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We Children From Bahnhof Zoo, primeira temporada em análise

Inspirado no best-seller de Christiane F., “Os Filhos da Droga”, chega esta série que não é apropriada para os mais sensíveis, fica desde já o aviso. “We Children From Bahnhof Zoo” estreia dia 27 de fevereiro na HBO Portugal e não vai deixar ninguém indiferente.

Pela sinopse da série, percebemos logo que o conteúdo a que vamos assistir não é apropriado para todas as idades, por isso fica desde já o aviso: se é de uma produção leve e divertida que procuras, provavelmente será melhor procurares outra série. Contudo, se queres ser levado por uma boa dose de adrenalina, numa jornada pela adolescência irreverente de seis jovens pela cidade de Berlim, estás no sítio certo. “We Children From Bahnhof Zoo” surpreende logo a partir dos primeiros minutos, com Jana McKinnon a interpretar com toda a confiança a protagonista Christiane, uma adolescente no meio do caos emocional da relação disfuncional dos pais. Conseguimos sentir quase imediatamente um clima de tensão e hostilidade, principalmente por parte da mãe, Karin (Angelina Häntsch), que transparece o cansaço de uma relação longa e inconsequente (acabando por descobrir mais tarde o porquê). O ambiente na escola também não parece ser o melhor: após ter uma experiência de quase morte num elevador, vê-se gozada pelos colegas que “carinhosamente” lhe chamam “Banana”.

Stella (Lena Urzendowsky), a melhor amiga de Christiane também enfrenta alguns problemas pessoais: a mãe é alcoólica e os irmãos estão a seu cargo. Com demasiadas responsabilidades para uma rapariga tão jovem, a miragem de poder ter alguma felicidade sem se preocupar com os outros parece demasiado longe de acontecer. Por outro lado, a misteriosa Babsi (Lea Drinda), oriunda de uma família controladora com grandes posses, que não entende os ímpetos da jovem com um espírito livre, mas frágil. E, por último, os três Misfists (existe até um easter egg muito interessante, em que um deles está mesmo a utilizar uma t-shirt da banda): Benno (Michelangelo Fortuzzi), Axel (Jeremias Meyer) e Michi (Bruno Alexander), que vivem sozinhos e se apoiam no consumo de drogas (desde as leves às mais pesadas) para lidar com os problemas familiares que os levaram até ali.

We Children from Bahnhof Zoo
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Este cocktail bombástico, que tem tudo para dar errado, cruza-se num dia fatídico para nunca mais ser o mesmo. As cenas que acontecem a partir daqui podem chocar os mais sensíveis, mas a verdade é que esta história, baseada em factos verídicos, acaba por colocar em perspetiva tudo aquilo que podemos considerar de menos positivo nas nossas vidas. Entre casos de violência doméstica, violação, manipulação sexual, orgias e prostituição, a “força” que eles encontram nas drogas, que rapidamente e de forma vertiginosa se torna na sua maior fraqueza, mostram com muito realismo (às vezes até demais) como o seu consumo excessivo transforma, de forma muitas vezes irreversível, as pessoas.

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O constante escape à realidade é o que os leva a juntarem-se, na discoteca “Sound”, num concerto do David Bowie (fazendo aqui uma referência ao filme original) ou apenas no apartamento degradado de Benno, Axel e Michi para, a pouco e pouco, passarem dos consumos mais leves aos mais pesados, Não há nada que não seja retratado ao ínfimo pormenor no que consta a esta parte – desde as alucinações à sensação de tranquilidade, a consequente ressaca e até aos momentos onde não existindo dinheiro para a próxima dose, se começa a revelar a sombra de cada personagem, fazendo literalmente tudo o que podem para saciarem a sede de mais.

We Children From Bahnhof Zoo
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O declínio evidente em que se desencadeia a narrativa faze com que, a longo prazo, se torne demasiado pesado ver esta realidade, que existe, mas preferimos não encarar de frente. Contudo e na minha opinião, este acaba por ser também um dos pontos mais fortes a destacar desta produção, juntamente com todo o cenário visual que teletransporta automaticamente o espectador exatamente para onde deve: para os míticos anos 70 onde os padrões e os cabelos esvoaçantes faziam furor. As interpretações são também de louvar, principalmente se pensarmos que estes jovens atores estão no início das suas carreiras. É impressionante a entrega de Jana McKinnon, Michelangelo Fortuzzi e Lena Urzendowsky particularmente, pelo realismo com que conseguiram encarar as suas personagens, que nos fazem emergir totalmente em cada episódio, chegando ao seu culminar numa qualquer esquina da cidade, totalmente consumidos por este mundo.

A obra original “Os Filhos da Droga”, recomendada em Portugal pelo Plano Nacional de Leitura e retratada nesta série de oito episódios, transporta-nos para um mundo arrepiante onde a dependência é o protagonista, na procura por uma felicidade que nunca chega a existir.

TRAILER | ASSISTE AO TRAILER DA SÉRIE “WE CHILDREN FROM BAHNHOF ZOO”

“We Children From Bahnhof Zoo” estreia a temporada completa no dia 27 de fevereiro, na HBO Portugal.

We Children From Bahnhof Zoo, em análise
We Children from Bahnhof Zoo

Name: We Children From Bahnhof Zoo

  • Filipa Carvalho - 70
70

CONCLUSÃO:

O carácter realista com que esta série retrata o abismo dos excessos, sejam eles refugiados nas drogas ou em outro tipo de estupefacientes, faz com que este seja o seu ponto mais forte e a sua maior fraqueza: por um lado, a consciencialização do espectador para uma realidade que não vive tão longe de nós como pensamos, que nos faz encarar de frente as consequências nefastas destas dependências, tanto a nível físico como emocional e mental estão personificadas ao mais ínfimo pormenor, por outro lado, pode tornar-se demasiado pesado principalmente se considerarem ver os oito episódios de seguida. A conclusão de que um prazer momentâneo não vale o resto das nossas vidas é sem dúvida a lição a retirar desta magnífica produção.

Pros

A interpretação dos seis protagonistas, a viagem visual e o retrato realista das situações de dependência.

Cons

Cenas demasiado violentas a nível psicológico em alguns episódios, que podiam ter um pequeno aviso no início do mesmo para não sermos apanhados desprevenidos.

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Filipa Carvalho

Metade humana, metade geek, tudo culpa do meu avô que todas as semanas, à segunda-feira, me levava ao cinema à sessão da tarde no Fonte Nova. Depois vieram os vizinhos com as NES e as DreamCasts e o bichinho continuou. Adoro uma boa série de comédia que me faça rir, um filme de terror que me deixe assombrada para o resto do dia e um jogo que me tire o sono. Também faço Gameplays no YT e desabafo no Twitter onde... bem.... o que dizer? Vocês conhecem como funciona o Twitter

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