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As 10 razões para o regresso da cassete de música

Se já ninguém duvida do vinil como suporte de eleição – não só pelos seus méritos ao nível da qualidade musical, como também enquanto objeto de anti-cultura digital com raízes no prazer emocional de lidar e colecionar o objeto físico – há outras surpresas neste admirável mundo dos formatos de música, algumas aparentemente mais difíceis de explicar, como tem sido o caso da cassete, e que vamos tentar clarificar.

Se é verdade que a cassete está bem longe de rivalizar com o streaming ou com os formatos digitais em geral, a sua popularidade é crescente, e o seu regresso parece irreversível, com vendas a aumentarem de forma constante nos últimos anos, tanto nos Estados Unidos como na Europa e no Japão. Artistas que definem tendências e moda, como Billie Eilish ou Harry Styles, continuam a lançar álbuns em cassete.

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E não são apenas as cassetes, mas igualmente os respetivos leitores e gravadores. Enquanto muita gente se desfez do seu leitor, gravador ou Walkman, muitos outros os mantiveram e recuperaram. O mercado de usados, incluindo plataformas online, é fértil nestas oportunidades, mas as vendas de novos leitores-gravadores têm atingido níveis notáveis, como o caso de modelos de decks de cassetes disponíveis em lojas especializadas.

O formato cassete, vulgarmente conhecido por K7, foi inventado pela Philips em 1963 como uma alternativa portátil aos discos de vinil, standard da altura. Tornou-se um dos formatos mais populares pois permitia, não só armazenar música à vontade, como também realizar gravações caseiras. Teve o seu auge de utilização nas décadas de 1970 e 1980, começando a decair nos anos 1990 com a chegada do CD e, logo de seguida, com o acesso digital à música.

Muitos questionam se o regresso da cassete não será simplesmente mais uma moda, embora na realidade o seu apelo cresça e atravesse várias gerações – desde os mais idosos por razões mais nostálgicas, até os mais jovens com argumentos distintos, mas igualmente reais e tangíveis.

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TEAC W-1200 © Ajasom

Portabilidade superior ao vinil

A pequena K7 é um formato claramente mais portátil que o vinil. O Walkman, criação da Sony em 1979 e ícone cultural de liberdade nessa época, permanece como objeto culto e extremamente fácil de transportar numa mala ou mochila.

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Preço acessível

É o formato físico mais barato. Cassetes podem ser compradas por poucos euros, facilitando, por exemplo, a venda de álbuns em concertos. Para os fãs, comprar uma cassete da banda favorita é uma forma simpática e acessível de apoiar diretamente o artista e guardar uma prova física da sua discografia.

O som analógico da cassete

Em vez do som hiper-cristalino das gravações digitais, muitos apreciam o som único da fita de cassete (mais arredondado e menos agressivo, com um toque de distorção e algum ruído de fundo) especialmente fãs de rock, indie ou punk que valorizam esta experiência sonora.

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Mixtapes muito antes das playlists

Quem não se lembra da mixtape do primeiro Guardiões da Galáxia? O culto da playlist começou com as cassetes. Não havia namoro sem uma troca de mixtapes nem viagem de carro sem a road mixtape gravada na véspera.

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Cassete é reutilizável

Contrariamente ao vinil, a cassete é gravável: um leitor-gravador permite reutilizar a fita, gravando por cima de conteúdos mais antigos.

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Nostalgia e estilo retro

A geração que cresceu com cassetes atribui-lhes valor retro, enquanto os mais jovens procuram a estética retro e revivem elementos do passado com entusiasmo.

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Detox digital

Manusear uma fita, inserir num leitor, rebobinar ou avançar manualmente são pequenos rituais que oferecem um bálsamo anti-digital — aqui não há compressão sonora, notificações push, sinais Wi-Fi fracos nem distrações constantes das redes sociais.

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Um ritual agradável e relaxante

Forward, rewind, eject ou até esticar a fita com um lápis são gestos inconfundíveis e relaxantes que fazem parte da experiência física de ouvir ou gravar música numa cassete.

Cassete está trendy — contracultura em ação

Muitas editoras independentes e artistas veem nas cassetes uma forma de diferenciação e de criação de vínculos íntimos com os fãs, enquanto o mainstream continua focado no digital.

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Colecionismo

Além disso, há um forte apelo colecionável: muitas cassetes são lançadas em edições limitadas, com capas artísticas exclusivas e fitas de várias cores, tornando-as objetos desejáveis tanto para fãs como para colecionadores.

Mais do que um revivalismo passageiro, o ressurgimento da cassete sugere que certos formatos físicos podem coexistir com o digital, respondendo a necessidades emocionais, estéticas e práticas bem definidas. Neste equilíbrio entre nostalgia, uso criativo e cultura pop contemporânea, a cassete assume um papel singular – não como rival do streaming, mas como complemento valioso na paisagem musical atual.

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