recuperação de um Amor perdido, Django tentará cumprir a tarefa de ajudar a capturar os Brittle, vivos ou mortos.

Numa carta de amor carregada, continuamente explosiva e esporadicamente cómica aos spaghetti westerns dos anos 60 e ao movimento blaxploitation, este “Django Libertado”, mais do que uma mera colagem de influências, é um título que, apesar de dificilmente vir a encabeçar o top de favoritos do realizador de qualquer fã, é um dos seus mais poderosos e incendiários esforços.

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Há algo incontornavelmente excitante na versão revisionista das histórias de Tarantino, onde este abocanha pedaços deploráveis de eras miseráveis para oferecer aos que sofreram a sua vingança sangrenta. O realizador continua na sua contenda para combater os maiores opressores da História através do Cinema – e depois do nazismo em “Sacanas Sem Lei”, a arma é apontada diretamente à cabeça da escravatura.

A combinação do estilo maníaco que mistura nacos generosos do cânone cultural e pop com relevância política, moral e social abrirá, decerto, os mais variados tópicos de conversa. Tarantino é mestre em equilibrar o tom dos seus filmes, o que é demonstrado uma vez mais nesta instância, onde tem de alternar entre a comédia do absurdo, a brutalidade da vida e o incessante e chocante retrato do racismo e escravatura, bastante precisos para a época retratada.

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© Columbia Pictures

Tarantino sempre se manteve demasiado envolvido com as suas personagens e enredos para se conseguir distanciar até uma abordagem mais rigorosa e estrita. Mesmo com todos os seus fortes, “Django Libertado” não deixa de parecer um corte grosseiro, um produto não finalizado que acabou por nunca ser enquadrado como um todo coerente. Assim fica a ideia de que existe um grande filme algures dentro de si, mas que foi obliterado em favor de um excesso contínuo e geralmente desequilibrado.

É a história da carreira de um homem que vive para passar dos limites, para fazer os filmes que quer, e desassossegar intelectualmente enquanto se diverte como quase nenhum outro. Muito se tem questionado se “Django Libertado” não terá sido demais, um passo (ou vários) além da linha do aceitável. Mas a resposta é simples: se tivesse sido de outra forma, certamente não seria Tarantino.

 

                   

 

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Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

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