Os concertos do artista porto-riquenho, Bad Bunny, já terminaram. No entanto, estes ficaram envolvidos em várias polémicas. Afinal, além da enchente que o artista provocou em Lisboa, começaram rápidamente a multiplicar-se relatos de fãs que perderam milhares de euros após alegadas burlas relacionadas com a venda de bilhetes.
Por outro lado, surgiram dezenas de reclamações por parte de alguns influenciadores digitais portugueses ligados às alterações de lugares e problemas de visibilidade dentro do recinto. Assim, estas situações geraram uma forte indignação nas redes sociais e outras chegaram mesmo a terem reclamações abertas no Portal da Queixa.
Conhecido relações-públicas acusado de vender bilhetes falsos
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Vários meios de comunicação social portugueses estão a relatar histórias e situações reportadas no Portal da Queixa. Casos de fãs que alegam terem sido impedidas de entrar no recinto por apresentar bilhetes que aparecem como “já utilizados”. Muitas destas denúncias apontam para a compra de bilhetes em plataformas de revenda não oficiais, fator que levanta suspeitas de burla associados à venda de ingressos não válidos.
Por outro lado, há o problema da troca de lugares já dentro do recinto. Fãs queixaram-se de alterações inesperadas nos lugares atribuídos. Em uma das queixas apresentadas, o suposto lesado afirma que comprou bilhetes “para o Piso 0, Setor 9, Fila D, lugares escolhidos propositadamente por se encontrarem numa localização frontal e muito próxima da ‘casita’. Hoje, no próprio dia do concerto, sou informada de que os meus lugares seriam alterados alegadamente por ‘falta de visibilidade’ devido à estrutura da casita. Os novos lugares atribuídos têm uma visibilidade bastante inferior relativamente àquela que tinha originalmente adquirido”, pode ler-se numa das queixas apresentadas.
O comentário refere ainda que o custo dos bilhetes foi de 563€, onde o lesado solicita um reembolso parcial ou total, onde este diz ser “a compensação adequada, proporcional à diferença de valor e à perda de qualidade da experiência”, completa.
Pelo menos 30 pessoas dizem ter sido enganadas na compra de bilhetes para o concerto em Lisboa
Há um rasto de prejuízo deixado após os dois concertos do artista porto-riquenho em Portugal. Relatos de 30 alegadas vítimas que afirmam terem sido burladas na compra de bilhetes para o concerto em questão. O esquema pode ter ultrapassado os 40 mil euros.
As denúncias recaem sobre um homem identificado como João L., um antigo relações públicas no Porto. Este apresentava-se, simultaneamente, como jornalista. O perfil na rede social Instagram contava com 15 mil seguidores, conta que foi, entretanto, desativada. Vários fãs relatam terem comprado bilhetes e convites VIP através deste indivíduo. Os lesados dizem ter acreditado que estariam perante uma fonte segura.
Entre os afetados, segundo o JN, está Hélder Teixeira, produtor portuense da Shine Iberia e antigo colaborador do Porto Canal. Hélder adquiriu quatro bilhetes por 150€ cada. Mas apenas na véspera do concerto percebeu que as entradas não eram válidas. Em um post no Instagram, uma outra fã expõe a situação: “Fomos contactados por ele, dizendo que trabalhava na área de Relações Públicas, e que tinha bilhetes para vender. Investigamos os perfis de redes sociais desta pessoa, e tudo indicava que não seria mentira”. O post diz que uma das pessoas do grupo burlado trabalha também na área, e tem contactos que dizem conhecer o João desta mesma área.
ASAE informa que instaurou seis processos-crime a alegados burlões

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) revelou que reforçou a fiscalização relacionada ao postos de venda não oficiais de bilhetes para o concerto de Bad Bunny. Como resultado, na última quarta-feira, a entidade denunciou a detenção de seis pessoas devido à especulação para a venda de entradas no recinto, numa operação denominada “Puerto Rico”.
Além disso, a ASAE informou em comunicado que foram instaurados seis processos-crime e apreendidos 14 bilhetes vendidos através de plataformas digitais e redes sociais. Consequentemente, estes eram revendidos por valores muito acima do preço original. Desta forma, as margens de lucro dos alegados burlões varia entre 120 e 140€ por bilhete. Do mesmo modo, a promotora do evento, Live Nation, alerta para os riscos da compra de ingressos por vias sem serem os canais oficias. De relembrar que a venda especulativa constitui um crime punível com pena de prisão até três anos, a acrescentar ainda uma multa.
Bad Bunny em Lisboa foi épico, mas contou com alguns problemas
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Nesse sentido, alguns fãs referem que passaram grande parte do espetáculo sem conseguirem ver a atuação em condições: “Adquiri bilhetes para o Piso 0 – setor 17, pelo preço de 139€ (+ taxas) na esperança de ficar num setor privilegiado com boa visibilidade. Acabámos atrás da regie e com a visibilidade completamente reduzida”, completa um outro comentário.
Ainda assim, houve ainda espaço para outras reclamações, como a venda de vouchers promocionais que não estavam funcionais, venda duplicada de bilhetes por parte de plataformas oficiais e ainda a dificuldade em obter uma resposta por parte do apoio ao cliente das entidades envolvidas.

