Há qualquer coisa de reconfortante numa boa comédia romântica que não tem medo de assumir o seu género. Principalmente em um momento em que este estilo parece procurar constantemente novas formas de reinventar o romance, “A Hipótese do Amor”, (ou “The Love Hypothesis” na versão original) decide fazer precisamente o contrário: recupera a fórmula clássica, junta-lhe um trago de fake dating e entrega-nos um filme que parece ter saído diretamente dos anos 2000.
Como alguém que simplesmente não resiste a um bom fake dating – os adorados namoros de mentira -, confesso que sou totalmente suspeita para falar. Ainda assim, é quase impossível não entrar no jogo quando uma mentira começa a transformar-se em sentimentos verdadeiros.
Baseado no bestseller de Ali Hazelwood, o filme acompanha Olive Smith, interpretada por Lili Reinhart, uma candidata ao doutoramento que vê a sua vida amorosa complicar-se quando percebe que a melhor amiga, Anh (Rachel Marsh), apaixonou-se pelo homem por quem Olive tinha interesse. Para evitar magoá-la, Olive toma uma decisão impulsiva: beija Adam Carlsen (Tom Bateman), um professor conhecido pela personalidade intimidante. Assim, os dois entram em um acordo para fingirem uma relação amorosa.
Qual o enredo de A Hipótese do Amor, com Lili Reinhart?
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É precisamente aqui que “A Hipótese do Amor” encontra a sua identidade. O filme não tenta esconder os clichés. Pelo contrário, abraça-os. Temos o professor aparentemente impossível de conquistar, a protagonista desastrada, mas inteligente. E ainda o acordo com regras muito específicas, a proximidade forçada e, naturalmente, aquele momento inevitável em que já ninguém sabe onde acaba a representação e começa o sentimento.
Por isso, a experiência lembra aquelas comédias românticas que dominaram o cinema comercial no início dos anos 2000. Há leveza, situações embaraçosas, romance, humor e uma banda sonora que ajuda a criar essa sensação de familiaridade.
Contudo, o filme também coloca as suas personagens num contexto bastante específico. Olive e Adam trabalham no mundo académico e científico, enquanto a protagonista tenta construir o seu futuro profissional. Assim, a história consegue cruzar a vida amorosa com as ambições de Olive, sem transformar completamente a sua personagem numa protagonista que existe apenas para encontrar o amor.
Lili Reinhart brilha em The Love Hypothesis, ao lado de Tom Bateman
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Se há uma razão que me fez gostar particularmente desta adaptação, essa razão chama-se Lili Reinhart. A atriz encontra em Olive uma personagem com espaço suficiente para mostrar diferentes facetas. Reinhart consegue passar do humor para momentos de maior vulnerabilidade sem perder a personalidade da protagonista. Além disso, a sua interpretação ajuda a tornar Olive próxima do público, mesmo quando a própria história recorre a mecanismos bastante conhecidos do género.
Tom Bateman assume, por sua vez, o papel de Adam Carlsen. O ator constrói um personagem mais reservado e aparentemente distante, criando o contraste necessário com a energia de Olive. Ainda assim, é a dinâmica entre os dois que sustenta grande parte do filme.
Rachel Marsh também merece destaque como Anh, a melhor amiga de Olive. A personagem traz uma energia diferente para a narrativa e ajuda a manter a história ligada às relações de amizade, e não apenas ao romance central. O elenco inclui ainda Jaboukie Young-White como Malcolm Browne, Nicholas Duvernay como Jeremy Langley e Arty Froushan como Dr. Thomas Benton.
A adaptação do livro de Ali Hazelwood sofreu alterações?
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Adaptar um livro tão conhecido nunca resulta numa transposição completamente literal. Neste caso, “A Hipótese do Amor” parte do romance de Ali Hazelwood e leva a história para o cinema através do argumento de Sarah Rothschild.
Claire Scanlon assume a realização, enquanto Lili Reinhart também participa na produção executiva. Desta forma, a longa-metragem mantém a essência do romance, mas adapta determinados elementos para funcionar dentro do ritmo de um filme de cerca de uma hora e cinquenta minutos.
E, embora algumas mudanças possam causar estranheza a quem conhece muito bem o livro, o filme mantém aquilo que torna a história apelativa: a relação improvável entre Olive e Adam e o jogo constante entre aquilo que fingem sentir e aquilo que começam realmente a sentir.
Vale a pena ver The Love Hypothesis, o novo filme da Prime Video Portugal?
A Hipótese do Amor não quer reinventar a comédia romântica. Na verdade, quer recuperar uma fórmula que muitos espectadores aprenderam a gostar há duas décadas. E talvez seja precisamente essa a sua maior qualidade.
O filme sabe que estamos perante uma história previsível. E nós, espectadores, também sabemos. No entanto, isso não impede que queiramos descobrir como Olive e Adam vão ultrapassar cada obstáculo.
Por isso, a experiência funciona sobretudo para quem procura uma comédia romântica leve, divertida e assumidamente nostálgica. Não estamos perante um filme que pretende mudar o género, mas sim perante uma produção que recupera alguns dos seus ingredientes mais reconhecíveis e os coloca novamente no centro da narrativa.
No meu caso, Lili Reinhart é claramente o elemento que mais me conquistou. A atriz dá a Olive uma energia muito própria e consegue carregar boa parte do filme sem perder o lado divertido da personagem. No final, esta longa-metragem uma comédia romântica confortável, que recupera sem vergonha a fórmula dos anos 2000. Aliás, há definitivamente aqui uma hipótese que vale a pena testar.

