Faria hoje 114 anos, fez mais de 60 filmes, entrou para a história dos Óscares, foi tio de George Clooney e o filho é também uma estrela de Hollywood

© Orion Pictures
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Antes de Hollywood ter uma linha de atores latinos nos grandes prémios, houve um nome que abriu caminho sozinho. José Ferrer, nascido a 8 de janeiro de 1912, em Porto Rico, teria agora 114 anos, e a sua carreira continua a ser uma das mais singulares do século XX.

Isto porque ganhou um Óscar, um Globo de Ouro e três Tony, e ainda deixou uma família que atravessa várias gerações do cinema e da televisão americanos.

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Filho de um advogado e escritor, mudou-se ainda criança para Nova Iorque e formou-se em Princeton, onde era também pianista. Pensou em ser arquiteto, mas acabou por estrear-se como ator profissional em meados da década de 1930, e a Broadway rapidamente lhe abriu as portas. E o resto é história.

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Qual foi o papel que rendeu o Óscar?

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© Stanley Kramer Productions

O grande salto aconteceu com “Cyrano de Bergerac”. Em 1947, a interpretação do poeta e espadachim de nariz enorme valeu-lhe o primeiro Tony de Melhor Ator numa Peça, o prémio inaugural da categoria.

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Da mesma forma, José Ferrer levou depois o papel para o cinema e, pelo filme de 1950, conquistou o Óscar de Melhor Ator, tornando-se o primeiro ator hispânico e o primeiro porto-riquenho a vencer a estatueta. Foi também o primeiro intérprete a ganhar o Óscar e o Tony pela mesma personagem.

Quais foram os filmes mais populares que participou?

A estreia no grande ecrã tinha sido em “Joan of Arc” (1948), ao lado de Ingrid Bergman, como Delfim de França, papel que lhe rendeu uma nomeação para Melhor Ator Secundário.

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Em 1952 voltou a ser nomeado, desta vez pelo Toulouse-Lautrec de “Moulin Rouge”, realizado por John Huston. Seguiram-se filmes como “The Caine Mutiny” (1954), “Lawrence of Arabia” (1962) e “The Greatest Story Ever Told” (1965), numa filmografia de dezenas de títulos.

Já na Broadway, ganhou outros dois Tony em 1952, um como ator e outro como encenador, e em 1985 foi o primeiro ator a receber a Medalha Nacional das Artes dos Estados Unidos.

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No entanto, o cinema nem sempre lhe retribuiu o talento. Já perto do fim da vida, José Ferrer admitiu alguma desilusão com o rumo da carreira, convencido de que devia ter feito mais papéis que o desafiassem. Morreu a 26 de janeiro de 1992, aos 80 anos, em Coral Gables, na Florida.

Foi tio de George Clooney?

No entanto, a parte da história que mais surpreende o grande público é a familiar. O ator foi casado com a cantora Rosemary Clooney, tia de George Clooney, pelo que era tio do ator por casamento.

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Do casamento nasceu Miguel Ferrer, ator que muita gente reconhece sem saber o apelido. Ou seja, foi o executivo Bob Morton em RoboCop (1987) e o patologista Albert Rosenfield em “Twin Peaks”. Já o filho Miguel morreu em 2017. A neta de José, Tessa Ferrer, também seguiu a carreira de atriz.

Há outras carreiras lendárias para recordar?

José Ferrer junta-se assim a outros nomes de uma geração dourada do cinema, como Anthony Quinn, Henry Fonda, Tony Curtis, Jason Robards, Robert Alda, Christopher Lee ou Christopher Plummer.

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