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O IndieLisboa decorreu de 30 de abril a 10 de maio, com filmes para todos os gostos desde as curtas metragens, aos mockumentaries, passando pelo drama e o terror. Vários filmes portugueses também estiveram presentes, dentro destas categorias.

“Rose of Nevada” era um dos filmes mais esperados do Festival, pelos atores, realizador e pelas boas críticas que tem recebido desde que estreou internacionalmente no Festival de Toronto.

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O filme acompanha o barco “Rose of Nevada” que reaparece misteriosamente três décadas depois de ter desaparecido no mar com a sua tripulação. Após o regresso, Nick, que precisa de sustentar a família, e Liam, em fuga ao seu passado, juntam-se à tripulação e o barco vai de volta para o mar.

Após uma viagem bem-sucedida, regressam ao porto e descobrem que foram transportados 30 anos para o passado, confundidos com os tripulantes originais desaparecidos.

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Rose of Nevada é uma mistura de estilos

Apesar de estar inserido na ficção científica e viagens no tempo, este é um filme absolutamente original no seu plot e na forma de realização. A certa altura vemos inspirações em filmes como “Interstellar”, quando Nick encontra uma mensagem que foi escrita por ele há anos atrás.

E também “The Shining”. Tal como Jack acaba por se tornar parte do hotel, estas duas personagens acabam por se tornar parte do barco. No entanto, toda a envolvência, o world building, a história, a comunidade e vila piscatória, são uma lufada de ar fresco num cinema que está saturado de histórias semelhantes.

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É sem dúvida um filme que nos faz pensar, que nos deixa vontade de pesquisar. Que nos deixa profundamente insatisfeitos quando o acabamos e que cresce em nós à medida que o percebemos. Não é apenas um filme de entretenimento, tem mensagens importantes e obriga-nos a refletir.

Callum Turner e George MacKay foram escolhidos a dedo

 

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O realizador de “Rose of Nevada” é Mark Jenkin e os dois famosos atores, Callum Turner e George MacKay interpretam os protagonistas. Apesar de ainda não ser muito conhecido, ou não receber o devido valor – sou fã do ator e conheço toda a sua filmografia – Callum Turner é um ator extremamente versátil.

Já fez personagens intensas que abordam temas difíceis, como em “Masters of The Air”, uma performance muito física em “The Boys in The Boat” e uma personagem carismática e romântica em “Eternity”, por exemplo.

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Aqui é fantástico na mistura entre o carisma e o entusiasmo inicial, que sucumbem num aceitamento do destino recebido e aproveitamento da situação. Já George MacKay tem uma personagem que contem tudo dentro de si, mas conseguimos ler todas as suas emoções através das expressões e dos seus olhos. É realmente impressionante o trabalho que o ator faz neste filme, com uma personagem com tantos silêncios.

Mark Jenkin aposta nas texturas

Rose of Nevada
© BFI Films

“Rose of Nevada” é um filme visualmente lindíssimo. Um festim para os sentidos, que nos faz estar sempre atentos ao que rodeia aquelas personagens, aquela vila. A forma como envolve a cultura da pesca é muito bonita. Como nos leva na jornada com as personagens.

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Mas principalmente o design de som, é extremamente marcante. Tem sons muito fortes, que nos deixam uma sensação de desconforto ao longo do filme, imitando o que as personagens estão a sentir.

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O realizador partilhou, durante o TIFF, que não grava o som on location. Grava os áudios em separado e após a edição os atores vão a estúdio gravar as suas vozes de novo. Assim, o filme compõe-se em vários fragmentos.

As metáforas de Rose of Nevada

Este filme é profundamente metafórico, com muitas mensagens para passar que só percebemos após ver o filme e pensar sobre ele. É sobretudo uma história que explora o luto, o sentido de comunidade e a memória coletiva das tragédias que acontecem nestas pequenas vilas que vivem da pesca.

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No final, fica um sentimento agridoce. A magia do filme pode ser não saber o que se vai passar no futuro das personagens. No entanto, parece que também não atinge todo o seu potencial pelas questões que deixa por responder.

Conclusão

“Rose of Nevada” confirma-se como uma das experiências mais marcantes do indieLisboa, pela originalidade da sua narrativa e pela força emocional que deixa após os créditos finais.

Overall
7/10
7/10
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