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Em 2020, com a pandemia da COVID-19, o mundo mudou por completo. Logo, as consequências deste evento histórico não tardaram a chegar ao mundo do cinema e entretenimento. Pois um evento como este, que parou totalmente o mundo, obrigou a que várias produções parassem, assim como o resto da humanidade.

Juntando este fator ao estado emergente da internet, é nos trazida uma nova vaga de terror através de “creepypastas” no YouTube. Um conceito que já existia no mundo online. Mas que nunca tinha estado tão em altas do que neste momento. E é aqui que um jovem de 16 anos chamado Kane Parsons cria o conceito de Backrooms, vídeos de terror found footage, como já vimos tantas vezes no cinema, mas desta vez explorando um lado novo do género, os “liminal spaces”. O que trazia uma atmosfera que assustava através da mera ideia de espaços grandes e vazios.

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A criação de um novo terror meta digital

Foi uma questão de tempo até as curtas metragens de Kane Parsons explodirem na internet, mostrando assim que o mundo do cinema estava mais democrático do que nunca. O que nos fez acreditar que o talento poderia vir de qualquer lado graças à internet. Logo, quando a A24, um dos estúdios mais inovadores da atualidade, viu esta nova forma de fazer cinema, trouxe Kane Parsons, desta vez com 20 anos, para a tela grande.

Esta quinta-feira chegou-nos aos cinemas então “Backrooms- O Labirinto”, o filme que transforma este conceito de Parsons numa verdadeira longa-metragem de terror. E o elenco é um destaque inevitável, graças aos grandes e chamativos nomes de Renate Reinsve e Chiwetel Ejiofor.

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A tentativa de explorar a mente humana

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A ideia de Parsons para trazer o seu conceito para os cinemas é sem dúvida ambiciosa. Pois o jovem realizador pega em tudo naquilo que criou e tenta trazê-lo para um mundo real e palpável. Fazendo com o que o espectador siga uma psicóloga, interpretada por Renate Reinsve, e o seu paciente, interpretado por Chiwetel Ejiofor. Porém, quando o argumento tenta trazer debates sobre a condição da mente humana e foge do abstrato, acaba por perder o espectador. Pois não há nada aqui que transforme estas personagens em protagonistas totalmente interessantes. A tentativa existe, com algum desenvolvimento e histórias de fundo elaboradas. Mas, mesmo com ótimas atuações por parte dos protagonistas, parece pouco para um filme que é tão ambicioso e corajoso ao ponto de explorar questões de saúde mental, psicologia, divórcio, alcoolismo, etc.

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Porém, Kane Parsons eleva nesta longa-metragem tudo aquilo que mostrou nos seus pequenos vídeos do YouTube. E é nos momentos em que o realizador emula aquilo que fez sucesso na internet que o filme se destaca. Logo, a pergunta é inevitável: seria uma aposta mais segura fazer um filme totalmente aproveitando o conceito de found-footage? A resposta é sim. Mas é inegável a ambição que está neste projeto, sobretudo vinda de um realizador tão jovem, e é essa ambição que transmite grande parte do seu charme.

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É a ponte que o filme faz entre o cinema independente americano e o mundo digital que lhe dá a sua personalidade própria. O que poderá ajudar a criar um espaço para mais filmes feitos por uma geração que coloque a internet e o cinema no mesmo panorama, tornando-se num só.

O final ousado de Backrooms- O Labirinto

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Já o terceiro ato do filme é algo decepcionante. Principalmente porque “Backrooms- O Labirinto” fica num meio termo entre criar o seu terror experimental e silencioso e um estilo exagerado, que se distancia da sua tão charmosa personalidade. Por essa altura, o filme ameaça tornar-se lógico, o que seria um erro crasso. Porém, felizmente, evita por muito pouco tornar-se auto explicativo numa cena que, mesmo assim, é impossível não considerar desnecessária. Pois apenas a sugestão da explicação do que se passa naquele espaço retira alguma da sua mística e, naturalmente, do seu terror.

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Mas mesmo com estes problemas pelo caminho, “Backrooms- O Labirinto” é forte o suficiente para se manter na cabeça do espectador durante dias. Mesmo que por vezes não se possa dizer isso da melhor forma. O que não desfaz a possibilidade de Kane Parsons se poder vir a tornar mais um dos grandes realizadores da sua geração a vir do mundo da internet.

Conclusão

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“Backrooms- O Labirinto” é um marco no terror contemporâneo. Não porque é perfeito, pois sofre com um desenvolvimento fraco e um terceiro ato exagerado. Mas sim por ser uma tentativa de trazer um novo estilo de terror que aproxima o mundo digital do mundo real numa era em que os dois em tanto se misturam.

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