Angel Olsen em Lisboa | Solo? Yeah!

Angel Olsen é uma das mais talentosas cantautoras do nosso tempo, ousada, versátil, carismática e determinada em garantir futuros voos cada vez mais altos. O concerto de ontem 14 maio 2018 em Lisboa, foi disso uma belíssima e encantadora prova.

Dizia Angel Olsen, em 2014, à popular radio KEXP, quando por esta questionada sobre a versatilidade e variedade do repertório, no qual canções carregadas de electricidade e energia coabitam com as mais calmas e íntimas baladas:

Sim, é bem verdade, embora se misturem com outros géneros no mesmo álbum, tenho imensas canções que foram sobretudo concebidas para serem apresentadas a Solo.

Pois foram essas canções, na sua maioria dos primeiros álbuns, mas não só, algumas novas, inéditas ainda, que hipnotizaram ao longo de cerca de duas horas um Teatro da Trindade esgotadíssimo, tal como já tinha acontecido no dia anterior em Guimarães.


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Embora o estilo próprio e a força dos seus álbuns sejam já uma marca de água do talento de Angel Olsen, percorrer o mundo suportada apenas pelos seus belos high heels e uma guitarra eléctrica é realmente proeza.  E como se hits faltassem no seu repertório (e não faltam), Angel Olsen consegue meter no bolso um álbum de originais (repleto de hits) como My Woman, do qual nem uma nota se ouviu. Mas o amor à arte é feita de riscos e percebe-se que lhe dá gozo enfrentá-los e vencê-los com a mesma força com que faz ouvir (e todos arrepiar), a plenos pulmões, a sua lindíssima voz e uma guitarra somente.

Num jogo de sedução progressivo, calmo e descontraído de início, sempre mais íntimo a cada música que se sucedia, foi deixando algumas piadas pelo meio, enquanto afinava religiosamente a sua viola para cada música que se seguia:

I really know how to sing, but never how to be gracefull!

Poucas vezes o termo português “de corpo e alma” se aplica tão bem a uma performance como esta. Sem qualquer pedal, drum kit, samplers, fumo de palco, ou um simples efeito de luz, nada, zero acessórios. Apenas um pedido ao fim de três músicas:

Is there anyone who can give me a sexy light please?

E um belo e fino foco de luz branca, marcou o que apenas ali interessava – Angel Olsen, as suas canções, e como ela sublinhou:

To have fun and send you a nice message, that’s what really matters.

De acordo, rendidos.

Temos pena. Nem uma imagem da actuação a Solo, mas aqui fica a sua outra face mais acompanhada:

RR

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Angel Olsen em Lisboa | Solo? Yeah!
  • Rui Ribeiro - 90
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Rui Ribeiro

Engenheiro, publisher, melómano e audiófilo, daqueles que ainda vão ao cinema, compram vinil, cd's, blu-rays, a Empire e a Stereophile em papel.

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