Arrow | T03 Season Finale em análise

 

Quando assistimos ao final de uma temporada de qualquer série todos nós esperamos ver o tempo que investimos a ter algum retorno satisfatório, e apesar de «My Name Is Oliver Queen» não ser um autêntico desastre, é mais uma prova que solidifica a tese de que a qualidade da série viu um grande declínio.

Arrow sempre foi uma série controversa, mas foi uma pioneira que activamente explorou o género de super-heróis que estava (e está) em vogue, nomeadamente no que toca ao pequeno ecrã. A sua primeira temporada, apesar de inicialmente ser difícil de digerir, acaba por nos entregar um final e uma conclusão surpreendentemente boa, com um bom balanço dramático e um bom conjunto de alicerces para o futuro. Tal prova disso foi a qualidade excelente da temporada seguinte, onde o intercalar do passado e o presente foi um ponto vital (ajuda que Manu Bennett tenha protagonizado o principal antagonista) e onde o tema retratado,”decisões”, é um facilmente relacionável.

E então voltando à terceira temporada chegamos a um estado de combustão onde é necessário uma mudança no ritmo e tom da história e onde tudo começa e acaba com uma incessante procura de identidade por parte do nosso protagonista e herói Arrow / Oliver Queen (Stephen Amell). Até aí parece que estamos numa premissa interessante para o início de uma nova história, mas o seu desenvolvimento sofreu um grande golpe com uma repetição constante no trama romântico e com o foco a ter de ser constantemente modificado para estabelecer e fazer crescer um universo televisivo que poderá estar a ficar grande demais para o interesse público.

(em baixo estarão SPOILERS da season finale da terceira temporada de Arrow)
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A conclusão da temporada pode ser vista sob um prisma de uma trilogia de episódios consecutivos com um argumento complexo a ser apressado exponencialmente, começando desde que Arrow aceitou se transformar em Al Sah-Him, Herdeiro do Demónio, passando pela verdadeira revelação do seu plano em destruir os seus inimigos internamente sobre a forma de um agente duplo e, até finalmente, se encontrar sobre o alias de Oliver Queen, o homem que fará tudo para salvar a sua cidade porque consegue amar. (eww!)

Concretamente o episódio 23 é aquele onde a equipa Arrow (com a participação especial e de qualidade de um certo herói muito veloz) se junta para impedir que Ra’s Al Ghul (Matt Noble) consiga prosseguir com os seus planos de libertar o vírus “Alpha & Omega” em toda a Starling City.

 arrow team

PREPARAR PARA A GUERRA

Um dos momentos de suspense do episódio passado foi a aparente “morte” de todos os membros da equipa Arrow, mas obviamente que a única dúvida que os fãs tinham era a de como é que todos iriam sair de lá vivos. A resposta foi-nos entregue pelo agora anti-herói (?), Malcolm Merlyn (John Barrowman) sob a forma de um antídoto preso num adesivo da sua mão que ele próprio transmitiu a todos. Explicou ainda que a sua forma de revelar o plano a Ra’s Al Ghul foi uma fachada para que o mesmo tivesse uma última grande prova de confiança por parte de Oliver, e falou ainda sobre o plano de resgate que chegaria rapidamente… muito rapidamente.

The Flash (Grant Gustin) fez um regresso triunfal à série a que deve a sua origem, onde sozinho, desarmou praticamente toda a temida Liga de Assassinos e, contando com o seu carisma e lado cómico natural roubou todas as cenas que fazia parte. Incluindo uma referência que apenas Barry Allen seria capaz de fazer quando confrontado com o mítico Lazarus Pit: “Vocês tem uma banheira!?”. No entanto, após isso, o herói do outro programa da CW Network aparentemente estava ocupado demais a interrogar Harrison Wells para ajudar as pessoas de Starling City (honestamente que fibra moral que demonstraram com esta patética desculpa).

A equipa regressou assim a Starling City onde Arrow / Oliver Queen já se encontrava, após finalmente ter revelado as suas verdadeiras intenções no avião que o transportava com o seu inimigo e a sua recente noiva-forçada. Nyssa Al Ghul (Katrina Law) e Oliver revoltaram-se de forma a impedir que Ra’s chegasse ao seu destino e visse completa a sua missão de vaporizar a cidade natal do herói de forma a vê-lo ascender à posição de líder da Liga. A cena de acção prometeu bastante, com Ra’s uma vez mais a levar a melhor sobre Oliver, mas onde, por último, todos sobrevivem.

 arrow diggle

LAÇOS MAL RESTAURADOS

A dinâmica dramática entre Oliver e o seu melhor amigo John Diggle (David Ramsay) foi logo explorada, e efectivamente bem feita que prendeu logo os espectadores. Afinal de contas, todas as acções têm consequências e uma outrora amizade de grande confiança, poderá estar, no seu núcleo bastante danificada. No entanto com um perigo maior iminente estes sentimentos de raiva e frustração tiveram de ser colocados em pausa.

Noutra perspectiva de relação danificada vemos Laurel Lance (Katie Cassady) a conseguir a cooperação e possível perdão do seu pai, Det. Quentin Lance (Paul Blackthorne) num segmento renegado a dois míseros minutos e que deixa um sabor amargo de algo que foi explorado bem profundamente nos episódios de origem da super-heroína Black Canary. Apesar de tudo, crédito onde crédito é devido à linha: “A cidade está em perigo? Deve ser Maio!”

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Relações à parte o grupo precisou de toda a ajuda possível para impedir que o vírus se espalhasse, e de uma forma engenhosa, contagio através de sangue de membros da Liga dos Assasinos. Como descobrimos isto? Thea Queen finalmente fez a sua estreia como “Speedy” e de arco e flecha na mão fez questão de deitar abaixo um dos membros da Liga que carregava o vírus. Noutro lado Nyssa e Black Canary viram-se livres dos seus inimigos, assim como Malcom e John Diggle por fim torna-se mais do que um homem comum ao abater o último membro. Quando pensamos bem, a equipa cresceu bastante, mas ninguém tanto quanto Diggle, que para além de actuar como voz da razão na maioria das vezes, é também ele próprio uma personagem “must see”, protagonizando por mais do que uma vez até episódios em que o Esquadrão Suicida é necessário.

 

arrow ras fight

A DESFORRA – OLIVER VS. RA’S II

O ápice desta terceira temporada, e até mesmo de toda a série, foi a primeira luta entre o nosso herói e o principal antagonista ainda no episódio 9, onde Ra’s Al Ghul foi logo diferenciado de todos os antigos vilões pela simples razão de que ele era um ancião que para todos os efeitos viu Oliver Queen sucumbir à sua espada com relativa facilidade. Portanto, era de esperar que o combate final, apesar de tudo, visse o mesmo a acontecer – afinal de contas Ra’s Al Ghul é só o homem que treinou Batman e um dos guerreiros mais temidos em combate corpo a corpo de toda a história da DC Comics. Mas aconteceu? Não, e foi uma pena.

A personagem interpretada pelo actor britânico Matt Noble foi uma das principais razões para a perda de qualidade, não pelo actor, mas sim pela caracterização aberrantemente simples de uma das personagens mais famosas do mundo da banda desenhada. Toda a arca de procura de um sucessor foi mal direccionada e nunca isso deveria ter sido posto em prática, mas se havia algo que todos esperávamos poder contar seria com uma épica cena de acção final, onde o herói conseguisse derrotar o muito mais habilidoso vilão com algumas ajudas extra à semelhança do que aconteceu em The Flash, «Rogue Air».

Mas a equipa resolveu seguir pelo caminho mais cliché da história da televisão: o amor. Sim, leram bem. Segundo Felicity (Emily Bett Rickards), uma das piores personagens/actrizes de toda esta temporada, Oliver é capaz de derrotar o seu inimigo porque ele é efectivamente uma boa pessoa. Dito e feito, numa sequência que não surpreende dado o repertório que a série tem em cenas de combate, num cenário altamente aleatório como uma barragem e com uma conclusão anti-climática em que Arrow mata Ra’s, sendo logo de seguido abatido pela polícia de Starling apenas para, milagrosamente, ser salvo em questão de segundos pela Felicity a utilizar o fato de ATOM. Sim, aquele fato que o seu dono Ray Palmer (Brandon Routh) demorou quase três episódios até ter mínimo controlo. Erros de continuidade são o pão nosso de cada dia no UTDC, e se preferem um argumento mais virado ao detalhe é melhor darem hipótese a algo como Daredevil da Marvel/Netflix, porque aqui a história irá sempre desenrolar-se como uma banda desenhada, e ganhar poderes ou habilidades de combate super humanas é algo que geralmente dois ou três episódios chegam perfeitamente. (isto é um ponto negativo…).

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arrow felicity sunset

AQUILO QUE REALMENTE ESTÁ BOM – O FUTURO

É também uma das responsabilidades de uma final de temporada abrir caminhos para o futuro da próxima, e esta aqui, parece ter apenas dado foco ao que esperar no futuro mais do que concluir a história de uma melhor forma possível. Vamos aqui fazer uma lista:

  • Damien Dark é o vilão da quarta temporada – na semana passada descobrimos que este homem foi treinado pela Liga dos Assassinos ao mesmo tempo que Ra’s Al Ghul. Esta semana foi referido como um dos homens que Ra’s queria assassinar em Starling com o vírus Alpha e Omega. É o líder de uma organização criminosa conhecida como H.I.V.E. e, é então directamente responsável pela morte do irmão de John Diggle;
  • John Diggle poderá vir mascarado – na cena de despedida de Diggle e Oliver, o nosso Arqueiro favorito fez questão de dizer a Diggle que o mesmo era um herói e que, talvez, esteja na altura de esconder a sua identidade, confirmando rumores de que o mesmo poderá aparecer mascarado na temporada 4 da série;
  • Thea veste o manto de Speedy – a irmã de Oliver Queen finalmente tornou-se a ajudante conhecida e adorada da banda desenhada. A sua vida como super-herói deverá ser um dos pontos de desenvolvimento, especialmente dado o estatuto do irmão e do pai;
  • Malcolm Merlyn é o novo Ra’s Al Ghul – no final descobrimos que Malcolm, o vilão da primeira temporada, apenas ajudou Oliver com o intuito de finalmente se tornar o líder da Liga de Assassinos. Depois da morte do Ra’s original, Oliver ficou com o anel que lhe daria o poder e, passando esse anel a Malcolm de forma a manter a sua promessa pela ajuda. Um bocado parvo se me perguntam a mim, dar algo assim a alguém que causou tanta dar e destruição, mas ao menos Oliver é um homem de palavra;
  • Ray Palmer explode em bocados – Não, obviamente que não morreu, dado que o seu spinoff está já na boca do mundo, mas vimos sim a origem de como o bilionário ganha poderes que o permitem diminuir imenso o seu tamanho de forma a tornar-se o verdadeiro The Atom que conhecemos na banda desenhada;
  • No passado, Oliver viaja agora para Coast City – Nas sequências flashback cuja série já ganhou fama por, vamos acompanhar o desenvolvimento do protagonista, desta vez, na cidade-natal de Hal Jordan, conhecido como o super-herói Lanterna Verde. Isto não é por acaso. Já no episódio passado de The Flash foi referido que um piloto misterioso da Ferris Airline (também Hal Jordan) estava desaparecido. Será possível que a quarta temporada esteja ligada com o resgate do mesmo? Afinal de contas, Arrow e o Lanterna Verde são protagonistas conjunto de uma banda desenhada de sucesso.
  • The Arrow deverá finalmente ficar verde – Nas últimas imagens do episódios Oliver e Felicity viajam juntos para longe como parte da sua história de romance que dominou a temporada, infelizmente, a identidade de Arrow foi comprometida e, quando o mesmo regressar, e nós sabemos que vai provavelmente terá de ter um novo nome… Green Arrow, alguém?

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No geral foi um esforço por toda a equipa, mas que não entregou uma conclusão como todos gostariam, tendo o foque ficado na criação de razões (teases) para os fãs regressarem para a quarta temporada e, ainda, a nova série da DC “Legends of Tomorrow”. A cinematografia esteve lá, shaky cam exagerada apesar de tudo, bons cenários e boas imagens como Arrow a transportar-se entre prédios. Ra’s Al Ghul representa o antagonista mais sábio, carismático e habilidoso de toda a série, e ironicamente, é o primeiro a morrer às mãos do herói e merecia melhor destino. O episódio sobretudo sofre de “muita coisa em pouco tempo” e isso, esperemos que seja uma lição para os criadores na próxima temporada – simplesmente deixem os fãs respirar.

NOTA FINAL
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O último episódio da temporada foi escrito pelos criadores do UTDC (o que torna isto ainda mais triste) Greg Berlanti e Andrew Kreisberg, adaptado para guião televisivo por Marc Guggenheim e Jake Cobburn e realizado por John Behring.

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