El Deshielo © Ronda Cine

Cannes é um Festival que arrisca no estilo de filmes e não se cinge a um só tipo de cinema. Conta com muitos géneros de cinema e gosta de os explorar com projetos muito diferentes.

Seja terror, meta cinema, drama, filmes de género, homenagens a décadas do cinema não faltam histórias distintas por explorar. Assim, vi dois títulos, durante o terceiro dia do Festival de Cannes que e fazem lembrar outras obras, mas que têm a sua própria história para contar.

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“El Deshielo” estreia no Festival de Cannes

Este filme é uma co-produção entre o Chile e a Alemanha, com realização de Manuela Martelli. Está na secção “Un Certain Regard” e fui vê-lo pois a sua sinopse e imagem me lembrou vagamente de “Anatomy of A Fall” – que adorei.

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El Deshielo” e “Anatomy of a Fall” têm algumas parecenças, no sentido da tensão que vai construindo ao longo do filme, o facto de ter uma criança como uma das personagens principais, haver um aparente crime e passar-se num lugar onde neva a toda a hora.

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Contudo, a sua história é algo diferente e a sua concretização está aquém da genialidade de “Anatomy of a Fall”. “El Deshielo” companhia, então, Inés, uma menina de nove anos que vive no hotel dos avós, que está isolado nas montanhas do “Chile”. Inés cria uma amizade com uma esquiadora alemã de 14 durante a sua estadia, mas quando ela desaparece misteriosamente, a investigação começa a levantar cada vez mais segredos.

Este é um filme que se passa em 1990, num período pós ditadura e, essencialmente, mostra como a mentira, o medo e os segredos criam um afastamento entre as pessoas, que pode não ser recuperado. Com a visão da criança como ponto de vista principal, “El Deshielo” é uma mistura entre “Atonement” e “Anatomy of a Fall” mas não consegue concretizar, tem um final em aberto que o prejudica mais do que o torna o sucesso que tinha potencial para ser.

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“Teenage Sex and Death at Camp Miasma”, o “Scary Movie” do Festival francês

Este é um dos filmes mais falados durante os primeiros dias do Festival de Cannes 2026, muito pela popularidade de Jane Schoenbrun, que também realizou “I Saw The TV Glow”.

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Teenage Sex and Death at Camp Miasma” tem a mesma identidade na realização, mas uma história muito diferente. Acompanha uma realizadora que é contratada para fazer o remake de uma famosa saga de Terror e fica obcecada em conseguir que a “final girl” do original volte para o remake.

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Assim, é um projeto satírico, com um humor inteligente, bem construído. Que nos relembra o espírito de “Scary Movie”. No entanto, enquanto este brinca com a indústria e títulos específicos, “Teenage Sex and Death at Camp Miasma” é mais uma forma de honrar os slashers, os filmes de género e o cinema de terror dos anos 90.

“Teenage Sex and Death at Camp Miasma” tira ainda inspirações de famosas sagas como “Sexta Feira 13”, “Halloween” e “Scream”. Nesse sentido, faz um ótimo trabalho no world building. O início está muito bem construído, a forma como mostram o legado da saga fictícia “Camp Miasma” como se fosse real. Consegue captar muito bem a essência dos êxitos dos anos 90.

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Contudo, o momento em que para mim se perde é quando entra no campo do realismo mágico e do escapismo. Podia ter seguido um caminho mais direto, mas também não seria Jane Schoenbrun se não fosse assim.


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