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As We See It, primeira temporada em análise

Os primeiro oito episódios de “As We See it”, da Amazon Prime Video, correspondentes à primeira temporada da série, chegaram à plataforma a 21 de janeiro de 2022. A Prime começou o ano em grande com uma série singular, protagonizada por jovens no espectro do autismo, que agora analisamos. 

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“As We See It” foi uma das principais estreias da Amazon Prime Video no início de 2022 e, caso ainda não tenhas contactado com a série, e sejas fã de comédias dramáticas, esta série é uma experiência a não perder. Aqui, acompanhamos a história de três jovens na casa dos 2o, Jack (Rick Glassman), Harrison (Albert Rutecki) e Violet (Sue Ann Pien), um grupo de jovens que se conhecem desde a infância e que, em comum, partilham um diagnóstico de austismo.

janeiro Amazon Prime Video
As três figuras centrais da série |©Amazon Prime Video

A sua história, apesar de seguir um argumento original, baseia-se na série israelita “On the Spectrum”. Como comédia dramática, “As We See It” é um sucesso, pois consegue equilibrar o autismo como temática central da série sem de forma alguma abafar a personalidade distinta e singular de cada um dos seus protagonistas. Para além disso, atinge uma nova e inédita marca no que diz respeito a representatividade: por vezes há conteúdos televisivos realizados em torno da temática do autismo. Mas são autores autistas a interpretar os protagonistas?

A resposta é, infelizmente, não. Por exemplo, a série adolescente familiar “Atypical”, da Netflix, é verdadeiramente enternecedora, inclusiva e representativa. Todavia, algo muito grave falhou nesta produção – o protagonista não se encontra, de facto, no espectro do autismo. No caso da tríade de protagonistas de “As We See It”, de facto os seus graus de autismo são inferiores aos das personagens que representam mas, ainda assim, partilham o diagnóstico e algumas das lutas das suas personagens. Este pequeno pormenor faz toda a diferença quando falamos de “As We See it”.

Como indicado grupo de protagonistas são jovens a meio da casa dos 20, todos eles no “espectro”, que se conhecem desde a infância. A série acompanha as suas jornadas pessoas – a sua socialização, as suas batalhas laborais, as suas relações de amizade, de amor e familiares, numa visão holística e compreensiva. Outro trunfo a favor de “As We See It” prende-se com o facto de que a experiência de cada um dos três protagonistas é inteiramente distinta. Violet sonha com conseguir arranjar um namorado que a ame e a faça sentir normal, Harrison debate-se com a solidão, fobia e ansiedade e Jack, de longe o mais carismático dos três protagonistas, é o tipo de autista que todos imaginamos – um rapaz incapaz de filtrar a informação que partilha com os outros. Sarcástico, jocoso até, Jack define-se por muito mais do que pelo seu autismo como um jovem inteligentíssimo e com uma língua aguçada.

Sosie Bacon em as we see it amazon
Sosie Bacon como Mandy |©Amazon Prime Video

Para lá da inclusividade, uma bandeira importante da série, “As Wee See It” é genuinamente uma produção divertida, capaz de combinar drama e comédia em doses muito bem equilibradas e que tem também uma nítida componente pedagógica no que diz respeito à experiência do autismo. A única parte mais fraca da produção são os dramas românticos daqueles que não se encontram no espectro do autismo, personagens por norma menos desenvolvidas, com personalidades menos vincadas e dramas comparativamente menos poderosos ou interessantes. Falamos, por exemplo, da Mandy de Sosie Bacon (filha de Kevin Bacon), a tutora legal dos três colegas de casa. Ao longo da temporada vai avançando e recuando na sua decisão de “abandonar” os jovens para continuar a estudar. Mas perante os desafios de Jack, Harrison e Violet, será que Mandy merece todo o espaço que lhe é dado?

“As We See It” é uma criação de Jason Katims, responsável por outros grandes sucessos televisivos, como por exemplo o aclamado drama familiar “Parenthood”. É com entusiasmo que comunicamos que a estreia desta comédia-dramática envolvente foi bem-sucedida e que a segunda temporada foi confirmada em fevereiro. Poderemos esperar por ela em 2023!

TRAILER | AS WE SEE IT É UMA DAS APOSTAS DA PRIME PARA 2022

“As We See it” está disponível, exclusivamente, em território nacional, na Amazon Prime Video portuguesa. Quanto à renovação para a segunda temporada, aguardamos ainda (boas) novidades.

As We See it, em análise
as we see poster analise

Name: As We See it, em análise

Description: Esta série acompanha Jack, Harrison e Violet, colegas de casa nos seus 20 e picos, com transtornos do espectro autista, ao tentarem procurar emprego, aguentar um emprego, fazer amigos, apaixonar-se e avançar por um mundo que lhes escapa. Com a ajuda da família, auxiliares e, por vezes, uns dos outros, vivem derrotas e celebram triunfos nas suas viagens únicas rumo à independência e à aceitação.

Author: Maggie Silva

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  • Maggie Silva - 80
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CONCLUSÃO

“As We See It” representa a vida de três jovens que se situam no espectro do autismo. Porém, esta condição não determina as suas personalidades e ações. Jack, Violet e Harrison, com ou sem autismo, não poderiam ser mais diferentes. Esta diferença nunca é apagada, nesta série tenra onde, quiçá pela primeira vez, são de facto atores autistas a interpretar os papéis centrais.

Pros

  • O foco não apenas nos desafios levantados pelo autismo, mas também nos restantes aspectos quotidianos da vida dos nossos três heróis.
  • A opção de escolher autores que, ainda com graus de autismo mais baixos, como seria de esperar, partilham o diagnóstico com as personagens que interpretam. Este é um gesto raro, sendo o mais habitual vermos os protagonistas deste tipo de conteúdo interpretados por neurotípicos, o que é uma pena.

Cons

  • Sim, Violet tem uma personalidade difícil. Ouvi-la chorar e berrar durante grande parte das suas cenas não deixa, ainda assim, de maçar.
  • As personagens não autistas são menos desenvolvidas, logo mais unidimensionais e, em geral, são menos carismáticas. Parece “não haver espaço” para elas.
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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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