Alice do Outro Lado do Espelho | Os figurinos de Colleen Atwood

Em Alice do Outro Lado do Espelho, a figurinista Colleen Atwood volta a conjurar um mundo de ensandecida e irracional fantasia com as suas exuberantes criações.

 


Parte 2, O guarda-roupa de Alice >>


 

Depois do sucesso de Alice no País das Maravilhas em 2010 e tendo em consideração as proclividades mercenárias da Disney, não é certamente de surpreender que o filme de Tim Burton tenha tido direito a uma sequela, Alice do Outro Lado do Espelho. Infelizmente, o realizador não regressou a este projeto, mas a maior parte da sua equipa criativa volta a marcar presença, entre si a figurinista Colleen Atwood que arrecadou o seu terceiro Óscar pelo guarda-roupa da primeira aventura cinematográfica desta nova versão da Alice de Lewis Carroll.

Alice Através do Espelho

Tal como no filme anterior, Atwood conjurou um mundo de fantasia repleto de complicados figurinos e coloridas personagens. Mesmo que a sua estética tenda a sugerir o kitsch, há algo de constantemente admirável no trabalho da figurinista, cujo virtuosismo técnico está sempre presente, mesmo nas mais feias e grotescas criações do seu repertório, que inclui já várias colaborações com o iconoclasta Tim Burton.

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Em Alice do Outro Lado do Espelho, a ausência de Burton, no entanto, parece ter tido uma inesperada consequência nos visuais do novo filme que utiliza muito menos cenários unicamente digitais na criação do mundo das personagens. Isto acaba por resultar num filme com uma fisicalidade ligeiramente mais presente e mais sóbria, algo que acaba por influenciar as outras áreas de design, incluindo os figurinos.

Alice Através do Espelho

Isso é particularmente notável no contexto do País das Maravilhas, onde longe da indisciplinada fantasia do filme anterior, a população se veste de modo geral como se estivessem numa fantasia vitoriana. Mesmo os figurinos mais próximos de estéticas medievais e isabelinas estão sempre pontuados por elementos claramente vitorianos como o uso generoso de renda, chapelaria oitocentista e motivos florais claramente inspirados em peças do século XIX.

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Por consequência, a Inglaterra distante das fantasias do País das Maravilhas também se apresenta menos exuberante que no filme de 2010, com cores escuras e silhuetas simplificadas da década de 80 do século XIX a dominarem o guarda-roupa. Interessantemente, parece que na sua pesquisa, Atwood avançou as modas britânicas cerca de duas décadas entre os filmes, mesmo que apenas três anos tenham decorrido entre as narrativas. Tal escolha é facilmente justificável e compreensível quando situamos esta obra no contexto da fantasia mirabolante da Disney e não no panorama dos dramas históricos ingleses.

Alice atraves do espelho

O que é mais interessante em toda esta crescente sobriedade visual é quão a personagem titular se afirma como uma constante incongruência visual. Para saberes mais sobre o seu guarda-roupa, segue para a próxima página!


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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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