The Good Doctor © Sony Channel / AXN Portugal

The Good Doctor 4ª Temporada | Freddie Highmore, em entrevista

A MHD esteve à conversa com Freddie Highmore, no âmbito da estreia da nova temporada de The Good Doctor no canal AXN. 

A Magazine.HD falou em exclusivo com Freddie Highmore, um dos mais talentosos atores britânicos de cinema e televisão, tudo no âmbito da estreia da 4ª temporada de “The Good Doctor”. Esta que é uma das séries mais curiosas emitidas pelo canal AXN Portugal, irá continuar a história da personagem de Shaun na nova temporada, com os dois primeiros episódios focados na pandemia COVID-19 e nos seus efeitos sobre os profissionais de saúde. Trata-se mesmo de uma homenagem, a primeira feita através da ficção norte-americana, àqueles que dão a cara para salvar vidas.

Para quem não sabe, “The Good Doctor” é uma série baseada em um drama coreano que apresenta Shaun Murphy, jovem cirurgião com autismo e síndrome de Savant, que luta diariamente para demonstrar as suas habilidades no hospital onde trabalha. Com uma memória extraordinária, na nova temporada Shaun vai lidar com os desafios da pandemia, com a sua relação com Lea (Paige Spara) e encontrar uma solução improvável para tratar pacientes com outras doenças. “The Good Doctor” foi criada por David Shore, o mesmo responsável por “Dr. House”. Curiosamente, a diferença é que “The Good Doctor” é uma série mais bem disposta e não tão cínica como aquela protagonizada por Hugh Laurie.

Freddie Highmore em entrevista exclusiva à MHD

Freddie Highmore
Freddie Highmore na 4ª Temporada de The Good Doctor © AXN Portugal

Para aqueles que não assistem a “The Good Doctor” será fácil reconhecer Freddie Highmore de outros projetos. Falamos de um mais talentosos atores da sua geração (Freddie nasceu a 14 de fevereiro de 1992), célebre em criança pela participação nos filmes “À Procura da Terra do Nunca” (Marc Forster, 2004) onde colaborou com Johnny Depp, Kate Winslet e Julie Christie, “Charlie e a Fábrica de Chocolate” (Tim Burton, 2005), novamente ao lado de Johnny Depp e na trilogia “Artur e os Minimeus”, (Luc Besson, 2006-2010).

Na televisão, o seu trabalho a par da série “The Good Doctor” tem crescido e foi até marcante em “Bates Motel“, uma revisitação ao famoso psicopata Norman Bates, celebrizado por Anthony Perkins no filme “Psycho” (Alfred Hitchcock, 1960). Na verdade, Freddie Highmore já não tem mais nada a provar e a cada papel mostra uma dedicação de um veterano, afinal já anda nesta profissão há algum tempo.

Esta entrevista com Freddie Highmore é feita para os fãs do ator, raramente visto no mundo digital, isto porque Freddie não tem qualquer rede social. De Portugal até Vancouver tivemos realmente uma das conversas mais descontraídas deste ano cinematográfico, com algumas risotas e boa disposição.

MHD: Qual a sua situação agora mesmo? Que precauções tem adotado? 

Freddie: Agora mesmo estou em Vancouver. Por sorte Vancouver não foi tão afetada como outras cidades, mas isso não significa que não poderá mudar. Noto que todos aqui estão a tomar as precauções necessárias e no set de rodagem somos testados três vezes por semana e temos que utilizar máscaras na maior parte do tempo. As pessoas respeitam o distanciamento e portanto diria que é um local tranquilo.

Os operadores de câmara estão sempre distantes e controlam as câmaras remotamente. Tudo parece diferente obviamente, mas eu acho que tudo tem de ser diferente. Se fosse um voltar à normalidade, saberia que isso estaria errado. De qualquer maneira, todos nós sentimos que o set é um lugar muito seguro onde se pode estar. Sentimos-nos uns privilegiados por poder voltar ao trabalho e conseguir contar estas histórias.

MHD: Quão intenso foi filmar durante a pandemia COVID-19? Qual o impacto da pandemia diretamente sobre a personagem de Shaun?  

Freddie: É realmente desafiante e é mesmo uma batalha que o Shaun irá atravessar, afinal no início o vírus era realmente uma incógnita. O Shaun sempre esteve preparado para desafios, pois tem aprendido bastante e adquirido um vasto conhecimentos graças aos seus livros. Mesmo assim, na nova temporada irá deparar-se com algo com o qual ninguém fazia ideia de existir, e terá de repensar completamente a sua atitude. No início será certamente complicado.

MHD: Ok, a pandemia Covid-19 faz agora parte da narrativa de “The Good Doctor”. Qual foi a sua primeira reação quando soube que a série iria abordar esta temática tão presente e relevante?

Freddie: Para a equipa de “The Good Doctor” o mais importante ao retratar a pandemia nestes dois primeiros episódios, era homenagear os profissionais de saúde da vida real, ou seja, aqueles que estão na linha da frente e que são realmente uns heróis, mesmo diante das situações traumáticas que temos vivido nos últimos meses. Para nós, foi bastante importante colocarmo-nos nessa perspectiva, muito embora como atores que interpretam médicos na televisão isso praticamente não significa nada em relação àquilo que estas pessoas estão a ultrapassar. Se não o fizéssemos, estaríamos a fugir da nossa responsabilidade.

Freddie Highmore

E foi com base nessa homenagem que a história da 4ª temporada de “The Good Doctor” começou. Mas era difícil para os escritores saberem como é que a pandemia se iria desenvolver à medida que rodávamos a série. Aliás, o argumento começou a ser escrito no início da primavera, nas fases iniciais da pandemia e nós só começamos a filmar no início do verão. Portanto, não poderíamos saber se aquelas informações que tínhamos passados apenas 5 meses do início da pandemia, continuariam a fazer sentido.

Ao mostrarmos a evolução da pandemia ao longo de vários meses em “The Good Doctor“, tentámos evidenciar aquilo que os médicos têm ultrapassado. À medida que os meses passam, recebemos mais informações sobre este vírus e como cada um está a tentar enfrentá-lo.

MHD: Teve algum conselheiro para lidar com a pressão psicológica? Afinal não deverá ser fácil trabalhar com base numa questão tão trágica como a COVID-19…   

Freddie: Eu diria que para cada um dos atores foi mais uma pesquisa em termos individuais, em vez de uma questão coletiva. Quando estávamos juntos claro falávamos sobre como os médicos e profissionais de saúde estão a lidar com a pandemia na vida real. Para a redação do argumento, os relatos de alguns médicos foram essenciais, mas eu diria que depende mais do ator descobrir e encontrar individualmente aquilo que resultará melhor para a personagem e preparar-se nesse sentido.

MHD: Até ao momento só vimos dois episódios da 4ª temporada de “The Good Doctor”. O que poderemos ver nos próximos episódios? Serão apenas episódios sobre a pandemia ou irão tratar de outras temáticas?

Freddie: É difícil responder à pergunta, mas posso revelar que o enfoque da série não será apenas a pandemia COVID-19. Poderão existir algumas referências, mas as personagens não se sentirão sempre no meio de uma pandemia ou que precisam ser tomadas sempre as mesmas precauções. Afinal, num hospital e em termos de tarefas diárias, existem muitos pacientes a ser tratados, que não têm coronavírus. Não quero dizer que o vírus desaparecerá por completo da série e tudo passará a estar bem, mas haverá uma espécie de simbiose e entrelaçamento entre as diferenças doenças.

Também não queremos influenciar negativamente os espectadores, que pensem que a pandemia já terminou. Cada episódio terá a sua própria linha, mas isso não quer dizer que não é necessário seguir todas as diretrizes para manter-nos seguros durante o dia a dia na nossa realidade.

Freddie Highmore
Freddie Highmore na 4ª Temporada de The Good Doctor © AXN Portugal

MHD: Como é que o relacionamento entre Shaun e Lea irá evoluir nesta nova temporada? 

Freddie: Aquilo que foi mais empolgante explorar na terceira temporada de “The Good Doctor” foram as primeiras fases do amor e da paixão entre Shaun e Lea, de uma forma divertida. A quarta temporada aproveita-se disso, mas acaba por mostrar um relacionamento mais profundo, com mais nuances. Inicialmente temos duas pessoas que querem ficar juntas, mas que não podem pela natureza da pandemia e claro pelo trabalho de Shaun. Será um desafio ver como é que o relacionamento sofre com estas repercussões e como ainda pode crescer. Na nova temporada a questão será sobretudo o que significa querer estar com alguém por mais tempo, e não apenas a primeira faísca de quando te apaixonas pela primeira vez.

MHD: Na última temporada, o Shaun acaba por ser uma espécie de tutor perante os estagiários que chegam ao hospital? Acredita que é desafiante para a personagem esta situação?

Freddie: Será certamente difícil para o Shaun (risos) e será realmente curioso assisti-lo. Pela primeira vez, na quarta temporada de “The Good Doctor”, o Shaun terá imensa responsabilidade, sobretudo para com outras pessoas. Haverão muitos jovens estagiários com os quais ele terá que assumir uma atitude protetora. Sabemos que ele é muito bom quando se trata de transmitir conhecimentos médicos e percepções, acho que as pessoas sabem o quanto ele se esforça profissionalmente para ser esse apoio que os mais jovens precisarão. Haverá algum momento inevitável em que os seus companheiros mais jovens vão acabar por perder um paciente e questionar-se onde é que cometeram um erro.

Portanto, o Shaun estará lá para confortá-los, para ajudá-los a seguir em frente e a estarem prontos para uma situação idêntica no dia seguinte. Será emocionante ver o Shaun nesses momentos mais intensos. Mesmo assim, também haverá algum humor, porque poderemos ver o Shaun numa posição de autoridade para com as outras pessoas, ou seja, poderá finalmente dar ordens (risos).

Freddie Highmore
Freddie Highmore na 4ª Temporada de The Good Doctor © AXN Portugal

MHD: Como é que “The Good Doctor” continuará  fazer jus aos profissionais de saúde com autismo?

Freddie: Acho uma questão muito ampla. Espero que através de Shaun se continue a fazer justiça ao autismo e a partir daí iniciar uma discussão sobre as pessoas com autismo, que são capazes de trabalhar num ambiente hospitalar e até podem ser bem sucedidas nele.

Deveremos estar, no entanto, cientes que o Shaun não pode representar todos e portanto estamos a contar uma história em particular que se encaixa perfeitamente. Mesmo assim, acredito que haverá sempre algo com que os autistas se conectarão e através da série continuará a existir discussão sobre a temática. Pode ser iniciada uma pesquisa mais aprofundada, a fim de entender o autismo da forma mais completa possível.

MHD: Neste sentido, acreditamos mesmo que o Freddie é um exemplo para as pessoas com autismo, na forma como representa Shaun. Certamente deve receber imenso feedback dos seus fãs. Lembra-se de alguma reação em particular e jamais irá esquecer? 

Freddie: Existem muitas reações de que nunca esquecerei. A série permitiu várias reações por parte dos espectadores e chegaram até mim algumas histórias pessoais, parecendo-me quase errado compartilhá-las. Mas eu definitivamente sinto que todos os momentos da série são feitos para serem impactantes e inspiradores.

É nesse sentido que continuarei a trabalhar e estou muito grato por esses momentos. Sentiu-se um sortudo por esses momentos, e sortudo por interpretar alguém como o Shaun. Ter essa responsabilidade não é algo que tomo de maneira descontraída.

MHD: Como explica o sucesso e popularidade das séries televisivas sobre medicina um pouco por todo o mundo?

Freddie: Eu gostaria de pensar que existem dois motivos diferentes para que isso aconteça. O primeiro motivo, o mais óbvio, está relacionado com o facto dessas séries tratarem de assuntos tão importantes e comuns para qualquer um de nós, que todos os humanos passam inevitavelmente. Nascemos, começamos a nossa caminhada e no fim morremos. Quando esses eventos decorrem dentro de um hospital somos ainda mais capazes de nos conectar, porque são tratadas diretamente todas as questões  importantes que nem sempre têm respostas.

Também gostaria de pensar que, embora esse tipo de questões continuem a atrair as pessoas, acho que as personagens atraem sempre os espectadores pelos seus pontos de vista sobre o mundo. Acho que essa é a razão para que “The Good Doctor” e outros dramas médicos consigam atingir um certo nível de sucesso. Consoante a minha perspetiva, o Shaun tem um ponto de vista diferente sobre o mundo, ele é o perfeito oposto de, por exemplo o Dr. House, uma personagem muito mais cínica.

Agora mudamos um pouco o paradigma, porque procuramos alguém que ofereça um pouco mais de esperança, que nos permita ver o lado bom das pessoas, sem julgar. O Shaun permite descobrir as personalidades das demais pessoas em vez de apresentar-nos noções pré-concebidas sobre como deveriam ser.

MHD:  O que aprendeu até agora com o Shaun? 

Freddie: Não será a primeira vez que o refiro e até já discuti muitas vezes aquilo que aprendi com esta personagem com o seu criador, o David Shore. Talvez seja algo realmente mais percetível para o escritor do que para mim, afinal Shore criou também a série “Dr. House”. Refiro-me ao facto de como britânico ter um tendência natural para o cinismo, faz parte da nossa identidade. No papel de Shaun percebo que a personagem é o oposto disso.

Agora, acho que consigo olhar para o mundo de uma maneira mais otimista, por passar tanto tempo com o Shaun. Acredito que o David dirá o mesmo em termos de estar no lado positivo da mente e não no lado sarcástico como o Dr. House.

MHD: Obrigado. 

Freddie: Obrigado e tenham um excelente dia.

Trailer da 4ª Temporada The Good Doctor

Gostarias de assistir à nossa entrevista

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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