Esquadrão Suicida, Figura de Estilo

Para Esquadrão Suicida, a figurinista Kate Hawley concebeu um dos guarda-roupas mais instantaneamente icónicos do cinema atual, com um estilo caracterizado por absoluto exagero e sanguinária anarquia.

 

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[CUIDADO COM SPOILERS!]

 

Para qualquer figurinista, reinventar algumas das mais célebres personagens da DC Comics seria algo tão desafiante como glorioso. Afinal, os figurinos concebidos para esse tipo de filme perduram na mentalidade popular, tornando-se verdadeiros ícones – basta vislumbrar as fotografias de qualquer Comic Con para comprovar isso mesmo. Felizmente, a figurinista Kate Hawley esteve à altura do desafio em Esquadrão Suicida, onde não vemos a típica imagem de um herói de banda-desenhada, mas sim um grupo de enlouquecidos mercenários sem qualquer escrúpulo, moral ou bom gosto.

esquadrão suicida

O ano passado, Hawley já havia mostrado um certo gosto pelo dramatismo vilanesco em Crimson Peak, e também já se tinha provado uma adepta da criação de complexas armaduras em No Limite do Amanhã e Batalha no Pacífico. Seguindo esses trabalhos, é fácil perceber a razão pela qual os cineastas de Esquadrão Suicida viram nela a perfeita pessoa para trazer personagens como Deadshot, Harley Quinn e o Joker ao cinema.

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O resultado final do trabalho de Hawley, em colaboração com a artista concetual Oksana Nedavniaya, é uma explosão de detalhes vistosos que saturam qualquer imagem do filme. Há uma anarquia barroca no modo como os figurinos transbordam de pormenores, diferentes materiais, cores vivas e símbolos. A saturação de informação é tanta, que se eleva a algo estranhamente unificado em termos estéticos – pelo menos, se considerarmos que este filme é destinado a ser apreciado por adolescentes com défices de atenção.

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Essa perspetiva juvenil e, há que admitir, profundamente machista nunca se evidencia mais que no contraste entre os figurinos das personagens femininas e seus contrapartes masculinos. Enquanto os homens envergam armaduras de design mais ou menos realista, ou estão todos cobertos com camadas de roupa, as mulheres superpoderosas parecem-se com verdadeiras pop stars híper-sexualizadas (se formos generosos) ou atrizes pornográficas (se não tivermos paciência para generosidade).

Objetificação feminina não é, nem por sombras, o único problema ideológico por detrás de Esquadrão Suicida e sua concretização visual, sendo que o uso de imagética estereotipada de diferentes etnias e minorias também marca presença. Podemos evidentemente argumentar que o filme apenas se une à perspetiva dos seus protagonistas, que são admitidos vilões, mas isso parece mais uma desculpa fácil que uma real consideração das ideias transmitidas pelo filme.

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No entanto, se colocarmos de parte tais considerações, o guarda-roupa concebido por Kate Hawley revela-se como uma coleção de fantásticas criações que brinca com imagética da cultura popular atual. A única significativa crítica a fazer é que, no seu exagero e unificação estética, o guarda-roupa perdeu a jocosa impressão de anarquia que se faz sentir quando olhamos para cada um dos figurinos individualmente. Mas enfim, tal como tudo neste filme, a parte parece valer substancialmente mais que o todo.

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Com isso em mente, nas próximas páginas exploramos os figurinos de cada personagem de Esquadrão Suicida, com ênfase singular nos heróis/vilões que protagonizam a nova aventura da DC. Não obstante, há que destacar alguns figurinos que são demasiado breves para realmente merecerem uma página só para eles. O primeiro é o fato de Slipknot. Este figurino integra as cordas que caracterizam as habilidades do vilão no que se assemelha a um híbrido entre um equipamento de escalada e uma armadura de combate. É um design pragmático, com um toque de absurdo (a disposição em X das cordas é curiosa) e alguns elementos que parecem remeter para um samurai – ou seja, perfeito para este registo de banda-desenhada viva.

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Outras vestimentas que exigem atenção são as roupas envergadas pelos capangas do Joker. Mais ainda que o traje do seu líder, a incongruência dos criminosos menores confere-lhes uma loucura admirável. Cabeças de animais, olhos gigantes e máscaras de Batman encimam uniformes pretos simples, mas, no meio da ação, encontra-se ainda a visão ameaçadoramente tresloucada de um adorável panda com uma metralhadora em punho.

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Segue para a próxima página, onde começamos a nossa análise individual do esquadrão titular. Deadshot é a nossa primeira vítima!


 

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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