E, de repente, já estamos a chegar a meio do ano de 2026… Chegados a junho, a MHD traz-te, novamente, os melhores destaques dos cineclubes portugueses (uma rubrica que iniciámos precisamente há um ano, em junho de 2025). Com um roteiro um pouco por todo o país, os cineclubes de norte a sul têm este mês destaques muito diversos. E, pela primeira vez em muito tempo, são os poucos os títulos que se repetem entre diferentes cidades…
Sabemos que, infelizmente, não podes estar em todo o lado ao mesmo tempo; o que é pena, face a uma diversidade tão grande… Assim, procura no nosso artigo mensal a cidade mais perto de ti!
O Cineclube de Viseu já só pensa no Verão e na praia!

Com o início do Verão, o Cineclube de Viseu (fundado em 1955) traz-te o ciclo “Relatos do Calor”, iniciado no mês passado com “Romaria” (2025, Clara Simón). Como é habitual, todas as sessões decorrem às quintas-feiras às 21h no auditório do IPDJ em Viseu.
Assim, junho abre no dia 4 com “Balane 3” (2025, Ico Costa). Trata-se de um documentário filmado em Moçambique, no bairro de Inhambane.
Segue-se no dia 11 “O Estrangeiro” (2025, François Ozon) cuja ação decorre na Argélia colonial de 1938.
Por fim, no dia 18 é exibido o importante filme da Nova Vaga Francesa “Pedro, o Louco” (1965, Jean-Luc Godard). Este título encerra igualmente o ciclo “Filmes pedidos” que comemorou o 70.º aniversário do Cineclube de Viseu. Trata-se de um retrato filosófico sobre assuntos tão diversos como cinema, arte, vida ou morte.
Fora do ciclo é ainda relevante referir que haverá uma sessão especial para marcar o fecho do ano letivo das oficinas de cinema de animação. Assim, no sábado 13 às 16h no Teatro Viriato é exibido o vencedor do Óscar de Melhor Filme de Animação “Flow – À Deriva” (2024, Gints Zilbalodis). Uma animação que reflete sobre problemas ambientais. Também neste dia haverá uma última oficina de cinema de animação dedicada à Construção e Animação de Marionetas.
De relembrar que as sessões do Cineclube de Viseu têm o custo de 5€ para o público geral, 3€ para sócios, estudantes do ensino superior, Amigos Teatro Viriato e Associados ACERT e 2€ para sócios estudantes, desempregados e maiores de 65. Até aos 18 anos, a entrada é gratuita. Por fim, a oficina tem um custo de inscrição de 20€.
No Cineclube de Guimarães, reflete-se sobre Hollywood e incapacidades

Subindo mais um pouco a Norte, o Cineclube de Guimarães, fundado em 1958 é, como sempre, aquele que te traz mais programação. Este mês são oito sessões que poderás ver. Uma acontece no Teatro Jordão e as restantes no Centro Cultural Vila Flor.
Com uma programação com diferentes ‘vertentes’, dividimos as sessões especiais das restantes.
Sessões especiais
Logo a abrir a programação de junho, na quarta-feira 3 às 21h15 no Teatro Jordão, há uma sessão integrada no âmbito dos Festivais Gil Vicente com “Gaivotas em Terra” (2025, JUNO). Trata-se de um documentário com entrevistas aos atores da peça “A Gaivota”, encenada por João Pedro Vaz.
Depois, há duas sessões do ciclo “Os Dez de Hollywood”, ainda dentro do programa “Abril com cantigas do Maio” em colaboração com a Câmara Municipal de Guimarães. Na terça-feira 16 às 21h15 poderás, então, ver “Trumbo” (2016, Jay Roach), uma biografia sobre o famoso argumentista perseguido na época da Lista Negra / macarthismo. A sessão contará com a apresentação do crítico de cinema e argumentista Daniel Ribas. Por fim, na terça-feira 23 às 21h15 é exibido “Na Lista Negra” (1991, Irwin Winkler) sobre um realizador afastado de Hollywood pelo senador McCarthy. A sessão contará com a apresentação do realizador José Filipe Costa.
Sessões ‘regulares’
Para o resto do programa, o Cineclube de Guimarães tem ainda mais 5 títulos para veres em junho.
Assim, no domingo 7 às 21h15 vais poder ver “Mais Forte Que Eu” (2025, Kirk Jones) sobre um homem diagnosticado com Síndrome de Tourette.
Segue-se no domingo 21 no mesmo horário “Surda” (2025, Eva Libertad) sobre uma mulher surda insegura com o nascimento da sua filha.
Na quinta-feira 25 às 21h15 podes ver o último filme de António da Cunha Telles: “Cherchez La Femme” (2026), cuja ação decorre na viragem do século XIX para XX.
Quase a fechar o mês, no sábado 27 às 17h, há a habitual sessão para as crianças com o filme “Mumbo Jumbo” (2026, Karsten Kiilerich) sobre um hipopótamo que cresce de repente.
Por fim, no domingo 28 às 21h15 o encerramento da programação de junho acontece com o muito esperado “O Dia da Revelação” (2026, Steven Spielberg). Um filme que nos questiona sobre a nossa própria existência.
Informações de bilheteira
As sessões do ciclo “Os Dez de Hollywood” voltam a acontecer no pequeno auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), enquanto as restantes sessões acontecem no grande auditório (exceto a de dia 3). As sessões especiais têm entrada gratuita, tal como o filme infantil de dia 27. Para as restantes sessões, os sócios têm entrada gratuita, mediante o pagamento de uma quota mensal de 3,50€.
Em Torres Novas, Portugal, Espanha e Palestina

Já no Ribatejo, fundado em 1960, o Cineclube de Torres Novas tem as suas sessões às terças-feiras às 21h30 no Teatro Virgínia, com o preço único de 3€.
A programação começa, pois, esta terça-feira 2 com “Histórias do Vale Bom” (2025, José Luis Guerín), um documentário sobre migrantes.
Na terça-feira 9 chega o filme português “Damas” (2025, Cláudia Alves) sobre enfermeiras durante a I Guerra Mundial.
Já no dia 16 podes ver “Palestina 36” (2025, Annemarie Jacir) que aborda a ocupação britânica da Palestina.
Por fim, no dia 23 chega o documentário “Paraíso” (2025, Daniel Mota) sobre a cultura rave.
Histórias íntimas e poderosas na Póvoa de Varzim

Um pouco acima do Porto localizam-se as sessões do Cineclube Octopus, mais concretamente na Póvoa de Varzim. Fundado em 1983, realiza as suas sessões à quinta-feira às 21h45 no Cine-Teatro Garrett.
A programação de junho abre, portanto, no dia 3 com “Nino” (2025, Pauline Loquès), sobre um jovem diagnosticado com cancro.
Depois, no dia 11 podes ver “Os Domingos” (2026, Alauda Ruiz de Azúa), sobre uma jovem de 17 anos que pretende ser freira.
Segue-se no dia 18 o documentário “Nossa Terra” (2025, Lucrecia Martel) que reflete sobre o colonialismo e a expropriação de terras.
Por fim, no dia 25, a programação termina com “Caso 137” (2025, Dominik Moll), um drama sobre a investigação de um tenso protesto.
A saber, as sessões têm entrada gratuita para sócios (com quota de 45€ anuais). Para os não sócios, a entrada tem um custo de 4€. Há ainda descontos para menores de 20 anos: um grupo de 2 pessoas fica a 2€/pessoa e um grupo de 4 ou mais pessoas fica a 1€/cada.
Viana do Castelo tem dramas contemporâneos e intemporais

Em Viana do Castelo, a AO NORTE – Associação de Produção e Animação Audiovisual apresenta em junho cinco sessões cineclubistas. Fundada em 1994, esta associação/cineclube tem as suas sessões à segunda-feira às 21h30 no Cinema Verde Viana.
A programação abriu, portanto, ontem com “Entroncamento” (2025, Pedro Cabeleira).
Na próxima segunda-feira 8 vais poder ver “Kontinental ’25 (2025, Radu Jude) onde uma mulher lamenta a morte de um sem-abrigo.
No dia 15 chega “Urchin – Pelas Ruas de Londres” (2025, Harris Dickinson) sobre um jovem toxicodependente que pretende mudar de vida.
Por fim, no dia 29, o mês encerra com “Olhar o Sol” (2025, Mascha Schilinski). Trata-se de um retrato de uma família alemã ao longo de um século, especialmente a partir do ponto de vista feminino.
De referir que os alunos do ensino secundário e superior têm direito a entrada gratuita em todas as sessões, desde que o solicitem antecipadamente.
No Cineclube de Joane, há cinema, cultura e existencialismo

Igualmente a Norte, o Cineclube de Joane foi fundado em 1998 e tem sessões às quintas-feiras às 21h45 no pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.
No caso deste cineclube há dois filmes repetentes: “O Estrangeiro” (a 4 de junho) e “Kontinental ’25” (a 25 de junho). Estes dois filmes podem igualmente ser vistos em Viseu e Viana do Castelo, respetivamente.
Para lá destes dois títulos, podes ainda ver: “Romaria” (2025, Carla Simon) e “Mr. Nobody Contra Putin” (2025, David Borenstein e Pavel Talankin). O primeiro é exibido no dia 11 e conta a história de uma jovem de 18 anos que parte em viagem para reencontrar os seus avós paternos que já não vê desde pequena. O segundo é exibido no dia 18 e foi vencedor do Óscar de Melhor Documentário. É a história de um professor russo que desmascara o regime de Putin, nomeadamente do ponto de vista da reeducação na infância.
Em Abrantes, História, documentário e justiça

De regresso ao Ribatejo, partilhamos agora a programação do Espalhafitas – Cineclube de Abrantes. Fundado em 2002, tem as suas sessões às quartas-feiras às 21h30 no Centro Cultural Gil Vicente no Sardoal.
A programação inicia-se com um filme que também podes ver numa cidade vizinha: Torres Novas. Assim, no dia 3 podes ver “Damas”. A sessão de Abrantes tem a vantagem de ter a presença da realizadora, atriz e produtor para uma conversa com o público.
Na quarta-feira seguinte, 10, podes ver “Fuori” (2025, Mario Martone), um filme passado nos anos 1980 onde uma escritora é presa.
Segue-se no dia 17 “Uma Mãe e o Seu Filho” (2025, Saeed Roustaee) sobre uma enfermeira que cria sozinha os dois filhos. No entanto, um acidente troca-lhe as voltas e ela pede justiça.
Por fim, no dia 24, a programação termina com “Aprender” (2024, Claire Simon), um documentário intimista sobre professores e alunos no ensino primário francês.
No Cineclube Vilafranquense discutem-se colonialismos

A fechar os nossos destaques, temos o Cineclube Vilafranquense. Fundado em 2023, a associação traz-te quatro sessões em junho, sempre aos sábados às 16h.
Assim, no dia 6, a programação começa em grande com “O Agente Secreto” (2025, Kleber Mendonça Filho). Trata-se de um retrato do Brasil durante a ditadura militar.
No dia 13 podes ver “Chile, 1976” (2022, Manuela Martelli), um filme sobre a resistência ao regime de Augusto Pinochet.
Segue-se no dia 20 “Magalhães” (2025, Lav Diaz) que aborda a ocupação portuguesa da Ásia no século XVI. Por fim, no dia 27, o Cineclube Vilafranquense leva a cabo um debate sobre o colonialismo no cinema, a partir do filme “Magalhães”.
A saber: todas as sessões decorrem no auditório da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira e custam 2,5€ para sócios e 5€ para não sócios.

