©Viennale

Alain Cavalier, cineasta francês que conta já 95 primaveras, assinou em 2026 “Merci d’être venu”, uma celebração da vida, da paixão pela 7.ª arte como diretriz para a experiência humana e acerca, também, de despedidas. Este filme, em inglês apelidado “Thanks for Coming”, foi escolhido para fechar o DocLisboa em 2026, depois de ter passado por Cannes onde foi nomeado ao Prémio do Público na Quinzena dos Realizadores.

O adeus à vida e ao cinema com Merci d’être venu

A vida e o cinema são indissociáveis na alegada obra final de Alain Cavalier, que neste seu “Merci d’être venu” pensa acerca da aproximação do fim e sobre tudo o que o cinema simboliza na sua vida – como uma segunda pele, como uma forma de expressão inata, sendo este sujeito fílmico e realizador alguém que vive para e em função do cinema.

Pub

O produto final não tem realmente um fio condutor muito forte, nem pretende ter. Vamos acompanhando Cavalier na sua vida quotidiana junto da sua parceira romântica, dos seus amigos e conhecidos. Vamos com este até Cannes e de volta para casa, visitamos Paris e visitamos o campo, à medida que o realizador filma esta sua declarada carta de amor ao cinema.

Merci d’être venu Alain Cavalier
©DocLisboa

“Merci d’être venu” não é um filme fácil de ver, antes pelo contrário, sendo uma obra atravessada pela mortalidade e pela consciência plena da aproximação do fim. Alain Cavalier não “perde” assim tanto a especular acerca do seu fim, mas filma o velório do seu irmão, capta imagens de animais a morrer ou já mortos e fala com amigos e conhecidos (e de amigos e conhecidos) que já cá não estão.

Pub

Quem tenha sensibilidade particular a tais imagens, poderá ter muita dificuldade em ver “Thanks for Coming”. Nomeadamente, o realizador capta, por pura coincidência, os últimos momentos e a morte do seu fiel companheiro de quatro patas, o seu gatinho. Por um lado louvamos a honestidade de filmar tal momento, bem como as suas lágrimas e da sua parceira.

Lê Também:
Last Movies, a Crítica: Uma odisseia original pelos últimos filmes vistos por grandes ícone | DocLisboa 2026

Alain Cavalier despede-se no encerramento do DocLisboa

Mas, não obstante, a crueza que por vezes permeia “Merci d’être venu” torna-a uma obra algo difícil de apreciar, mesmo que, no seu âmago, seja sem dúvida um exercício criativo notável. Um filme bem-humorado sobre memória, cinema e a necessidade de dizer adeus.

Pub

É notável ver alguém, já a metade da casa dos 90, ainda a demonstrar tanta vitalidade, paixão e iniciativa. Como se realmente a câmara fosse uma extensão do nosso cineasta, como se filmar não fosse um esforço de todo, mas antes uma inevitabilidade.

E sim, na vida, o belo e o grotesco estão sempre lado a lado, tal qual como nesta obra de Cavalier. E, por isso, mesmo sendo a experiência de visualização algo penosa por vezes, há que não negar a beleza inerente a este esforço. Bem como a bravura.

Pub

Quanto ao DocLisboa, que nos permitiu a experiência de visualização desta longa-metragem, estará de regresso em 2027 e, muito certamente, o mundo inteiro voltará a caber em Lisboa através das temáticas sem díspares exploradas por este coeso festival – ano após ano.

Merci d’être venu, a crítica

Conclusão

Pub

“Merci d’être venu” está longe de ser um filme fácil, mas é uma obra pertinente e emotiva que reflete temáticas como memória, aproximação da morte e legado fílmico.

Overall
6/10
6/10
Sending
User Review
0 (0 votes)

google news

Sobre o Autor


Leave a Reply