© FEST - New Directors New Films Festival

FEST ’19 | 10 filmes a não perder

O FEST de 2019 está quase a começar em Espinho, sendo que decorre de 24 de junho a 1 de julho. Oferecemos-te aqui 10 recomendações de filmes que estarão em destaque na programação deste festival de cinema.

FEST – New Directors New Films Festival, tal como o nome indica, é um festival de cinema dedicado maioritariamente à divulgação, promoção e celebração de filmes de novos cineastas que ainda não chegaram ao estatuto de grandes mestres e cujos filmes não se podem incluir no panorama do mainstream comercial. Há também uma grande ênfase em propostas inovadoras, novos caminhos para o futuro da sétima arte que tanto se podem manifestar enquanto objetos de cinema experimental ou documentários que testam os limites e convenções do género, entre outros.

Este ano, as festividades decorrem entre 24 de junho e 1 de julho em Espinho e propõem uma programação variada. Em termos competitivos, temos longas-metragens narrativas e documentais que competem pelo Lince de Ouro. Há também uma vasta competição de curtas-metragens, para o Lince de Prata, que engloba produções internacionais narrativas, de animação, documentais e experimentais. Temos ainda a corrida pelo grande prémio nacional, onde se destacam uma série de curtas-metragens portuguesas. Temos, além disso, a competição NEXXT e a Festinha.

O FEST não se faz só de secções competitivas, há que dizer. Para a abertura e encerramento do festival, haverá antestreias de filmes que têm merecido grande aclamação crítica noutros países. A secção Flavours of the World vai apresentar curtas e longas-metragens dinamarquesas. De certo modo, essa é somente a ponta do iceberg, sendo que o FEST, tal como faz todos os anos, tem inúmeras experiências para oferecer aos cinéfilos que se aventurem pelas suas projeções e atividades paralelas.

Tal é a oferta que, aqui pela MHD, decidimos oferecer uma lista de destaques e recomendações. Em nome da síntese, vamos restringir-nos a longas-metragens transversais a todas as secções do festival. No entanto, escolhemos sessões que não se sobrepõem, de modo a que, se o leitor assim desejar, é possível ver todos estes filmes do FEST. Sem mais demoras, aqui ficam 10 filmes a não perder no FEST de 2019.

THE DAYS TO COME de Carlos Marques-Marcet

Segunda-feira, 24 de junho, às 21:00

fest the days to come
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O filme de abertura do FEST deste ano é “The Days to Come”, também conhecido como “Els dies que vindran”. Trata-se de um filme que usa a gravidez de um casal de atores reais para construir um drama romântico e íntimo de problemas conjugais e ansiedades de pessoas a contemplar como serão as suas vidas enquanto pais. “The Days to Come” foi o grande vencedor do Festival de Málaga e também competiu no Festival de Roterdão deste ano.




THE HUNT de Thomas Vinterberg

Terça-feira, 25 de junho, às 21:30

fest the hunt jagten
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Entre os filmes dinamarqueses que estarão em destaque na secção Flavours of the World, a MHD recomenda “The Hunt: A Caça”, ou “Jagten”. Nos anos 90, o realizador Thomas Vinterberg foi um dos pioneiros do movimento Dogma 95, que procurava um cinema naturalista despido dos artifícios das produções mais convencionais da época. Hoje em dia, apesar de já ter abandonado os paradigmas dessas experiências híper-naturalistas, Vinterberg continua a demonstrar grande interesse em trabalho de ator que se aproxima de uma ideia de verosimilhança mimética da realidade. “The Hunt” é uma joia de drama humano interpretado com primor. Tal é essa qualidade que o filme ganhou o prémio de Melhor Ator em Cannes e foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme numa Língua Estrangeira.




BLIND SPOT de Tuva Novotny

Quarta-feira, 26 de junho, às 21:00

fest blind spot
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Também chamado “Blindsone”, este é um drama da realizadora Tuya Novotny que explora temas complicados sobre doenças do foro mental. O ponto de partida para tal exploração é a relação entre uma mãe a tentar compreender a filha e seus dilemas. O trabalho das atrizes principais acabou por valer o Prémio de Melhor Atriz no Festival de São Sebastião.




THOSE WHO WORK de Antoine Russbach

Quinta-feira, 27 de junho, às 21:00

fest those who work
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Those Who Work” ou “Ceux qui travaillent” é a mais recente longa-metragem do cineasta suíço Antoine Russbach. Esta é a história de um homem que dedicou a vida ao sucesso profissional e é assim obrigado a repensar as suas prioridades e existência quando é despedido. O filme esteve em competição no Festival de Locarno e veio a  ganhar o Prémio de Melhor Filme Suíço em 2019.




TREMORS de Jayro Bustamante

Sexta-feira, 28 de junho, às 21:00

fest tremors
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Jayro Bustamante é um dos nomes mais promissores do panorama cinematográfico da América Latina atual. “Ixcanul”, a sua primeira longa-metragem foi um triunfo de formalismo rigoroso e um olho atento a especificidades culturais e humanas. Em “Tremors”, ou “Temblores”, o realizador da Guatemala vira as suas atenções para a história de um homem em conflito com a sua repressiva comunidade evangélica. O filme passou na Berlinale, onde competiu pelo Teddy, o prémio para filmes de temática LGBT+.




GODS OF MOLENBEK de Reeta Huhtanen

Sábado, 29 de junho, às 18:30

fest gods of molenbek
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Gods of Molenbek” ou “Aatos ja Amine” é um dos documentários em competição pelo Lince de Ouro. Trata-se de uma proposta humanista da cineasta belga Reetta Huhtanen, onde se tenta ver o outro lado de uma comunidade que tem ganho fama internacional como uma espécie de berço para o jihadismo na Europa. O filme faz isto ao centrar-se na experiência de duas crianças de seis anos para quem as conotações sociopolíticas que o mundo associa a Molenbek não existem e o bairro é, acima de tudo, o seu lar.




SYSTEM CRASHER de Nora Fingscheidt

Sábado, 29 de junho, às 21:00

fest system crasher
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A Berlinale é um dos Festivais mais prestigiados do mundo, pelo que qualquer filme que tenha sido exibido na sua competição oficial ganha automaticamente um certo prestígio. Assim é o caso de “System Crasher”, ou “Systemsprenger”, um filme alemão que, ainda para mais, venceu o Urso de Prata e um prémio do público dado pelos leitores do Berliner Morgenpost. Trata-se de um retrato comovente de uma criança de nove anos em busca de afeto e amor.




HER SMELL de Alex Ross Perry

Domingo, 30 de junho, às 19:00

fest her smell
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Por vezes o caminho para o futuro passa por um olhar para o passado. Assim acontece no cinema de Alex Ross Perry, cujas experimentações formais e narrativas costumam passar pela utilização de estéticas e mecanismos dos filmes dos anos 70 e seu charme retro para cinéfilos contemporâneos. “Her Smell” é a sua mais recente aventura cinematográfica e representa uma das suas mais loucas experiências, centrando-se na história de uma cantora numa espiral enlouquecida. Somente a prestação de Elisabeth Moss seria já razão suficiente para fazer deste filme visionamento obrigatório.




LA BELLE NOISE de William Brown

Domingo, 30 de junho, às 00:00

fest la belle noise
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La Belle Noise” é um híbrido entre documentário e ficção que foi filmado no FEST de 2018. Esta é uma experiência que examina os dilemas e expetativas de atores e tenta explorar e transcender os limites do cinema de micro-budget. Trata-se ainda de uma exploração fascinante sobre o modo como o som funciona no cinema e como o uso de ruídos reais em cinema pode dar origem a uma experiência original e muito específica, onde o naturalismo sónico é o caminho para uma espécie de jazz sem instrumentos.




JOSÉ E PILAR de Miguel Gonçalves Mendes

Segunda-feira, 1 de julho, às 11:00

fest jose e pilar
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Para terminar, o último dia do FEST é principalmente dedicado à exibição dos filmes premiados. No entanto, na manhã de dia 1 de julho, há ainda tempo para se ver um documentário que serviu como candidato português para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Falamos, pois claro, de “José e Pilar”, um retrato íntimo e complexo sobre a relação entre José Saramago e Pilar del Río.

 

Não percas estes filmes e não te esqueças de acompanhar a cobertura de este e outros festivais de cinema aqui na MHD.

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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