Os Melhores Filmes de 2012 by MHD

 

Nota: A seleção apresentada contempla apenas filmes estreados em Portugal (em circuito comercial) entre os dias 1 de janeiro e 31 de dezembro. Os nove membros votantes da Magazine.HD, após uma pré-seleção de 20 títulos, ordenaram os dez filmes favoritos de cada um, sendo atribuídos 20 pontos ao 1º classificado, 15 pontos ao 2º, 10 pontos ao 3º, 7 pontos ao 4º, 6 pontos ao 5º e assim sucessivamente. A lista abaixo apresentada traduz o somatório de todas as pontuações atribuídas.

#1 – A INVENÇÃO DE HUGO

Hugo

“Os filmes têm o poder de capturar sonhos”. É verdade… é fundamentalmente por isso que adoramos o cinema, porque somos seres sonhadores, porque acreditamos que um dia a nossa vida se irá assemelhar a uma grande história cinematográfica, porque acreditamos nos poderes da magia. “A Invenção de Hugo” percorre os primórdios do cinema, a origem desse sonho, o início da magia. E é a extrapolação dos nossos pensamentos sobre o Cinema, no próprio Cinema. Poderíamos pedir melhor? 111 pontos 

#2 – VERGONHA

Shame

A beleza interminável de “Shame” não está no seu conteúdo. Está sim na  concretização (sublime) do desconforto que lhe era exigido. Uma narrativa marcada pelo estupefação perante a crueldade da vida, pela aversão ao controlo da nossa mente, pela incapacidade de nós, seres-humanos, sermos incapazes de alterar o nosso rumo, mesmo que tentemos. Tal como Sissy diz: “We‘re not bad peopleWe just come from a bad place.”. 61 pontos

#3-  CLOUD ATLAS

CLOUD ATLAS

“Cloud Atlas”, no fundo, assume-se como uma ligação cinematográfica a um cosmos metafísico. Uma obra que deverá inspirar a natureza intelectual do espectador. Fazendo-o refletir sobre temáticas tão diversas como a possível outra vida, o princípio de que a uma ação está sempre sujeita uma reação, a existência ou não de um Deus omnipotente, o poder do amor, das reminiscências e dos sonhos na existência humana…  e fá-lo de uma forma peculiarmente genial. 60 pontos

#4 – O CAVALEIRO DAS TRAVAS RENASCE

The Dark Knight Rises

E é isto que a audiência deseja tão ardentemente num mundo cada vez mais despido de fé na calma depois da tempestade. É também talvez por isto que a trilogia de Nolan se tornou no fenómeno que hoje é; porque fica a certeza de que não nos trouxeram apenas a lenda que necessitávamos, mas também aquela que merecíamos. 44 pontos

#5 – O ARTISTA (Ex aequo)

The Artist

Acima de tudo, um hino ao Cinema e as suas formas de expressão. Liderado por duas tocantes interpretações de Jean Dujardin e Berenice Bejo numa composição muda e bicolor do Cinema, da vida, da ascensão e da queda. Foi o grande vencedor dos Óscares deste ano e merece destaque também aqui na MHD. 40 pontos

#5 – O HOBBIT: UMA VIAGEM INESPERADA (Ex aequo)

The Hobbit Un Unexpected Journey

Não supera “LOTR” mas conseguiu superar as expectativas. Para os que não leram o livro é decididamente uma viagem inesperada e para os que leram também. O 3D finalmente compensa o bilhete mas sobre o 48 fps ficam ainda algumas dúvidas. “The Hobbit: An Unexpected Journey” leva-nos em busca da coragem necessária para se fazer o que está certo e não o que é fácil, porque o que é fácil qualquer um pode fazer. 40 pontos

#6 –  A VIDA DE PI

A Vida de Pi

A virtuosidade de Ang Lee emerge na capacidade de tocar o espectador, seja pela delicadeza com que nos relata a amizade bela entre um rapaz perdido no seu próprio mundo, e um animal sedento de livre-arbítrio, seja na forma como é capaz de exteriorizar essa beleza interior para cenários majestosos. Estamos a falar não só de um dos filmes mais emocionantes dos últimos tempos, como um dos filmes visualmente mais estonteantes de que há memória. 37 pontos

#7 – PROMETHEUS 

Prometheus

Prometheus é um espetáculo monumental, que pode ter no tempo e no amadurecimento o reconhecimento como ícone de uma era no tempo. Esperar um filme na senda de Alien seria, à partida, uma sentença e uma redução – primeiro, porque seria uma impossibilidade competir com o status do original, segundo, porque Prometheus merece ser recordado, mesmo na sua existência imperfeito, como algo mais do que uma prequela, como um filme que ousou questionar a nossa origem e que trouxe uma resposta que mesmo insuficiente ou ambígua, é inescusavelmente fascinante. 33 pontos

#8 – MILLENNIUM 1 – OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES 

The Girl with the Dragon Tattoo

Não é o facto de David Fincher expor tudo cruelmente que torna este filme num “must-see”, mas sim o facto de a extrema violência, a intriga e os conflitos sociais serem abordados com uma naturalidade e fluidez como se de uma fábula se tratasse. Tudo está tão interligado, tão coeso e tão arrebatador que as suas 2h38min de duração passam a correr sem darmos por isso. Leva o título de “Maior murro no estômago do ano”, e acreditem que isso já é dizer muito. 32 pontos

#9 – TABU (Ex aequo)

tabu

 “Tabu”, de Miguel Gomes, é um retrato encantador sobre poder do amor e uma poética carta ao Cinema e às suas origens. Uma doce e singela obra a preto e branco com diálogos tão bem trabalhados e interpretações tão marcantes que não estão ao nível que qualquer obra dos dias de hoje. A pérola cinematográfica made in Portugal do ano. 27 pontos

#9 – LOOPER: REFLEXO ASSASSINO (Ex aequo)

1136042 - LOOPER

Um dos segredos para disfrutar em pleno da poção mágica de um enredo intelectualmente instigante e entretenimento de qualidade que Looper tem para oferecer é não procurar a ciência exata na ficção, e vice-versa. Não é o tipo de filme que pressagia uma mudança na indústria, mas é claramente o tipo de filme que não vemos surgir no Cinema com frequência suficiente. 27 pontos

#10 – MOONRISE KINGDOM

Moonrise-Kingdom

Moonrise Kingdom é uma autêntica fonte da juventude, e um dos convites mais excêntricos do ano para nos deixarmos levar numa viagem afetuosa pela memória de um lugar que, não tendo existido na realidade, é comum dicotomicamente na vida de todos. O seu otimismo é do mais cristalino que pode existir, porque é aquele que sobrevive mesmo quando nem tudo corre bem. A melancolia que todo o filme acompanha está muito ligada à inveja sentida pelos adultos desesperados pelo regresso dos heróis. O que fica é a saudade inabalável do descuido, da inocência, do amor e da liberdade da juventude. 26 pontos



Sobre Daniel Rodrigues