Crimson Peak – A Colina Vermelha | Mini-Crítica

 

“Crimson Peak – A Colina Vermelha” resgata temas do romance clássico e do terror gótico na construção de um híbrido visualmente opulente que nos leva de volta aos velhos filmes de casas assombradas.

 

FICHA TÉCNICA

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Título Original: Crimson Peak
Realizador: Guillermo del Toro
Elenco: Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston, Charlie Hunnam
Género: Romance gótico
NOS | 2015 | 119 min[starreviewmulti id=18 tpl=20 style=’oxygen_gif’ average_stars=’oxygen_gif’] 

 

Diz Edith (Mia Wasikowska) ao baronete Thomas Sharpe (Tom Hiddleston) que a história que escreveu não é um conto de fantasmas, mas sim um conto com fantasmas nele contido. O mesmo podemos desde já clarificar em relação ao novo filme de Guillermo del Toro, “Crimson Peak – A Colina Vermelha”. É que, na realidade, estamos perante um trágico romance gótico na sua essência e, portanto, bem longe dos jump scares aterrorizantes que quase se exigem por antecipação a um filme com tal premissa: uma jovem fatalmente atraída pelo suprassumo da elegância masculina que é levada para uma casa assombrada pelos dilacerantes fantasmas de del Toro.

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Aqui, os fantasmas são apenas metáforas para o passado, como já o eram em “Nas Costas do Diabo” que, juntamente com a sua obra-prima “O Labirinto do Fauno” e este seu mais recente “Crimson Peak”, constituem os três filmes pelos quais del Toro tem mais orgulho em ter realizado. Também a atmosfera e a ânsia desenfreada pela resolução da intriga, remetem-nos para um Hitchcock apaixonado pelo mistério de “Rebecca”, o guarda-roupa é uma memória de “Great Expectations”, de Charles Dickens, a opulente valsa de Edith e Thomas parece saída de “Il gattopardo”, de Luchino Visconti, e até o banho de Edith embebido em gritos é uma referência a “The Shining”, de Kubrick.

Por tudo isto, “Crimson Peak” constitui-se como uma sublime manta de retalhos, que coleciona referências clássicas a cada esquina, mas que nunca quer ser mais do que uma mera manta de retalhos.

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Sublinhe-se a riqueza dos cenários, a sumptuosidade dos figurinos e a paleta de cores e luzes da arrebatadora cinematografia. Dê-se ainda o devido destaque ao trabalho dos seus atores, com Mia Wasikowska e Jessica Chastain como prato forte, e saúde-se o regresso de del Toro à sua terra natal habitada pelos monstros que tanto ama. Estas são razões suficientes para não deixar de perder de vista o melodramatismo fatídico de “Crimson Peak”.

O problema está exatamente na referida manta de retalhos: podemos sair da sala de cinema – IMAX, de preferência – muito satisfeitos, mas ficamos com a inevitável sensação de já ter visto isto em qualquer lado. E numa versão melhor.

O PIOR – Os fantasmas em CGI. E o facto de nada aqui ser novidade.

O MELHOR – A opulência visual. Os cenários, figurinos e os atores.

 

DR 

Daniel E.S.Rodrigues

Sonho como se estivesse num filme de Wes Anderson, mas na verdade vivo no universo neurótico de Woody Allen. Sou obcecado pela temporada de prémios, e gostaria de ter seguido a carreira de cartomante para poder acertar em todas as previsões dos Óscares, Globos de Ouro (da SIC), Razzies, Troféus TV7 Dias e Corpo do Ano Men's Health. Mas, nesse universo neurótico e imperfeito em que me insiro, acabei por me tornar engenheiro. Sigam-me no Instagram para mais bitaites sobre Cinema, Música, Fotografia e outras coisas desinteressantes.

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