As 5 maiores mudanças entre o livro de John Steinbeck e a Minissérie East of Eden, a mais vista na Netflix Portugal

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Depois de “O Problema Final“, há uma nova minissérie a conquistar o público da Netflix: “East of Eden” (“A Leste do Paraíso”). A série foi escrita e criada por Zoe Kazan, neta de Elia Kazan, o realizador que em 1955 filmou o romance com James Dean. Esse clássico ficou-se pela parte final do livro. A versão de Zoe Kazan abrange as duas gerações dos Trask, de Adam e Charles a Cal e Aron, e por isso teve de decidir o que sacrificar pelo caminho.

Assim, o resultado afasta-se do romance em vários pontos e estas são as cinco alterações que mais estão a ser comentadas.

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1. Os Hamilton quase desaparecem na minissérie de Zoe Kazan

East of Eden Ciarán Hinds Netflix
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O corte mais radical atinge a família Hamilton que, no livro, corre lado a lado com os Trask. Samuel, interpretado por Ciarán Hinds, mantém algum peso. No entanto, a série dá apenas breves aparições à esposa, Liza, e aos nove filhos do casal, sem arcos próprios.

Foi o preço a pagar por caber em sete episódios, segundo disse Zoe Kazan ao The Independent. A criadora admitiu que foi uma escolha dolorosa, por serem das suas personagens favoritas. A Slate aponta que cerca de 90% do material dos Hamilton não chegou à Netflix.

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2. A minissérie da Netflix não inclui John Steinbeck em criança

East of Eden Minissérie Netflix
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Esta é uma consequência direta do ponto anterior. Os Hamilton têm origem na família materna do próprio escritor, e por isso o romance inclui, por instantes, uma versão ficcional de Steinbeck em miúdo. Portanto, ao eliminar quase toda a linhagem, a série deixou cair também essa pequena marca do autor.

3. A viagem de Lee (Hoon Lee) ganha destaque

East of Eden Florence Pugh Netflix
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Lee, vivido por Hoon Lee (“Your Friends and Neighbors“), é o criado dos Trask e funciona como bússola moral e filosófica da narrativa. Tanto no livro como na série afasta-se durante pouco tempo para montar uma livraria em São Francisco e depois volta. A diferença está no que a minissérie mostra dessa ausência.

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Aqui, Lee encontra-se com o tio e esbarra na recusa de senhorios e comerciantes preconceituosos que não lhe querem arrendar espaço. Quando regressa, Adam finalmente escuta-o e entrega-lhe a gestão da casa, tratando-o como parte da família. Ademais, Zoe Kazan associou este capítulo ao cinema de Wong Kar-wai e explicou que queria aproximar o público de uma figura tão contida.

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4. Charles (Mike Faist) assombra Cathy (Florence Pugh) até ao fim

East of Eden Florence Pugh Netflix
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No romance, quando Cathy teme ser denunciada por uma ex-empregada pela morte de Faye (Martha Plimpton), sente apenas que Charles paira à sua volta. No entanto, esta versão leva o fantasma bem mais longe: nos momentos que antecedem a morte, Cathy chega a alucinar diálogos completos com ele. A sequência também serve de ponte narrativa, devolvendo a minissérie ao seu ponto de partida e ao passado da personagem.

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5. Cathy assume o protagonismo na minissérie da Netflix

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Cathy Ames é uma das grandes figuras malévolas da literatura americana e Kazan quis dar-lhe um espaço que o livro nunca deu, dedicando-lhe vários episódios para explorar o caminho até às suas escolhas. Pugh contou à Vulture que a criadora não pretendia absolvê-la: a crueldade mantém-se, mas é enquadrada pela violência que a personagem sofreu.

Contudo, a leitura contraria a de Steinbeck. Para Kazan, o escritor culpa Cathy pelos abusos da infância e usa-os como prova de que ela é má. A série não alinha nessa lógica.

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Onde ver “East of Eden”?

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A minissérie “East of Eden” chegou à Netflix a 1 de outubro, com os sete episódios disponíveis de uma só vez. Contudo, não é a primeira vez que o livro chega ao ecrã. Aliás, o título mais célebre continua a ser o filme de Elia Kazan, de 1955, com James Dean, que ainda assim cobriu só o final do romance. Já em 1981, a ABC tinha também transmitido uma minissérie em três partes com Jane Seymour.


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