Damon Salvatore em The Vampire Diaries (©The CW/HBO Portugal)

Do Outro Lado de Vampire Diaries (Parte III)

Em The Vampire Diaries tudo podia ter sido doutro modo. Mostrando que na arte, se as coisas fossem diferentes do outro lado do espelho, deste lado o rosto não seria o mesmo, ou não seria de todo.

“Today will be different”: a contingência da criação

A identidade própria de The Vampire Diaries, a sua autonomia face ao material de origem e o desbravar de um caminho que distinguisse o programa do embaraçoso complexo de livros e filmes Twilight, por um lado, e da icónica série pós-moderna de Joss Whedon, por outro, deve-se em parte à história concreta dos produtores executivos, mas não só. Um conjunto de felizes acasos, acontecidos tanto durante a pré-produção como depois, e a percepção do potencial neles contido explicam muito do sucesso e diversidade da série. A actividade de interpretação é um esforço de coesão, a tentativa de construir uma explicação que integre coerentemente todos os elementos mais ou menos díspares que compõem o objecto e a sua vizinhança. A explicação será tão mais bem-sucedida quanto mais relevante tornar o objecto (para o quê e para quem depende das circunstâncias) e quanto mais tudo acerca dele aparecer como não podendo ter sido de outro modo senão do modo como é. Tudo é visto como intencional, a presença e a configuração de cada componente explicada como fruto de uma decisão consciente, tomada com vista a uma finalidade, à expressão de um sentido único (ou complexo de fins, de sentidos interrelacionados num todo coeso). Assim, do lado da leitura tudo é visto como uma necessidade inevitável.

Mas do outro lado do espelho – do lado da criação – as coisas passam-se de forma mais inconsciente, casual e caótica, mesmo se sempre razoável, fruto da inteligência e do conhecimento adquirido no seio de uma prática. Há uma larga margem para o acontecer imprevisível de eventos fortuitos que podem ser aproveitados ou descartados com base no maior ou menor juízo e habilidade das pessoas envolvidas. A obra de arte resulta em parte de uma série de contingências. De certos acidentes venturosos que, podendo não se ter dado, acabam por ser percebidos, em retrospectiva, como tendo sido necessários, fundamentais para fazer da obra o que é, para constituir uma identidade que não se quereria diferente em nada (bom, talvez quase nada, há sempre uma ou outra imperfeição a apontar ou melhoria a sugerir). Este espaço do que foge ao domínio do criador abre uma frecha para a fortuna, a inspiração, o subconsciente ou os deuses poderem agir, favorecendo-nos a todos e provocando uma vertigem ao pensamento de que as coisas podiam ter sido de outro modo. No caso de The Vampire Diaries algumas das casualidades que todo o fã vê a posteriori como escritas nas estrelas estiveram quase para não ser. E, por falar de deuses, um desses acasos revelar-se-ia tão decisivo para o destino da série que Andy Swift da TV Line intitulou-o de “Ian-spiração divina”[1].

Damon Salvatore (Ian Somerhalder) e Elena Gilbert (Nina Dobrev)
Elena e Damon em “The Hybrid” (©The CW/HBO Portugal)

Vampire Diaries quase não existiu

A arduidade e serendipidade que presidiram ao nascimento do projecto, à reunião do elenco e à filmagem do piloto estão bem documentadas em várias entrevistas retrospectivas publicadas por altura do décimo aniversário da série, em 2019. Ainda segundo a reportagem da Entertainment Weekly[2], o piloto já tinha um realizador quando Marcos Siega apareceu e, onde todos reparavam no terror – não era esta afinal uma série criada pelo argumentista de Scream? –, Siega via um romance. Mas foi precisamente esse argumentista quem, trocando com Plec um olhar de mútuo entendimento, escolheu Siega pela perspicácia com que percebera a centralidade do triângulo amoroso à série. Não por acaso o risco estava todo na escolha do trio dos protagonistas. Nina Dobrev tinha inúmeras audições e não era fácil, no meio do tornado, decidir ao que ir ou deixar passar. Submeteu apesar de tudo uma cassete mas, adoentada, a audição correu-lhe mal e simpaticamente despediram-na. Descontente com a prestação, enviou do Canadá nova cassete e repetiu a audição, mostrando a todos que o papel era dela. Não fora o brio da actriz e Elena Gilbert talvez tivesse mesmo acabado por ser Ashlee Simpson.

O papel de Stefan Salvatore era o mais difícil de atribuir porque a personagem fantástica criada por L. J. Smith reunia um conjunto impossível de qualidades, das quais ser um vampiro era a mais fácil. O actor que o desempenhasse teria de ter a idade de um estudante de liceu, possuindo tanto o rosto e o carisma de um quebra-corações como uma profundidade interior capaz de dar vida aos séculos de perda e solidão, remorso e fúria latente que compõem o herói da tetralogia. Desejando intimamente este papel, mas sabendo-se um pouco velho para ele, Paul Wesley realizou inúmeras audições para outros papéis na série, incluindo o de Damon. Embora fosse um dos candidatos preferidos da equipa de casting, Williamson e Plec julgaram-no destituído de sentido de humor para o papel de Damon e, sempre pouco impressionados, foram-no pondo de lado. Só a pressão de chegar à rodagem sem o actor principal convenceu os produtores a aceitar que Wesley contracenasse com Dobrev para o papel de Stefan. Wesley evitou, ao contrário dos restantes candidatos, confraternizar primeiro com a actriz: “Queria entrar na sala com a Nina e ter a nossa primeira cena a ser literalmente a primeira vez em que falávamos, que é exactamente o que a cena pede. Suponho que o meu plano resultou.”[3] A tensão entre eles tornou evidente que o actor recusado inúmeras vezes era a pessoa certa.

“Todos os três principais foram muito difíceis de seleccionar, mas [Stefan] foi particularmente difícil por estarmos a tentar ser tão fiéis à maneira como o romance o descrevia – como o apresentava,” explica Williamson. “Fizemos o Paul Wesley passar um mau bocado. Ele deve ter ido a umas cem audições. O director de casting adorava-o, mas eu estava relutante, porque não o estava a ver no papel. A sua representação era realmente boa e ele tinha aquele lado taciturno que funciona bem com esta espécie de vampiro atormentado, assombrado, mas não o estava a ver até termos encontrado a Nina [Dobrev]. Uma vez postos juntos e testados, vi-o. ‘Ok, eles conectam, isto é perfeito.’ Para mim, ele veio à vida quando encontrámos a Nina.”[4]

Se Williamson e Plec quase perderam, por falta de visão, a perfeita encarnação de Stefan, o mesmo não aconteceu com a escolha daquele que faria de Damon Salvatore a estrela da série, roubando ao irmão não só a namorada como o espectáculo e arrancando à audiência o coração, a L. J. Smith a personagem e aos argumentistas, com a cumplicidade deles, o poder sobre a história. Ao receber o guião, Ian Somerhalder pô-lo de lado, não tendo interesse em participar no que via como “Twilight na televisão”. Estava em Vegas quando resolveu lê-lo apesar de tudo, arrependendo-se logo do seu desprezo e telefonando de volta. Marcado o encontro para o dia seguinte às onze da manhã, Somerhalder teve de se levantar às cinco e, enquanto atravessava o deserto à noite de carro, foi percebendo a personagem de Damon. De pouco lhe serviu, porque a audição na rede de televisão correu tão mal que, mesmo sendo ele o único actor com alguma projecção pública, graças ao papel de Boone Carlyle em Lost, a CW insistia em preteri-lo a favor de outro actor cuja audição fora melhor. Mas Kevin Williamson não queria mesmo este último e estava tão seguro de que Somerhalder era a escolha certa que ameaçou deixar o programa se não o seguissem na sua intuição: “Posso escrever para ele de um modo que não consigo escrever para o outro”[5].

The Vampire Diaries | As audições do elenco

Vampire Diaries quase não existiu assim

Reunido finalmente o trio de actores sem o qual seria impossível avançar com a adaptação da tetralogia, ainda assim não era certo que o piloto resultasse. O começo das filmagens foi atribulado, com a cena do corvo a bater contra o vidro do carro de Elena a não resultar. Só quando ela e Stefan se encontram no cemitério é que todos perceberam ter entre mãos qualquer coisa especial que podia ressoar na audiência. Julie Plec conta à TV Guide que, quando estavam a filmar a cena, “foi tão potente e tão mágico que olhámos uns para os outros e dissemos ‘se isto funcionar com toda a gente como está a funcionar connosco, acho que vai correr bem’”.[6] Funcionou. A estreia do piloto alcançou uma audiência de 4.9 milhões de espectadores, a maior da CW até então (as primeiras quatro temporadas manteriam uma média de 3 milhões com as restantes quatro a baixar para 2 milhões).

Ainda assim, a série levou alguns episódios a encontrar a sua própria identidade, a decidir o que queria ser, quanto dos livros de L. J. Smith deixaria para trás. O corvo retirado do enredo original funcionava tão mal, assim como o nevoeiro e vários outros poderes sobrenaturais, que não sobreviveram aos primeiros episódios. Não era bom nem barato que os vampiros fossem demasiado poderosos, dificultando a tarefa aos escritores de lhes criar obstáculos, e a sobriedade e o realismo de Williamson e Plec levaram-nos a eliminar o excesso. Paul Wesley relembra o seu salto do telhado como um dos pormenores que traz ao piloto um sabor datado, ao invés do resto da série “que parece mais intemporal”[7]. Ian Somerhalder, tendo levado algum tempo a habitar e habituar-se à pele do seu vampiro, refere-se à dança com Vicki no episódio “Lost Girls” como o momento onde percebeu quem Damon era suposto ser. A mesma Vicki, ou melhor, o seu pescoço partido, ofereceu a Kevin Williamson a oportunidade de definir a série como o “programa de horror gótico, sensual e moderno, cheio de romance épico, amor épico, perigo épico e horror épico” que desejava, uma série capaz de eliminar alguém do elenco principal, numa altura em que “os programas não andavam a matar os seus regulares tão… regularmente”, uma série onde “uma das principais personagens românticas era um assassino a sangue-frio”[8].

Vicki Donovan (Kayla Ewell) em Vampire Diaries
Vicki em “Friday Night Bites” (©The CW/HBO Portugal)

Mesmo mais tarde, algumas das linhas de enredo principais e caracterizadoras da série dependeriam de factores da vida real. A morte da tia Jenna, necessária para marcar “o fim da infância de Elena”, teria acontecido bem mais cedo “não fora a atriz ser tão estimada”[9]. E a multiplicação do vilão Klaus, introduzido por L. J. Smith em Dark Reunion, numa inteira família de Originais não estava nos planos dos produtores: “a espécie de sarilhos do Niklaus ia ser inicialmente a operação de um só homem”. Mas como estava, mais uma vez, a ser difícil encontrar um actor que desempenhasse bem o papel, no momento em que Klaus deveria entrar pela primeira vez em cena, Williamson limitou-se a escrever “aparece um homem”. Interrogado pelos argumentistas sobre quem era o homem, respondeu que “uhhh… é o ajudante de Klaus”. Perplexidade do auditório: “O ajudante?” Reformulação no momento: “O irmão dele”[10]. Afortunada lembrança que acabou por ir ao encontro de uma série imaginada para ser sobre a família. Por isso, Elijah rapidamente se converteu num clã, assim que, noutra feliz contingência, Joseph Morgan apareceu para interpretar o vilão preferido de toda a gente. Não admira que, para evitar que Plec levasse a sua avante e conseguisse para o já deveras derrotado Damon uma vitória às custas de Klaus, Michael Narducci e Kevin Williamson o tivessem tornado imortal.[11] Claro que o maior e mais decisivo transtorno foi a saída de Nina Dobrev no final da sexta temporada, mas disso falaremos mais à frente. Para já, concentremo-nos na pergunta com que começámos. Não falta, é verdade, espaço na arte para o imprevisível e o improvisado, mas como explicar que, numa adaptação que sempre se desejou fiel nas linhas principais do tom e do enredo, a personagem principal tivesse mudado e ficado com a rapariga?

“You got the girl”: Damon rouba o protagonismo

Regressemos à divina inspiração de Kevin Williamson em atribuir a Ian Somerhalder o papel de Damon Salvatore. Há quem a considere a personagem mais carismática do romance original e alguns dos seus atributos mais cáusticos e cativantes estão presentes no sósia televisivo. Mas isto não chega para explicar a afeição granjeada pela encarnação de Somerhalder do infame irmão, ou o sub-reptício deslize primeiro de vilão a anti-herói e depois de anti-herói a protagonista. Nem os atributos mais óbvios do actor justificam ter ficado com a rapariga no final da história, mesmo se o terão ajudado de maneiras nem todas fingidas e por razões não apenas fotogénicas. Reza a lenda e documenta o ecrã que, num momento crucial passado em certo motel de Denver, Elena Gilbert confundiu os planos e quebrou a quarta parede, trocando o nome da personagem pelo do actor, deslize (muito compreensível) que a pós-produção afogou em Florence + The Machine. Mas Damon já ultrapassava Stefan nesse campo no livro e de nada lhe valeu, mesmo se alguns leitores poderão ter ficado desiludidos. E a vantagem que a imagem possa ter sobre a palavra, no que respeita a atributos desse teor, não é tão forte que altere o plano inicial dos criadores.

Numa entrevista de Agosto de 2011, discutindo o dilema em que Elena se encontra no final da segunda temporada, Kevin Williamson conta que a série “é uma história acerca do romance de Elena e Stefan”. E acrescenta: “Julgo que tem graça ver as curvas e voltas que daremos. Porque sabe que mais? Ela não sabe.”[12] Ele também não, pelos vistos. Anos mais tarde, em 2017, comentando o episódio final da série, confessaria que “sempre pensei que seriam Stefan e Elena”[13]. Torna-se impossível não sentir toda a ironia pós-moderna – ou só mesmo o gesto surreal à Buster Keaton em Sherlock Jr (1924) ou Woody Allen em The Purple Rose of Cairo (1985) – de personagens que escaparam ao autor, entrando e saindo do ecrã para viverem como queriam e não como lhes mandavam. A realidade influi na ficção eliminando alguns dos seus mundos possíveis, por vezes de modos bem contrários aos desejos de quem está aos comandos: “Não é segredo nenhum que sempre fui fã de Stefan e Elena terminarem juntos no final. Num outro universo, esse teria sido o final, mas não tivemos tempo de contar essa história na última temporada porque não tínhamos Elena. Não conseguimos juntá-los outra vez”[14]. Regressado a The Vampire Diaries para colaborar na escrita do último episódio, Williamson teve de reconhecer e obedecer a uma intencionalidade desenhada pela obra que, muito por culpa sua, acabara por não coincidir com a sua intenção.

The Vampire Diaries | Sentido de humor de Damon

O co-autor de Damon Salvatore

Se o Damon Salvatore televisivo acabou por ter um percurso bem distinto do Damon Salvatore literário, a ponto de alterar a história nos seus traços principais, muito se deve ao actor que o interpretou, em ambos os sentidos de entender num certo sentido a personagem literária e de encená-la segundo esse entendimento. Numa entrevista à GQ.com, vislumbra-se o contributo de Somerhalder em criar, delinear a versão televisiva: “O que eu queria que Damon fosse era uma louca combinação de Velho Mundo entre Cary Grant e Mick Jagger”. E o actor conta uma cena de um documentário, onde a resposta de Keith Richards a um jornalista que lhe pergunta como definiria ele o rock’ n’ roll capsulava o caráter do vampiro: “O Keith Richards está ali, diz ‘Eu’ e vai-se embora. Isso é tão Damon.”[15] Mas os traços do novo Damon Salvatore devem-se ainda ao impacto que a personalidade de Somerhalder teve nos argumentistas responsáveis por escrever as partes dele, a começar pelo próprio Kevin Williamson: “Damon não era suposto ser tão sarcástico, mas o Ian era tão bom nisso, que me atirei logo. E adorei escrever o Damon. Era uma delícia. Toda a gente dizia ‘deve ser um papel divertido de desempenhar’ mas foi também um papel divertido de escrever. E a Julie pôs tudo isso nas minhas mãos. ‘Tu escreves tudo o que é do Damon, ele é todo teu.’ Ela escreveria a maior parte do material de Elena.”[16] Williamson podia torcer pelo romance idealizado de Elena e Stefan (como aliás já acontecera com Joey e Dawson), mas Damon era a sua personagem predilecta[17]. A personagem para a qual mais gostara de escrever fora “Damon, sempre Damon”[18]. E o que não faltava era margem para o produtor dar largas à criatividade. Uma tetralogia juvenil não oferece material suficiente nem suficientemente desenvolvido para sustentar uma série de 171 episódios. Embora uma das características da versão literária fosse o conflito interior entre as duas naturezas de vampiro e humano, restava muita indefinição e espaço em branco tanto em qualidade como em quantidade. O sentido de humor, com o seu veio de meta-comentário à narrativa e paródia de género, foi um dos traços que a dupla Williamson e Somerhalder acrescentou à personagem: “A Damon cabe ser a nossa Buffy. Damon fica com as tiradas atrevidas, a gíria cómica, o sarcasmo, o diálogo exagerado, porque Damon tem tanto estilo que se consegue safar com isso”[19]. Mas não só.

The Vampire Diaries | As melhores memórias do elenco

Embora Damon fosse um vilão e o primeiro antagonista da história, sendo uma das personagens principais era preciso que não permanecesse um estereótipo mas sofresse uma evolução. Não é, contudo, fácil para uma figura malévola e cómica germinar em si, fazendo-o emergir lentamente, um estrato humano de compaixão, romance e conflito moral de forma coesa e convincente, sem eliminar os traços tendencialmente mais caricaturais de vilão sarcástico mas fazendo-os conviver, coalescer com os traços de sensibilidade humana que se vão revelando e amadurecendo. Mais difícil ainda porquanto era preciso que Damon se humanizasse sem se converter noutro Stefan, entrando na categoria de vampiro atormentado de um modo só seu, sem perder a sua personalidade.

Percebe-se que Williamson tivesse levado o seu tempo a modular esta personagem, deixando-se interrogar por ela: “Adoro escrever para o Damon. Trata-se de me manter fiel ao que Damon é, e Damon é um assassino. Ele é movido por este amor pela Katherine, a quem está tentar trazer de volta, mas Damon é, na sua essência, um assassino. Ele é negro e se alguém espera que se suavize de repente terá de esperar muito tempo. É um verdadeiro predador e precisa de se alimentar. Poderá o amor de uma mulher mudá-lo um pouco? Há ali alguma humanidade?”[20] Ou que Somerhalder resistisse tanto à ideia desta metamorfose, depois de se sentir finalmente confortável na pele de um vampiro mauzão e irónico. Não foi fácil aceitar a reviravolta de carácter dele exigida no episódio “The Descent”, “porque mostrava um lado compassivo de Damon que detestava”, obrigando-o a vasculhar partes de si e do seu passado que o faziam sofrer: “Às vezes dói mesmo. Muitas das coisas pelas quais Damon passa são catárticas para mim, como indivíduo, e nem sempre é bonito. Está-se a remexer as águas, a toda a hora. Está-se a extrair de toda uma série de coisas da vida que não são necessariamente boas.”[21] Mas os produtores insistiam que Damon não podia ser só “uma personagem vil unidimensional”, era preciso entregar-se e apreciar a viagem a percorrer por este homem num arco de cem episódios: “Acabou por ser uma cena realmente bela, que levou Damon a tornar-se muito introspectivo e cheio de dor por não ser humano”[22].

A modulação da versão televisiva de Damon, a sua especificação e progressiva autonomização do original literário deveu-se em muito à personalidade de Ian Somerhalder, da qual ele e os argumentistas retiraram o conteúdo da dimensão humana de Damon, só vagamente esboçada nos romances, a ponto de um e outro quase se poderem confundir. Numa entrevista feita pela Atlanta’s CW69 em 2013, à pergunta sobre quão parecido ou diferente é Ian de Damon, o actor responde com um conceito de imitação que raia a coincidência:

Sou muito parecido com Damon, ou, é melhor reformular, Damon é muito parecido comigo. Não, funciona para os dois lados. Quer dizer, a arte imita a vida de maneiras insanas e os escritores estão completamente a par de quem somos, de como operamos e do que querem de nós em termos de personagem. Eu sei muito sobre o que é estar sozinho, lutar com o meu irmão, estar apaixonado, estar em sofrimento, divertir-me, encontrar o lado positivo das coisas, muito como Damon. Pessoalmente, já não gosto de matar pessoas como o Damon faz, mas há uma data de semelhanças, há uma grande congruência, muita consistência entre o ponto onde estou na minha vida e o que a vida de Damon é no ecrã, e viceversa. Muita, o que resulta numa viagem bem interessante. Estes escritores conhecem-nos às vezes melhor do que nos conhecemos a nós próprios, por isso às vezes fazem-nos rir, às vezes empalam-nos. Mas, num e noutro caso, muitas vezes é catártico, divertido, por vezes é triste. É uma montanha-russa, muito como a vida.[23]

Rapidamente, o trabalho conjunto da personalidade de Ian Somerhalder e da escrita de Kevin Williamson (tinha razão quando dissera que conseguiria escrever o papel para Ian como para nenhum outro) transfigurou uma figura algo esquemática e em certos aspectos inverosímil numa personagem capaz de conquistar a afeição dos milhões de fiéis espectadores que comentavam a série nas redes sociais, bem como o favor crítico, logo desde muito cedo. Era ainda 2010 e já Peter Travers elegera a encarnação de Damon Salvatore por Ian Somerhalder como o melhor vampiro no cinema e na televisão, logo a seguir a Willem Dafoe em Shadow of the Vampire e Bela Lugosi em Dracula: “A fantástica série de Kevin Williamson na rede de televisão CW atribui a Somerhalder (previamente Boon, em Lost) o papel de Damon Salvatore, o vampiro rebelde em ardente perseguição da mulher que o irmão Stefan (Paul Wesley) ama. Somerhalder equilibra habilmente o perigoso e o cómico sem comprometer nenhuma das qualidades.”[24] E Williamson explica que “uma vez tornado simpático, não conseguiríamos converter o Damon num vilão nem que a nossa vida dependesse disso; a audiência adorava-o fizesse o que fizesse.” Ter Damon a matar Jeremy, o irmão de Elena, em “The Return”, foi uma medida desesperada: “Estávamos sempre a tentar voltar a audiência de novo contra ele, só para o podermos reconquistar outra vez e era mesmo difícil”[25].

The Vampire Diaries | Ian Somerhalder fala sobre Damon

Inesperados aliados de Damon Salvatore

Este entusiasmo pela versão televisiva de Damon estendia-se também à sua relação com a personagem de Elena Gilbert. O fascínio exercido por este veio da história deve-se à tensão pacientemente arquitectada pelo enredo de Williamson e Plec, fomentada também, provavelmente, pela relação muito próxima que se estabeleceu entre os dois actores na vida real, durante os primeiros anos da série. A preferência do público, patente na atribuição dos prémios de On Screen Chemistry, em 2014, e TV Duo, em 2015, dos People’s Choice Awards, depressa se fez sentir através do Twitter e do Facebook, exercendo uma pressão sobre a escrita do argumento à qual os autores foram oferecendo toda a resistência de que eram capazes. “Na segunda temporada, havia uma influência a juntar Damon e Elena mais depressa do que alguma vez o teríamos feito,” contava Plec ao The Hollywood Reporter, em 2014. “Fizemos tudo o que podíamos para criar obstáculos, para os separar, aproximar mais Stefan e Elena. Mas conseguia-se sentir a força magnética, não só do Twitter, como dos fãs a torcerem realmente por isto.”[26] O desejo não era apenas dos fãs. Como já em Dawson’s Creek, Williamson fora demasiado exímio para o seu próprio bem a construir o outro eixo do triângulo amoroso. Mesmo se fazia parte da “equipa Stefan”, mesmo se “foi sempre o Stefan”[27], a certa altura, ao entrar na terceira temporada, Williamson, enquanto espectador da sua própria criação, sentiu-lhe o impacto a ditar-lhe a direcção: “A coisa que mais quero ver filmada, e digo-o porque ainda não aconteceu e poderá nunca vir a acontecer, mas que quero mesmo ver – e isto pode ficar escrito no papel para todos os fãs de Stelena no mundo – quero mesmo ver Damon e Elena juntos.”[28]

As personagens, as suas acções e a dinâmica entre elas, obedecem a uma lógica interna que os autores criam tanto quanto seguem. Aristóteles defende na Poética que os sentimentos despertados pela história “são muito [mais] facilmente suscitados quando os factos se processam […] por uma relação de causalidade” (1452a)[29] e que “tanto nos caracteres como na estrutura dos acontecimentos, deve-se sempre procurar ou o necessário ou o verosímil”, do que se conclui que “o desenlace dos enredos deve resultar do próprio enredo e não de uma intervenção ex machina” (1454a)[30] O segredo do sucesso de The Vampire Diaries está nesta obediência ao necessário e verosímil, mesmo quando as regras do jogo são as da fantasia. “Até a nossa magia, tentamos sempre ligá-la à terra, aos elementos – é claro que quebramos essa regra a toda a hora”, confessa Plec, mas “por desespero”[31]. A solução é reconduzir tudo “ao amor, à família, à perda, à lealdade, à amizade”, ou seja, ao humano. E com este é que não se pode mesmo fazer batota, como Aristóteles bem sabia. Quando Plec tentou usar o que seria o primeiro beijo entre Damon e Elena como o momento de suspense (ou um deles) em que terminaria o episódio final da primeira temporada, Williamson rebelou-se: “Via-o claramente, esta é a primeira temporada, é sobre Stefan e Elena. Elena não está ainda naquele ponto em que o beijaria. Não está bêbada, não é louca. É a nossa heroína, não podemos sacrificar o carácter dela e tê-la a fazer esse movimento contra Stefan.”[32]

Plec viria no tempo a partilhar desta visão e, olhando para trás, explica a decisão dos argumentistas de resistir ao público e esperar até à quarta temporada para finalmente os juntar: “Sabíamos que nunca quereríamos que ela ficasse com ele até se converter em vampiro porque, não interessa quanto a audiência gostasse de Damon e estivesse disposta a perdoá-lo por tudo o que fizera, ter a Elena humana a perdoá-lo e ficar com ele seria destruir aquela personagem.”[33] No contínuo esforço de traduzir o sobrenatural em qualquer coisa de empírico, a transformação de Elena de ser humano em vampiro no final do segundo livro da tetralogia, The Struggle, foi interpretada, no contexto melodramático da série, como a passagem da adolescência para a idade adulta, de uma visão moral esquemática e categórica para uma compreensão mais matizada de si próprio e dos outros, da complexidade da situação humana:

O programa está construído à volta deste triângulo amoroso e foi sempre acerca de dois irmãos apaixonados por uma rapariga e a rapariga amava um dos irmãos mas não o outro e, no entanto, ao longo das várias temporadas, eles foram-se aproximando e Damon começou realmente a conquistá-la,” continuou Plec. “Na minha mente, e não necessariamente na mente de toda a gente mas na minha mente, senti sempre fortemente – e vão-me matar por dizer isto – que Elena não podia, e nunca o faria, separar-se de Stefan e apaixonar-se por Damon antes de ser vampira. Porque com o tornar-se vampiro vem uma espécie de rito de passagem. É mudar para uma nova fase da vida, é mudar de visão moral, é mudar de contexto, são emoções intensificadas. Sentem-se diversas coisas mais fortemente do que alguma vez se sentiram, e tendo em conta tudo o que Damon fizera a Elena, dado que na segunda temporada tinha literalmente morto o irmão dela, dado todo o caos que provocara, apesar da química entre eles, não me sentia confortável em tê-la a abdicar do que era puro no coração dela, que era o Stefan, para explorar as dimensões mais negras dos impulsos dela e uma relação mais adulta na forma de Damon antes de toda a sua vida ter sido virada do avesso. Isso não torna o que ela sente por Damon menos profundo. Quanto muito, é mais profundo a certos níveis mas uma coisa não podia acontecer antes da outra na minha cabeça. Partia tudo daí.”[34]

Esta é uma explicação oferecida por Julie Plec, já a meio da quinta temporada, em 2014, da reinterpretação da linha narrativa principal da tetralogia feita pela série até então. Nina Dobrev ainda não deixara a equipa e a versão televisiva da história continuava a ser definida segundo a intenção da obra original, mesmo se através do filtro dos dois produtores. Tratava-se sempre do triângulo amoroso esboçado por L. J. Smith, embora atravessado pelo tema da morte e do renascimento que Kevin Williamson introduzira com a adaptação, ao fazer do desaparecimento dos pais de Elena um evento bem mais significativo do que alguma vez fora nos livros originais, num movimento de lida com a morte que se tornaria permanente (para lá de razões simbólicas, também por motivos recreativos de acção e suspense) e de que a travessia do ideal ingénuo da adolescência à sofisticação da vida adulta é uma variação.

Stefan Salvatore (Paul Wesley) e Elena Gilbert (Nina Dobrev)
Stefan e Elena em “Family Ties” (©The CW/HBO Portugal)

Tema esse que, inserido na altura por Plec no contexto da família e de uma pequena cidade, constituída por uma história americana sulista de famílias fundadoras, crescia não apenas em quantidade como também em intensidade: não eram só muitas mortes, era a morte de pais, pais adoptivos, irmãos, amigos. Não por acaso a irmã demasiado nova de Elena na obra original foi transformada num irmão mais próximo em idade, também ele capaz de sofrer consciente e dramaticamente a perda dos pais e constituir-se como a única família a restar à heroína. Não por acaso o eixo entre os dois irmãos Salvatore, e não apenas os eixos de cada um deles com Elena, foi ampliado e convertido num passado de delitos mutuamente infligidos, a certa altura independente da competição por Katherine. Foram precisamente estas duas linhas orientadoras da narrativa, aliadas à temática da redenção própria da fantasia de vampiros que a série exacerbou e aprofundou, a permitir a ligeira redefinição de The Vampire Diaries aquando a saída de Dobrev, evento real determinante para o decurso dos eventos ficcionais e decisivo para o sentido global do programa.

Vampire Diaries: do triângulo amoroso à redenção

Envolvido noutros compromissos, Williamson tinha-se afastado da responsabilidade directa pela produção da série no final da segunda temporada e, sob a direcção de Plec, o triângulo amoroso acabara por, nos seis anos seguintes, pender fortemente para o lado de Damon e Elena. Apesar de todas as tribulações, e foram muitas, o final da sexta temporada selara esta relação com uma promessa de casamento, impedido apenas pelo sono mágico em que Kai precipitara Elena, permitindo a continuação do programa por mais dois anos. Quando Williamson voltou para colaborar na escrita e produção do último episódio da série, ainda tentou ver se haveria alguma maneira de impulsionar o triângulo e repor a necessidade de uma escolha.[35] Mas mais uma vez a lógica interna da construção dos caracteres e da acção não permitia a alternativa ficcional desejada por Williamson, que de novo via o triângulo concluir-se de modo contrário à sua preferência pessoal. A saída de Nina Dobrev obrigara a uma redefinição do centro da versão televisiva de The Vampire Diaries, autonomizando-a ainda mais do original literário. “Se a Nina nunca se tivesse ido embora, teria adorado ver se Stefan e Elena conseguiriam encontrar o caminho de volta um para o outro,” dizia Plec à Entertainment Weekly, comentando o episódio final em 2017. “Não sei se teriam conseguido, mas se essa partida não tivesse tido um papel nisso, o plano a longo prazo seria ver se conseguíamos ter o triângulo amoroso a oscilar de novo antes de a série terminar e dar realmente espaço a uma escolha. Mas a partida dela selou o contracto romântico entre Damon e Elena. Nesse momento, para mim o programa deixou de ser sobre um triângulo amoroso e tornou-se um programa sobre o poder destes dois irmãos e da sua estima um pelo outro.”[36]

The Vampire Diaries | Os dois irmãos

Sob a leitura de Plec, no seu esforço de, como intérprete, conferir coesão à sua criação, os veios da família e da redenção dos dois irmãos vampiros converteram-se na linha orientadora da série no seu todo, integrando as primeiras seis temporadas, dedicadas ao triângulo amoroso, e as duas últimas, com o enfoque nos irmãos Salvatore e na explicitação do tema da salvação (o trocadilho é deliberado), numa única história sobre a regeneração de Damon e do seu laço com o irmão: “Sempre pensámos que Elena oscilaria uma última vez para Stefan antes do final, mas como a Nina já lá não estava, o programa transitou para uma história de amor entre dois irmãos. Também se tornou acerca da redenção de Damon e Stefan. Era o objectivo deles e tenho para mim que o atingiram de forma muito satisfatória.”[37] E, embora os dois produtores pudessem divergir quanto à conclusão do triângulo amoroso, nisto Williamson estava de acordo com Plec: “Num outro universo, se Elena e Stefan tivessem tido mais história juntos, podíamos ter ponderado um final diferente. Sinto que isto foi aonde a história nos conduziu. Sempre quisemos terminar a série com os nossos dois irmãos, porque foi sempre acerca da família. Penso que o espírito do nosso final permanece intacto desde o princípio.”[38]

Reorientada a série do triângulo para o eixo entre os Salvatore, os dois irmãos já não podiam morrer no final para salvar Elena, os amigos e a cidade que ela amava, como concebido pelos produtores aquando o final da segunda temporada. E aqui, honra lhe seja feita, chegada a altura de decidir que irmão se sacrificaria pelo outro, Williamson não teve dúvidas sobre quem seria: “‘A decisão sobre qual dos irmãos devia morrer foi difícil,’ relembra Plec. ‘Começou com Stefan, depois passámos para Damon e decidimo-nos por ele. Então o Kevin entrou e disse ‘que raios estão a fazer?’ Por isso voltámos a Stefan.”[39] Uma decisão que consagrou Damon como o novo protagonista de The Vampire Diaries, dando-lhe a rapariga, juntamente com a vida, e tornando a sua redenção o telos da história. Este final eventualmente lógico, mas imprevisível quando tudo começou, explica-se pela coerência interna do enredo ficcional construído progressivamente ao longo dos anos. Mas não se explica também sem a necessidade de integrar factores considerados extrínsecos à ficção, como a personalidade de Ian Somerhalder, a sua relação pessoal com Nina Dobrev, a inclinação de Williamson pelo actor e pela sua personagem ou a saída da actriz principal a certa altura. Não fora tudo isso e Stefan provavelmente teria permanecido o herói, ficado com a rapariga e vivido para contar a história no seu diário. Que o final tenha sido outro obriga-nos a repensar a tentação de levar demasiado a sério a metáfora de “mundo ficcional”.

Lê Também:
Damon Salvatore arrancou-nos o coração (Parte IV)

Notas

[1] Andy Swift, “Vampire Diaries’ Biggest Twists Revisited (and Explained)”, TV Line, 10 de Setembro de 2019.

[2] Samantha Highfill, “Today will be different: An oral history of The Vampire Diaries pilot”, Entertainment Weekly, 9 de Setembro de 2019.

[3] Philiana Ng, “Vampire Diaries Hits 100 Episodes: Ian Somerhalder, Nina Dobrev and Execs Tell All”, The Hollywood Reporter, 23 de Janeiro de 2014.

[4] Andy Swift, “Vampire Diaries’ Biggest Twists Revisited (and Explained)”, TV Line, 10 de Setembro de 2019.

[5] Samantha Highfill, “Today will be different: An oral history of The Vampire Diaries pilot”, Entertainment Weekly (9 de Setembro de 2019).

[6] Lindsay MacDonald, “The Vampire Diaries Stars Look Back at Filming the Pilot for the Show’s 10th Anniversary”, TV Guide,  10 de Setembro.

[7] Samantha Highfill, “Today will be different: An oral history of The Vampire Diaries pilot”, Entertainment Weekly, 9 de Setembro de 2019.

[8] Andy Swift, “Vampire Diaries’ Biggest Twists Revisited (and Explained)”, TV Line, 10 de Setembro de 2019.

[9] Andy Swift, “Vampire Diaries’ Biggest Twists Revisited (and Explained)”, TV Line, 10 de Setembro de 2019.

[10] Andy Swift, “Vampire Diaries’ Biggest Twists Revisited (and Explained)”, TV Line, 10 de Setembro de 2019.

[11] Andy Swift, “Vampire Diaries’ Biggest Twists Revisited (and Explained)”, TV Line, 10 de Setembro de 2019.

[12] Craig Byrne, “Interview: Kevin Williamson on Vampire Diaries Season 3”, KSiteTV, 15 de Agosto de 2011.

[13] Dominic Patten, “’Vampire Diaries’ Eps on If Tonight’s Finale Is Really the End, What’s Next and ‘Buffy’”, Deadline, 10 de Março de 2017.

[14] Samantha Highfill, “Vampire Diaries bosses on the series finale, that letter, and who almost died”, Entertainment Weekly, 10 de Março de 2017.

[15] “Ian Somerhalder exclusive! – GQ TV – GQ.COM (UK)”, GQ.com, 6 de Julho de 2010.

[16] Andy Swift, “Vampire Diaries’ Biggest Twists Revisited (and Explained)”, TV Line, 10 de Setembro de 2019.

[17] “The Vampire Diaries: Kevin Williamson Interview”, Spoiler TV, 27 de Julho de 2017.

[18] Linda Ge, “’Vampire Diaries’ Exit Interview: Ian Somerhalder, Nina Dobrev, Paul Wesley Vie for Biggest Distraction”, The Wrap, 10 de Março de 2017.

[19] George Bragdon, “Dishing With ‘The Vampire Diaries’ Executive Producer Julie Plec”, Forever Young Adult, 6 de Junho de 2012.

[20] Carina MacKenzie, “Kevin Williamson talks about the future of ‘The Vampire Diaries’ and why high school is a ‘horror movie’”, Los Angeles Times, 29 de Outubro de 2009.

[21] Christina Radish, “Ian Somerhalder Interview: The Vampire Diaries”, Collider, 4 de Setembro de 2011.

[22] Leanne Aguilera, “Creator Julie Plec on the Scene That Proved ‘Vampire Diaries’ Was More Than ‘blood, Fangs & Brooding’”, ET, 6 de Fevereiro de 2015.

[23] “Ian Somerhalder Interview”, Atlanta’s CW69, 24 de Setembro de 2013.

[24] “Peter Travers on the Best and Worst Vampires on Film and TV”, Rolling Stone, 19 de Agosto de 2010.

[25] Filiz Mustafa e Tanavi Patel, “The Vampire Diaries writer says viewers made one Damon Salvatore storyline ‘really hard’”, Digital Spy, 8 de Outubro de 2019.

[26] Philiana Ng, “’Vampire Diaries’ EP Reveals 7 Things That Almost Changed the Series”, The Hollywood Reporter, 23 de Janeiro de 2014.

[27] Linda Ge, “’Vampire Diaries’ Exit Interview: Ian Somerhalder, Nina Dobrev, Paul Wesley Vie for Biggest Distraction”, The Wrap, 10 de Março de 2017.

[28] Philiana Ng, “‘Vampire Diaries’ Boss Kevin Williamson: I Want to See Damon and Elena Get It On”, The Hollywood Reporter, 27 de Julho de 2011.

[29] Aristóteles, Poética (trad. Maria Helena Rocha Pereira), Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 56.

[30] Aristóteles, Poética (trad. Maria Helena Rocha Pereira), Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 68.

[31] George Bragdon, “Dishing With ‘The Vampire Diaries’ Executive Producer Julie Plec”, Forever Young Adult, 6 de Junho de 2012.

[32] Samantha Highfill, “Vampire Diaries: Kevin Williamson talks season 1 finale”, Entertainment Weekly, 9 de Outubro de 2019.

[33] Philiana Ng, “’Vampire Diaries’ EP Reveals 7 Things That Almost Changed the Series”, The Hollywood Reporter, 23 de Janeiro de 2014.

[34] Samantha Highfill, “’The Vampire Diaries’ bosses reveal 7 debates from the writers’ room”, Entertainment Weekly, 23 de Janeiro de 2014.

[35] Samantha Highfill, “Vampire Diaries bosses on the series finale, that letter, and who almost died”, Entertainment Weekly, 10 de Março de 2017.

[36] Samantha Highfill, “Vampire Diaries: Julie Plec reveals the show’s original ending”, Entertainment Weekly, 10 de Março de 2017.

[37] Andy Swift, “Vampire Diaries’ Biggest Twists Revisited (and Explained)”, TV Line, 10 de Setembro de 2019.

[38] Ileane Rudolph, “’The Vampire Diaries’ Finale: Kevin Williamson on Damon’s Humanity, Elena’s Return, and [Spoiler]’s Death”, TV Insider, 10 de Março de 2017.

[39] Andy Swift, “Vampire Diaries’ Biggest Twists Revisited (and Explained)”, TV Line, 10 de Setembro de 2019.

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

Maria Pacheco de Amorim has 187 posts and counting. See all posts by Maria Pacheco de Amorim

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.