John Carradine nasceu a 5 de fevereiro de 1906, em Nova Iorque, e teria 120 anos em 2026. Morreu em novembro de 1988, em Milão, aos 82 anos. Deixou 351 créditos entre cinema e televisão, sendo um dos atores mais prolíficos da língua inglesa.
Participou ainda em clássicos como “As Vinhas da Ira“. Além disso, quatro dos seus filhos também seguiram a carreira de ator.
John Carradine: 82 anos, mais de 300 filmes
John Carradine começou a carreira no teatro, em 1925, em Nova Orleães. Em 1927, mudou-se para Los Angeles e trabalhou em palcos locais. Mais tarde, tornou-se um ator shakespeariano respeitado e interpretou papéis como Hamlet. Ao mesmo tempo, passou a ter presença constante no cinema de Hollywood. Nasceu Richmond Reed Carradine e adotou o nome artístico John Carradine em 1935.
Cecil B. DeMille recusou os desenhos que o jovem lhe mostrou, mas gostou da voz grave e contratou-o para dobragens. Por isso, Carradine ganhou a alcunha de “The Voice”. Pouco depois, entrou no grupo de atores que John Ford usava com frequência nos seus filmes, conhecido como a “John Ford Stock Company”.
Dessa colaboração nasceram alguns dos papéis mais memoráveis da sua carreira.Em 1939, foi o jogador Hatfield em “Stagecoach”, o western que lançou John Wayne. No ano seguinte, deu corpo ao pregador Casy em “As Vinhas da Ira”, a adaptação do romance de John Steinbeck, com Henry Fonda. Em 1956, voltou a surgir no épico “Os Dez Mandamentos”, de Cecil B. DeMille.
De vencedores do Óscar a Drácula: Uma carreira variada
Apesar de tantos anos de trabalho, Carradine não somou muitos reconhecimentos individuais. Não recebeu uma nomeação aos Óscares. Em 1983, ganhou o prémio de Melhor Ator no Festival de Sitges. Para além disso, tem uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood.
Assim, o verdadeiro peso da carreira está nos filmes onde apareceu. “As Vinhas da Ira” conquistou 2 Óscares, o de Melhor Realizador, para John Ford, e o de Melhor Atriz Secundária, para Jane Darwell, e somou 5 nomeações adicionais, incluindo Melhor Filme. Por outro lado, “Stagecoach” venceu o Óscar de Melhor Ator Secundário, com Thomas Mitchell.
Por sua vez, “Os Dez Mandamentos” acabou nomeado para Melhor Filme e ganhou o Óscar de Melhores Efeitos Visuais. Nos anos seguintes,
Eventualmente, Carradine virou-se cada vez mais para o terror e para as produções de baixo orçamento. Vestiu a capa do Conde Drácula em “House of Frankenstein” (1944) e em “House of Dracula” (1945).
Mesmo nesses anos, continuou a aparecer em produções maiores, como “The Shootist” (1976), o último filme de John Wayne. Já em 1983, Carradine juntou-se a outras lendas do terror em “A Noite das Facas Longas” (“House of the Long Shadows”). O filme, realizado por Pete Walker, reuniu quatro nomes maiores do género: Vincent Price, Christopher Lee, Peter Cushing e o próprio Carradine. Price foi Lionel Grisbane, Cushing deu vida a Sebastian Grisbane, Lee interpretou Corrigan e Carradine foi Elijah Grisbane. A história parte de uma aposta. Um escritor aposta com o editor que consegue escrever um clássico do terror em 48 horas. Para isso, isola-se numa mansão no País de Gales. Contudo, a casa não está vazia. Uma série de estranhos chega à propriedade e revela-se, aos poucos, a família Grisbane. Entre eles, esconde-se um parente que fugiu depois de passar 40 anos preso por um homicídio.
Os filhos de John Carradine: Quatro atores numa só família
John Carradine casou quatro vezes e teve cinco filhos. Quatro deles tornaram-se atores: Bruce, David, Keith e Robert. O quinto, Christopher, seguiu outro caminho e trabalhou como arquiteto.
Bruce nasceu em 1933 e era filho de um casamento anterior de Ardanelle Cosner, a primeira mulher de Carradine. John adotou-o. Desse casamento nasceu depois David. Mais tarde, o ator casou com Sonia Sorel, e o casal teve Christopher, Keith e Robert. Os irmãos Carradine chegaram a partilhar o ecrã. Em 1980, David, Keith e Robert interpretaram os irmãos Younger em “The Long Riders”, um western realizado por Walter Hill. Por seu lado, John Carradine fez ainda um filme com David, “Boxcar Bertha” (1972), de Martin Scorsese.
David Carradine: De Kung Fu a Kill Bill

David Carradine nasceu em 1936 e foi o filho mais famoso do ator. Ganhou projeção mundial com a série “Kung Fu”, que passou entre 1972 e 1975. Nela, interpretou Kwai Chang Caine, um monge shaolin que viaja pelo Velho Oeste. O papel valeu-lhe nomeações ao Globo de Ouro e ao Emmy.Depois, trabalhou com Martin Scorsese.
Em 1976, deu vida a Woody Guthrie em “Bound for Glory”, que lhe rendeu uma nomeação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. Contudo, nos anos seguintes, David trabalhou sobretudo em filmes de ação e de baixo orçamento.
Porém, tudo mudou em 2003, quando Quentin Tarantino lhe entregou o papel de Bill em “Kill Bill: Vol. 1” e em “Kill Bill: Vol. 2” (2004). Bill é o chefe do grupo de assassinos de onde nasce a vingança de Uma Thurman. Tarantino tinha pensado primeiro em Warren Beatty para a personagem. Porém, a escolha de David deu-lhe a carreira de volta. Por esse trabalho, o ator recebeu a sua quarta nomeação ao Globo de Ouro e ganhou o Saturn de Melhor Ator Secundário. David Carradine morreu em junho de 2009, aos 72 anos, em Banguecoque, na Tailândia.
Keith, Robert e Bruce Carradine: Os outros filhos atores
Keith Carradine nasceu em 1949 e tem um Óscar em casa. Em 1975, escreveu e cantou “I’m Easy” em “Nashville“, de Robert Altman. A canção venceu o Óscar e o Globo de Ouro de Melhor Canção Original. Mais tarde, participou nas séries “Fargo“, Dexter” e mais recentemente, “Imperfect Women“. Inclusive, é pai da atriz Martha Plimpton (“Task”).
Robert Carradine nasceu em 1954 e ficou conhecido como Lewis em “Revenge of the Nerds” (1984). Já para uma nova geração, foi Sam McGuire, o pai de “Lizzie McGuire”, série do Disney Channel. Morreu em fevereiro de 2026, aos 71 anos.
Por fim, Bruce Carradine, o mais velho, teve uma carreira mais discreta. Ainda assim, trabalhou com David em “Q – The Winged Serpent” (1982). Morreu em 2016.


