75º Festival de Veneza

75º Festival de Veneza (1) | Numa Nova Vaga

O 75º Festival de Veneza ou a Mostra (29 de Agosto a 8 de Setembro) começa oficialmente ao final da tarde de hoje com a antestreia de “O Primeiro Homem na Lua, de Damien Chazelle, com Ryan Gosling a fazer de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a Lua. E com a Mostra quase a surfar numa boa onda de cinema. 

A Mostra de Veneza está efectivamente a viver bons tempos e a começar com de “O Primeiro Homem na Lua”, de Damien Chazelle como filme de abertura. Não é que o filme seja uma obra-prima para recordar por aí além, mas já lá vamos! Esta antestreia do novo filme do jovem e oscarizado cineasta norte-americano — abriu a competição de há dois anos com “La La Land: Melodia de Amor” — volta a reforçar a ideia de que a Mostra está a lucrar cada vez mais com o calendário dos Óscares de Hollywood e com a revolução que as plataformas digitais como a Netflix, estão a provocar na indústria e distribuição de cinema. Sobretudo numa evolução nos modos de ver dos espectadores e no futuro dos festivais de cinema.

Festival de Veneza
Festival de Veneza

O movimento e a tendência da Mostra de Veneza alinhar com os Óscares, parece ter começado quase por acaso e numa aposta de risco do seu director artístico Alberto Barbera, na era pós-Marco Muller e até em tempos algo difíceis que punham em causa   o prestígio do festival do Lido de Veneza. Contudo esta ascensão, começou subtilmente  com “Gravidade”, que abriu a Mostra em 2013, e prosseguiu com três Óscares para Melhor Filme: “Birdman”, 2015; “O Caso Spotlight”, 2016, e “A Forma da Água”, este ano, que estiveram na selecção oficial; sem esquecer os prémios obtidos por “La La Land” em 2017 e “Três Cartazes à Beira da Estrada”, em 2018. Agora a selecção oficial de Veneza dá-se ao luxo até de receber cineastas e filmes que estavam previstos estrear no Festival de Cannes, como o mexicano Carlos Reygadas (“Nuestro Tiempo”) ou o francês Jacques Audiard (“Les Frères Sisters”). Acabaram por aterrar aqui numa das mais imprevisíveis e estimulantes selecções dos últimos anos, quer em cinema do mundo quer na forte representação norte-americana e nas estrelas que vão andar por aqui na passadeira vermelha do Lido.

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Quanto às plataformas já que a Mostra não pode ir contra elas, e sem pôr em causa ainda a primazia de ver cinema nas salas e nos ecrãs grandes, aí estão na competição oficial, — com um júri presidido pelo realizador mexicano do filme vencedor do ano passado, Guillermo del Toro — três filmes financiados pela Netflix: “Roma”, de Alfonso Cuarón, “The Ballad of Buster Scruggs”, dos Irmãos Coen e por último “22 July”, de Paul Greengrass. Quando há meia dúzia de anos se falava na decadência da Mostra de Veneza, estas últimas edições e sobretudo esta Veneza 75 — que apresenta um novo e belíssimo trailer, antes das sessões — vêm revelar que nem sequer há concorrência com outros festivais, a começar por Cannes — que tem como se sabe um forte mercado do filme — com a Berlinale de Fevereiro ou mesmo com o Festival de Toronto, que decorre quase ao mesmo tempo que o do Lido. Na verdade, Veneza e Toronto estão a funcionar quase em simultâneo e bem como verdadeiras rampas de lançamento para o melhor cinema da temporada de outono (na Europa e na América do Norte), numa espécie de complemento, alinhando ambos com antestreias tão fortes e estrelas como por exemplo a nova versão de “Assim Nasce Uma Estrela”, dirigida e protagonizada por Bradley Cooper, ao lado de Lady Gaga. Uma Mostra a surfar numa boa onda, a acrescentar ao clima ameno e ao ambiente descontraído do Lido de Veneza. A atriz britânica Vanessa Redgrave vai receber hoje na cerimónia de Abertura, um Leão de Ouro de Carreira.

José Vieira Mendes

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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