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“Monster: The Lizzie Borden Story” estreou a 17 de setembro e já é a mais vista da Netflix Portugal. Mas o sucesso da série de Ryan Murphy não significa que a produção seja um consenso.

Entre os fãs da antologia, a palavra que mais se repete é “muito fabricada”. Para vários espectadores, esta é a pior das temporadas de “Monster” até agora, apontando o dedo a uma história inventada do início ao fim. Outro vai direto ao assunto e resume tudo numa frase: todas as outras temporadas de “Monster” são muito boas, mas esta foi impossível de ver.

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Tal como já é costume, a antologia de Ryan Murphy e Ian Brennan toma algumas liberdades narrativas, mas há cinco detalhes que estão a chamar muito à atenção.

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1. O romance entre Lizzie (Ella Beatty) e a criada Maggie (Vicky Krieps)

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Em “Monster: The Lizzie Borden Story”, Lizzie Borden e a criada da casa, Maggie Sullivan, apaixonam-se e planeiam juntas o assassinato dos pais de Lizzie. Só que não existe qualquer evidência histórica de que a verdadeira Bridget “Maggie” Sullivan fosse homossexual, nem de que a sua relação com Lizzie fosse alguma coisa além de criada e patroa. Aliás, esta não é a primeira vez que a relação é imaginada dessa forma. O romance “Lizzie” (1984), de Evan Hunter, e o filme homónimo de 2018, com Kristen Stewart e Chloë Sevigny faz o mesmo.

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2. Um caso amoroso entre Andrew Borden (Charlie Hunnam) e a criada

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“Monster: The Lizzie Borden Story” mostra Andrew Borden a envolver-se sexualmente com Maggie, relação que resulta numa gravidez. Contudo não há nenhuma evidência histórica de que Andrew Borden alguma vez tenha tido relações inapropriadas ou sexuais com a criada da família. É uma invenção total dos argumentistas, sem qualquer base documental.

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3. Abby Borden (Rebecca Hall) como a madrasta monstruosa em Monster: The Lizzie Borden Story

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Na ficção, Abby atira sopa a ferver à cara de uma criada e chega a matar as pombas de estimação de Lizzie. É verdade que a relação entre Abby e Lizzie era tensa e emocionalmente distante, alimentada sobretudo por ressentimentos à volta de dinheiro e propriedade. Porém, não existe qualquer evidência de que Abby tenha abusado fisicamente de ninguém na casa nem das criadas, nem das enteadas.

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4. Lizzie e Maggie são apresentadas como as assassinas de Bertha Manchester (Linda Reiter)

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Na realidade, Bertha foi assassinada com mais de vinte golpes de machado em maio de 1893. Contudo, o crime aconteceu dez meses após as mortes dos Borden, uma altura em que a polícia já mantinha Lizzie presa a aguardar julgamento.

O imigrante português e ex-trabalhador da quinta Jose Correa de Mello cometeu o homicídio após invadir a casa para cobrar salários atrasados. Durante uma luta, Jose matou Bertha, entregou-se à polícia logo a seguir, confessou tudo e cumpriu pena até as autoridades o deportarem em 1914, isolando o caso de qualquer ligação a Lizzie. Para além disso, “Monster: The Lizzie Borden Story” apresenta Bertha como uma mulher idosa, mas ela perdeu a vida com apenas 22 anos.

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5. Aileen Wuornos (Sarah Paulson) como fã de Lizzie Borden

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A série leva Aileen Wuornos e a namorada Shelby (Jessie Lee) a passar a noite no antigo quarto de Lizzie, na casa dos Borden. Não existe, porém, qualquer prova de que a verdadeira Aileen Wuornos fosse fã de Lizzie Borden.A cronologia simplesmente não bate certo: a fundação abriu a casa como bed & breakfast e museu apenas em 1996, mas as autoridades prenderam Wuornos em 1991. Ou seja, nunca poderia ter lá ficado hospedada.

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Onde ver Monster: The Lizzie Borden Story em Portugal?

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A Netflix disponibilizou “Monster: The Lizzie Borden Story”, e a plataforma lançou os oito episódios da temporada de uma só vez.

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