Ilze Kitshoff/Ilze Kitshoff | © Sony Pictures Entertainment

A Mulher Rei | Conhece as heroínas que inspiraram o filme

Baseado em factos reais, “A Mulher Rei”, protagonizado por Viola Davis, inspira-se em guerreiras heroínas. Conhece-as.

A obra da TriStar Pictures, realizada por Gina Prince-Bythewood (“A Velha Guarda”), trata-se de um drama histórico repleto de ação que acontece entre o século XVIII e XIX no Reino do Daomé, atual Benin, na África Ocidental. A narrativa acompanha Nanisca, interpertada pela vencedora do Óscar Viola Davis (“Viúvas”, “Como Defender Um Assassino”), a general de um exército feminino que precisa defender as suas terras quando estas são invadidas por colonizadores franceses. Para isso, fica encarregue de recrutar e treinar guerreiras destemidas, de modo a tornarem-se as grandes protetoras de África. Eis a sinopse oficial da longa-metragem:

A extraordinária história de Agojie, a unidade de guerreiras amazonas que protegeu o reino africano de Daomé no início do século XIX com uma capacidade de uma ferocidade diferente de tudo o que op mundo já viu. Inspirado em factos reais, “A Mulher Rei” relata a jornada épica da General Nanisca enquanto treina a próxima geração de recrutas e as prepara para a batalha contra um inimigo determinado a destruir o seu modo de vida. Há coisas pelas quais vale a pena lutar…

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As guerreiras africanas retratadas no filme, que lutaram pelo seu espaço e liberdade contra o colonialismo europeu, existiram e até ao final do secúlo XIX formaram um dos regimentos militares africanos. Ficaram conhecidas por Agojie, ou Amazonas de Dahomey. Apesar da produção ser baseada em factos reais também recorreu à criatividade, por exemplo, a líder do grupo vivida por Davis, é fictícia.

A MULHER REI
Ilze Kitshoff/Ilze Kitshoff © Sony Pictures Entertainment

Foi necessária muita pesquisa por parte da equipa do filme para encarnar estas figuras históricas e a própria atriz Viola Davis confessou que já conhecia estas guerreiras, mas apenas por amazonas, o termo dado pelos colonizadores, e que o o livro “Amazons of Black Sparta”, da autoria de Stanley Alpern, tornou-se no material de referência para si e para a produção.

Quem foram as Agojie?

As Agojie começaram por ser um grupo de mulheres que caçavam elefantes e que depois evoluíram para um exército que atingiu o seu auge no século XIX, durante o reinado de Ghezo. Na época vivia-se um período de guerra, principalmente contra o tráfico de escravos, e a zona habitada por estas mulheres africanas no Reino de Daomé perdeu muitos homens. Foi assim que estas mulheres tiveram de pegar nas suas armas e ocuparem o campo de batalha em defesa das suas terras e liberdade.

Estas mulheres, além de guerreiras quase desde nascença, eram geralmente consideradas esposas de “terceira classe” do Rei, pois não eram consideradas muito belas. Viviam no palácio real com o soberano juntamente com as outras esposas. Eram mulheres consideradas descartáveis e assumiam desde muito cedo, ainda em crianças, um papel importante na unidade militar. Se recusassem eram decapitadas.

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As recrutas do exército africano | Domínio público © Wikimedia Commons

A única forma de escaparem a uma vida dedicada totalmente ao Rei e à guerra era através do casamento, algo que raramente acontecia devido à sua aparência. A única solução que lhes restava era tornarem-se Agojie, o que não deixa de ser negativamente curioso – lutavam pela liberdade do Reino, mas elas próprias não tinham livre arbítrio, nem para escolher o seu estilo de vida.

Tal como retrata “A Mulher Rei“, pertencer ao exército não era fácil. Os treinos eram pesados e exigentes. A maioria dos exercícios eram simulações, onde tinham de aprender a surpreender o inimigo e enfrentar obstáculos típicos de batalhas sangrentas como escalar muros, cheios de espinhos, descalças. De acordo com o livro de Alpern, havia cinco ramos no exército: mulheres de artilharia, caçadoras de elefantes, mosqueteiras, lutadoras com navalhas e arqueiras.

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© Sony Pictures Entertainment

Num comunicado enviado à imprensa, Viola Davis comentou que nestas mulheres africanas da época o mais surpreendente não eram as suas capacidades e características, mas sim o facto de serem mulheres que não seguiam os padrões de género impostos:

Os colonizadores chamavam-nas de “masculinas” ou “parecidas com animais”, e não conseguiam entender aquilo, porque se baseavam na sua própria compreensão de como viam as mulheres e como viam a África.

Os europeus ficavam incomodados com a existência deste exército feminino que contrariava as imposições de género e agia contrário ao que as mulheres, ditas de uma sociedade civilizada, deviam fazer. Neste contexto, os franceses começaram a tentar impôr as suas ideias em África gerando-se vários conflitos entre os dois povos. As Agojie, depois de várias baixas mortais, começaram a perder força na segunda metade do século XIX após uma missão falhar na atual Nigéria.

Leonard Wantchekon, economista da Universidade de Princeton e natural do Benin, disse ao Washington Post,  que a colonização francesa foi prejudicial aos direitos das mulheres em Daomé e destruiu oportunidades não só de liderança, mas também de estudo: “Os franceses garantiram que essa história não fosse conhecida”, frisou.

As guerreiras africanas retratadas no filme serviram de inspiração para Dora Milaje, de “Black Panther“, mas a sua história ainda não tinha sido contada no grande ecrã, até agora.

Além de protagonizar “A Mulher Rei”, Viola Davis é produtora da obra ao lado de Cathy Schulman (“A Distância Entre Nós”), Julius Tennon (“The Last Defense”), e Maria Bello (“Lights Out – Terror na Escuridão“). O guião foi trabalhado por Bello e Dana Stevens (Um Refúgio Para a Vida). No elenco estão nomes como Lashana Lynch (“Captain Marvel”), Sheila Atim (“Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”), Thuso Mbedu (“The Underground Railroad”),  John Boyega (“Star Wars: A Ascensão de Skywalker”) e Hero Fiennes Tiffin (“After”).

TRAILER | “A MULHER REI” JÁ ESTÁ NOS CINEMAS

Já conhecias as mulheres reais que inspiraram o filme?

Rafaela Teixeira

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