© Kino Swiat

Depois de “Cold War”, “Fatherland” é o novo filme que Pawel Pawlikowski apresenta em Cannes. É um filme histórico que segue um momento da vida do premiado escritor Thomas Mann que volta à alemanhã no pós guerra, depois do exílio nos Estados Unidos.

Durante a conferência de imprensa do filme, no Festival de Cannes, o realizador partilhou que a ideia do filme surgiu após lhe darem uma biografia de Thomas Mann. No entanto, Pawel Pawlikowski não quis cobrir toda a vida do escritor, pois achou impossível, pegando numa altura da vida e carreira de Thomas Mann que o marcou.

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As camadas do preto e branco em Fatherland

Como já é habitual com Pawel Pawlikowski, o realizador escolheu filmar “Fatherland” a preto e branco. Esta escolha tem os seus prós e contras. Por um lado sinto que nos afasta das personagens.

Parecem estar mais longe do público, com menos camadas, pois não as conseguimos conhecer através da cor. Contudo, estas são personagens muito contidas, com atitudes que estão inseridas num contexto histórico.

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Assim, esta falta de emoções que têm aparentemente, o não saber como partilhar o que estão a sentir, também combina muito bem com o preto e branco. Pois é um corte de emoção entre o espectador e a personagem, torna-as ainda mais frias.

A falta de comunicação em Fatherland

Algo que muitas vezes mexe com os nossos nervos ao ver um filme é perceber que os problemas podiam ser resolvidos caso as personagens falassem umas com as outras. É o que acontece em “Fatherland” e o que por vezes torna dificil a conexão com as personagens, porque apenas com silêncios e olhares, pode ser profundo, mas muitas vezes não dá para perceber o que estão a sentir.

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Ainda assim, é possível compreender, neste filme, que isso aconteça. Pois estamos a falar de pessoas reais, que ultrapassaram tepos difíceis. E de uma altura muito negra da história da humanidade, em que se percebe que a comunicação não fosse a prioridade. Durante a conferência de imprensa do filme de “Fatherland”, o próprio realizador partilhou: “tentámos entrar na lógica daquela época, e não partir da lógica de agora.

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Um filme muito alemão

O maior problema de Fatherland, é o facto de não ser universal. Por um lado, na sua forma mais simples, é um filme sobre a relação conturbada entre um pai e uma filha. Mas acaba por ser muito mais do que isso.

O filme está inserido no contexto do pós segunda guerra mundial e é extremamente político. É retraído, contido e não abre espaço à emoção, só o sentimos apenas uma vez e logo o filme acaba sem conseguirmos perceber o que estamos a sentir.

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Sandra Huller brilha uma vez mais

Fatherland
“Fatherland” é um filme elegante, seco, quase cruel na sua contenção. ©Cinearte

Se há algo que brilha neste filme é mesmo a atuação de Sandra Huller. Já não se espera outra coisa da atriz, que filme após filme nos traz atuações consistentes e poderosas.

Tem novamente uma personagem muito forte, com uma história dificil. Sendo uma personagem inspirada em alguém real, também tem esse difícil desafio de parecer ainda mais realista.

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Na conferência de imprensa, a atriz partilhou com vive com a culpa do que aconteceu na Alemanha nesta época e que quer continuar a viver com esta culpa. E talvez seja este peso que conseguiu transparecer para a sua personagem.

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