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I’ll Be Gone In The Dark | Episódio especial em análise

A série documental “I’ll Be Gone In The Dark” que relata os crimes do Golden State Killer nos anos 70 e 80 tem finalmente uma conclusão neste episódio especial, onde é também explorado o início da carreira de McNamara.

Michelle McNamara, investigadora e escritora, deixou-nos a sua obra e a sua obsessão por casos não resolvidos, especialmente os referentes a abusos sexuais. Esta paixão não surgiu por acaso e neste episódio especial, intitulado “Show Us Your Face”, viajamos até aos primórdios da sua curiosidade bem como até ao epicentro da ação: o julgamento público de Joseph James DeAngelo, mais conhecido por Golden State Killer, considerado culpado por 50 invasões de propriedade seguidas de violação e 12 homicídios.

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Este episódio começa com uma voz bastante familiar. McNamara explica numa gravação antiga o que a motivou desde o início da adolescência, quando tinha apenas 14 anos, a interessar-se por este tipo de casos. Na sua cidade natal foi brutalmente assassinada Kathy Lombardo e nunca foi encontrado o culpado, também suspeito por ter atacado Grace Puccetti, uma adolescente que voltava para casa depois do ensaio de ballet. Numa época onde mulheres que sofriam este tipo de abusos eram forçadas a calarem-se, a autora acreditava que muitos eram os casos que nem sequer teriam sido reportados. A dor e sofrimento das vítimas motivava McNamara a tentar encontrar justiça, algo que conseguimos perceber claramente pela sua carreira, que envolvia o blog e podcast “True Crime Diary“. Durante os quase 50 minutos de episódio, somos transportados para o primeiro caso que acendeu a chama dos casos não resolvidos em Oak Park e para o último que conseguiu investigar. As revelações que encontramos durante este especial e que levaram a autora a regressar à sua cidade em 2013 são devastadores, principalmente os relatos de Puccetti, que infelizmente continua a viver na sombra do brutal ato que sofreu. A pequena obsessão de McNamara acabou por levar a melhor, ainda antes de terminar o livro “I’ll Be Gone In The Dark”, sofrendo uma overdose acidental com medicação para dormir. Sem desfecho enquanto estava viva, não podemos contudo negar que foi o seu empenho feroz que deu voz às vítimas e não só. Após quase 40 anos, finalmente conseguimos encontrar o culpado dos crimes brutais na Califórnia.

I'll Be Gone In The Dark
Michelle McNamara | © HBO Portugal

O estilo que nos é apresentado ao longo dos 6 episódios da série documental baseada no best-seller de McNamara continua neste episódio especial a ser fielmente retratado. Entre excertos de gravações originais e imagens reais de ambos os casos (Oak Park e Golden State Killer), desta vez somos também confrontados com o vídeo exclusivo do julgamento público de DeAngelo, onde foi finalmente dada a oportunidade a todas as vítimas e sobreviventes a encarar o homem que lhes roubou a adolescência. A cada mulher que se aproxima e enfrenta cara a cara o seu agressor, exprimindo o trauma de anos volvidos sem conseguir uma conclusão para o que aconteceu, sentimos um empoderamento único, vibrante e emocionante. Não raras vezes senti como se estivesse a apoiá-las, a dar-lhes a mão e a encorajá-las a falar, mesmo entre a voz trémula que refletia claramente os anos de repressão vividos. Justiça tinha que ser feita e foi, graças ao esforço conjunto de McNamara e os familiares das vítimas e sobreviventes e o laço infeliz que as uniu, começa aos poucos a dar lugar a um sítio onde florescem de novo sentimentos de confiança.

Ill be Gone In The Dark
Grace Puccetti | © HBO Portugal

Um dos aspetos que nos faz manter sempre colados ao ecrã é realmente a sinceridade dos depoimentos, misturado com efeitos sonoros à altura, que não se revelam demasiado dramáticos. A teatralidade excessiva é inexistente nas reconstituições demonstradas em vídeo e ainda menos nos relatos que escutamos atentamente enquanto emergimos neste universo obscuro. Conseguimos sentir a dor, a hesitação em cada palavra, o alívio, o stress, dando uma realidade nua e crua daquilo que só acreditamos acontecer nos filmes, criando uma empatia imediata com os dois casos, enquanto percorremos os primeiros passos da autora no campo da investigação. Esta era a sua missão: dar voz a quem a perdeu. E quase que romanticamente, o destino cumpriu-se. Poucas horas depois da leitura que o marido Patton Oswalt e os colegas que ajudaram a terminar a obra fizeram em homenagem a McNamara, DeAngelo foi capturado e justiça foi finalmente feita e retratada neste episódio especial.

TRAILER | O EPISÓDIO ESPECIAL DE “I’LL BE GONE IN THE DARK” NÃO TE VAI DEIXAR INDIFERENTE

Este marcante episódio estreia hoje na HBO Portugal, onde podes também assistir à série documental. 

Filipa Carvalho

Metade humana, metade geek, tudo culpa do meu avô que todas as semanas, à segunda-feira, me levava ao cinema à sessão da tarde no Fonte Nova. Depois vieram os vizinhos com as NES e as DreamCasts e o bichinho continuou. Adoro uma boa série de comédia que me faça rir, um filme de terror que me deixe assombrada para o resto do dia e um jogo que me tire o sono. Também faço Gameplays no YT e desabafo no Twitter onde... bem.... o que dizer? Vocês conhecem como funciona o Twitter

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