TOP 10 Filmes Woody Allen | 5. A Rosa Púrpura do Cairo

 

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O amor ao cinema nunca foi tão bem expresso num filme como em A Rosa Púrpura do Cairo, um dos mais românticos, divertidos e melancólicos trabalhos de Woody Allen.

Existem muitos filmes sobre cinema. Isso é um facto inquestionável e Hollywood, em particular, tem sido bastante generosa nessa frente, oferecendo-nos visões de glamour sobre si mesma antes de nos mergulhar na acídica sátira de Wilder. Noutros recantos do mundo, Fellini deu asas ao seu ego em crise criativa, Bergman desdobrou o celuloide e nele viu os recantos mais obscuros do espírito e mente humana, Truffaut mostrou a sua paixão ao virar a câmara para o processo de criação e Godard tudo isso dissecou com jocosa crueldade. Apesar disso, poucos filmes existem em que seja retratada a cinefilia ou mesmo simples amor que alguém pode ter pela experiência de ver cinema. Quer dizer, temos A Rosa Púrpura do Cairo e, se formos sinceros, é difícil imaginar uma representação mais brilhante disso mesmo.

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Nesta obra de realismo mágico em que, durante a depressão, uma mulher vê um dos heróis do grande ecrã literalmente sair da tela para a levar numa aventura romântica, é a derradeira carta de amor entre o espetador e a magia do cinema, sendo também um dos mais dolorosos filmes em toda a filmografia de Woody Allen. Aqui, o cineasta mostra a sua mestria no que diz respeito à conjuração de nostalgia americana, ao mesmo tempo que a sua habilidade com atores nutre frutos de uma grandiosidade até então inédita na sua obra.

A certa altura, Mia Farrow diz “I’ve met a wonderful new man. He’s fictional, but you can’t have everything.” E nunca nenhuma fala num filme de Allen foi tão bem proferida, atuada e escrita de modo a conter uma infinita multitude de significados e subtextos. Tentar verbalizar a experiência do filme e sua melancolia acerca do poder do escapismo é um exercício em pura futilidade sendo que, se amas cinema, este filme é visionamento não só obrigatório, mas absolutamente vital.

 

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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