"Cães Danados" | © Miramax

TOP Quentin Tarantino | 4. Cães Danados

Aquele que começou tudo: “Cães Danados”, o primeiro filme (completo) de Quentin Tarantino estabeleceu a voz do realizador e revolucionou por completo o Cinema de género norte-americano

 

                   

 

É difícil iniciar a carreira com uma obra marcante, muito menos historicamente significante. Muito menos com um filme do calibre de “Cães Danados”. Da mesma estirpe de influência, é manifestamente difícil avançar com outros candidatos… mas à cabeça surgem as recordações de “The Evil Dead” de Sam Raimi, “Mad Max” de George Miller, “Beleza Americana” de Sam Mendes ou até, mais recentemente, “Foge” de Jordan Peele.

De facto, “Cães Danados” transformou de imediato Quentin Tarantino num argumentista obscuro que ocasionalmente dava uma perninha como ator num dos novos autores mais influentes dos anos 90 – estatuto que viria a cimentar apenas dois anos depois, com o lançamento daquele que segue como o seu mais icónico e influente filme, “Pulp Fiction”.

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© Miramax

Esta estreia é um exemplo clássico e raro de um cineasta que “inicia funções” com uma voz, tom e personalidade totalmente criada, tanto como realizador como argumentista – já aqui surgem vários dos cunhos que ainda hoje o definem, como o storytelling não-linear, o uso de diálogo (aparentemente) aleatório, a violência extrema e as referências diretas ou indiretas à cultura pop.

O argumento é deliciosamente simples: um grupo de bandidos protagonizou um assalto que correu terrivelmente mal. A grande curiosidade? Nunca assistimos a um único momento do assalto per si. Em pequenos grupos, os desorientados bandidos cruzam-se num armazém onde, supostamente, se deveriam encontrar no final do golpe bem-sucedido, mas neste caso, perdidos e assustados, procuram freneticamente o culpado pela sua fatídica situação. Entre estes encontros cruzados, surgem deliciosos flashbacks que detalham algumas das características marcantes de cada um destes homens e de como começaram por integrar o grupo.

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Esta espetacular declaração de propósito de Tarantino, instala-se num submundo criminoso cheio de bandidos tagarelas e violentos, mas que não são assim tão cool ou implacáveis como pensavam. Soltando-se das rédeas (curtas) de Hollywood, Tarantino desconstrói a masculinidade através de confrontos físicos, trocas de galhardetes verbais e até… a remoção LITERAL de partes corporais.

Feitas as contas, “Cães Danados” é um mercurial e sangrento conto de enganos e embustes que encontra a sua peculiar humanidade em cada confissão dos seus protagonistas.

 

                   

 

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Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

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